Apocalipse Ambiental: Um Certo Grau de Pânico Moral

Padrão

Escrevendo no Utne Reader, Keith Goetzmann resume bem o que ando pensando da montana russa do debate ambiental nos últimos anos:

Tem conservadores demais acreditando que o aquecimento global não passa de um complôt socialist. Tem progressistas demais concordando com o ecologista James Lovelock, que “podia ser necessário suspender a democracia por um tempo” para lidar com aquecimento global. Corremos o risco de nos esbarrar entre essas duas enormes, doutrinárias e totalmente ignorantes escolas de pensamento. Precisamos fazer com que os que realmente compreendem a ameaça começarem a falar mais alto.

Militantes ambientalistas se reuniram recentemente no Foro Sobre Mídia e Mudança Climática de Yale — patrociniado pela Fundação Grantham e ex-alunos da faculdade como Bill e Hillary — para avaliar os danos feitos com o escândalo conhecido como Climategate.

Na avalição de Gavin Schmidt da NASA:

“Abriu-se um abismo entre os chavões de marketing e verdadeira cieência ….” Fazendo uma analogia com a polarização nociva da política em geral — com o “centro” entrando em collapso — ele falou de um “sertão” habitado por pessoas com pouco conhecimento da ciência mais aproveitando uma enorme amplificadora na internet para fazerem seu ponto de vista valer.

O desafio e colonizar aquele “sertão” com comunicadores que não somente entendem a ciênci mas também sabem comunicar com cautela e credibilidade.

O desafio virou ainda maior num momento em que jornalistas especializados em ciência “começaram a perder seu emprego” e o estabelecimento cientiífico ainda não aprendeu incentivar cientistas capazes de alcançar audiências leigas.

Entrei nessa linha de pensamento hoje por não poder largar o osso da guinada direitista do movimento verde nos útimos anos.

Tampouco consigo de tirar uma folga na minha tenativa de entender a estrutura institucional da maquina de propaganda verde, que muitas vezes faz uso de mitos milenares de um apocalipse iminente.

As palavras de Élio Gaspari sempre voltam a minha mente:

O folclore da corrupção é um bom negócio — para os corruptos.

Assim, a confusão sobre a gestão do meio ambiente é um bom negóciio — para os predadores ambientais.

A Economia Política do Futuro Verde

Eu não quer dar munição aos Dick Morris do mundo — autores de EUODEIOLGORE.COM e tantos outras máqunias de barulho — mas ora, eu não sou nem Democrata nem Republicano, e acho justo apontar que a máquina de propaganda dos Democratas — sob a batuta de Howard Dean, co-inventor com Al Gore da internet política — não é menos barra-pesada nem menos implicado na indústria de «exportação de valores democráticos» do qual eu não canso de falar mal.

Como de costume, estas divagações minhas começam com pequenas pistas, palpites e coceiras.

O latifúndio de blogs ECOBLOGS.COM.BR, por exemple, é tão ponto-br como DISNEY.COM.

É montado, segundo um busca WHOIS, pelo produtor de cinema Paulo Roberto Schmidt — dono do Mais Produções S/C Ltda. e um produtor do filme sobre a banda As Titãs — e mora no MEDIATEMPLE.NET, moradia de tantas interentidades nebulosas.

O contato técnico está com o academiadefilmes.com.br, do Grupo INK, uma produtora multitalento que ja trabalhou em projetos do Grupo PRISA, o Tratado de Tordesilhas editorial de Espanha, e sua subsidiária Santillana, além dos «cumbres» da Sociedad Iberoamericando de Prensa — cofradia pelêgo de donos de mídia golpistas.

Se não me engano, é uma editora do grupo Prisa que edita os livros de Diogo Mainardi.

INK, entretanto, projetou os novos escritórios de Microsoft em Madrí.

O ECOBLOGS conta com o patrocínio da seguradora MAPFRE. Já achei dois casos de releases da seguradora reproduzida textualmente pelos blogs do site. Agradecendo a força, com certeza. Se os blogueiros tiverem contrato de emprego ou serem voluntŕios não-remunerados fica em dúvida.

Já pensei que uma seguradora talvez beneficaria de uma percepção exagerada de risco, por exemplo?

Atraiu minha atenção por aparecer no «ecossistema digital» da empresa Natura, cujo CEO licenciado foi o vice da Marina.

O latifúndio de blogs de Mapfre explicita ligaçoes com outros projetos parecidos que se encaixam bem no projeto do Ecobusiness Brasil, que serve como núcleo para essa atividade.

Repercute a imprensa nativa, outros projetos ambientais, e BINGOs com Greenpeace.

É um agregador de um discurso que parece ter uma certa coerência

Esta articulação começa a mostrar ligações com General Electric — que gostaria vender você uma nova geladeira mais verde, aposto — e a Fundação Clinton.

A mesma rede, enfocando ECOBUSINESS — uma feira internacional que houve em São Paulo no fim de agosto:

Tem sinergias interessantes entre a ONG de Bill e os sites promovendo a  pessoa de Hillary, agora nossa Secretária de Estado. Os Republicanos não tem monopólio na confusão do partido com o Estado.

Termino com um incidente do que ouvi falar mas ainda não cheguei a pesquisar.

Foi aquele no qual o chefe de Greenpeace Brasil chamou a Ministra de Meio Ambiente de mentirosa quanto à atuação da Polícia Federal na selva contra depredações ambientais.

O que foi isso, companheiro?

Ora, eu tenho amigos trabalhando no terceiro setor. É do conhecimento até de um copo de água mineral que os patrocindores influem indevidamente nas organizações patrocinadas. O Greenpeace uma vez mordeu a mão que o alimenta? Sua defesa de Anita Roddick até nos 1990s foi visto por alguns como sinal de certo receio de morder.

Filtrando a Propaganda

Desculpem a divagação.

Acho que a revista Newsweek — moribunda mais ainda respirando — coloco o dedo no que toca na histéria que domina o debate sobre política ambiental.

Não pode passar por alto do crise chamando-o de um disput entre cientistas respeitáveis e um bando de malucos que acreditam no universo geocéntrico. As linhas de combate cortam pelo coração da própri profissão. Muitos poucos pesquisdores duvidam de uma correlação entre carbono gerado por seres humanos e o aquecimento global. O debate vira menos claro, porém, quanto à velocidade e a abrangência desse efeito.

Um ponto central em disputa é a “sensibilidade” do meio ambiente — a relação matemática entre mudanças nos niveis de carbono no atmosfera e mudanças em temperatura. Mais, não há consenso sobre como explicar um queda na taxa de crescimento da temperatura média global durante a última década.

Pior, muitos pesquisadores da clima respondem ás críticas questionando a integridade dos críticos em vez de fornecer dados e argumentos bem-pensados. Quando outros pesquisadores levantaram dúvids sobre  previsão do IPCC que as Himalayas perderão suas geleiras até o ano 2035, o chefe do instituto, Rajendra Pachauri, chamou suas pesquisas de “macumba”. Ainda hoje, após a revelção de decenas de exageros divulgados pelo IPCC, autoridades altas na área de mudanças climáticas como o chefe do programa pelo meio ambiente do ONU e o chefe do Potsdam Institute tacham críticos de “anti-Esclarecimento” e “caçadores de bruxas”.

O cara parece para o ambientalismo global o que Paul Wolfowitz era para o Banco Mundial — um destastre de relações públicas de eu sozinho.

Como quase sempre, a culpa é dos marqueteiros.

A onda contra a ciência da clima também tem muito a ver com a alianças forjadas por pesquisadores conhecidos com políticos e militantes para promover sua causa. Entre os dados e recomendações mais citadas do IPCC foram coladas direta de panfletas de militantes, sem revisão, além de matérias jornalísticas e relatórios produzidos por grandes empresas. Entre estes foram afirmaçãoes de um declínio desastroso nas safras africanas  e o aumento igualmente desastroso de desastres causados por mudanças climáticas — ambos desmentidos por outros pesquisadores.

Nós, nós continuamos verdes, até se o mundo não acabará logo amanhã de manhã e o urso polar da propaganda não seja em tanto perigo assim.

É uma versão da aposta de Pascal: Não custa mudar comportamentos que poluem — até poupamos dinheiro — e pode ser que vai ajudar num futuro ainda indefinido.