Twitter.gov: O Movimentado Mundo do Movimentarianismo

Padrão

Acima: campanha clandestina do Conselho de Segurança Nacional (NSC) do Executivo dos EUA utilizando a Juventude Republicana como fachada, anos 1980. Fonte: O Dossiê Otto Reich.

O governo Verde do Brasil pede que a Rede Globo adie a manutenção rotina no seu portal de blogs e ficar no ar para dar uma força a uma facção política amiga durante as eleições no país vizinho de Fridônia.

A Rede Globo concorda e faz, e por isso chega a ser escoriada como militante no partido da imprensa golpista.

Pensem nisso enquanto ponderam uma notícia do tipo «porta-giratória» no blog Gen Next, do diretor da AYM — Association for Youth Movements — Roman Tsunder.

No dia 2 de setembro, Jared Cohen saiu do prédio Truman — sede do Departamento de Estado — com seus pertences pela última vez, após quatro anos trabalhando no planejamento de política externa do Departamento de Estado durantes os governo Bush e  Obama.

Durante seu servíco público, Jared atraía bastante atenção — entre elogios e polêmicas — por seu pensamento pouco ortodóxo sobre a diplomicia.

Por ter chamado seu amigo Jack Dorsey, dono de Twitter, e pedido que adie a manutenção rotina e manter o site no ar durante os momentos mais empolgantes das eleições iranianas.

Por levar contingentes de executivos de TI, entre eles Eric Schmidt da Google, ao Iraq para diagnosticarem problemas encontrados lá.

E por ter compartilhado suas observações, num tom chamado por criticos dele de leviano e inadequado, a seus 300.000 seguidores no Twitter.

Nos meiados de outubro, Jared virá diretor de Google Ideas, uma nova divisão do conglomerado de busca a ser fundada pelo mesmo Jared. Também virá um pesquisador subsidiado do Council on Foreign Relations, um especialista em contraradicalização, inovação, tecnologia, e diplomacia.

Eu ficaria meio choqueado sabendo que uma empresa de comunicação social concordaria em ser convocado a servir como instrumento de política de Estado. Você? Claro, vocês concordariam. Vocês lembram da ditadura e o crescimento da Globo.

Acontece que Jared Cohen também é fundador do AYM, movimento de movimentação movimentada patrocinado pelo Departamento de Estado enquanto ele trabalhava lá como servidor público. Não seria, portanto, uma daquelas organizações não-governamentais governamentais?

Assim, utilizando apenas os fatos biográficos fornecidos pelo MOVEMENTS.ORG, produzo mais um dos meus famosos «diagramas-linguine», utilizando CMapTools.

Howcast trabalhava também como empreiteira militar.

Já vimos algumas ramificações desse esquema no Brasil, como, por exemplo, o apoio da Fundação General Electric ao International Youth Foundation, projeto-fachada do AYM.

O IYF, por sua vez, patrociniava eventos culturais sob o égide do YouthActionNet — beneficiado por $2 milhões de USAID em 2007 — em parceria exclusiva com a Iniciativa Jovem Anhembi Morumbi, dentro da faculdade operada pela Sylvan Laureate.

O diretor da fundação  GE no Brasil é egresso do governo FHC e agora faz lobby.

Veja

Também patrocina o Instituto Ethos.

Durante o congresso do IE sobre sustentabilidade, a empresa Natura convocou blogueiros a fazerem cobertura do evento. A nota é do blog covardanônimo Nossa Quintal

E daí que a Natura convidou alguns blogs para participar da Conferência Internacional do Instituto Ethos deste ano. Na correria de entregar meu TCC, acabei não comentando antes, mas aí está: o Quintal foi um dos escolhidos, ao lado de gente legal como o Denis Russo e a Claudia Chow (sério, é tão difícil não fazer uma piada infame cada vez que converso com ela!).

Denis Russo não é blogueiro qualquer, nos moldes do grande Editor:Myself — uma alma penada digitando na escuridão e solidão do seu quitenete em Cracolândia.

Ele consta na folha de pagamentos da revista Veja.

Acontece que Veja é cliente de Almap-BBDO, do grupo Omnicom, um patrocinador do AYM.

E a Claúdia Chow?

Claudia Chow. Geóloga preocupada com os rumos que os seres humanos tem dado ao seu único Planeta.

Ja observei várias vezes aqui como projetos como Global Voices Online ofuscam o patrocínio aos seus trabalhos com biografias de colaboradores estrategicamente incompletas.

Enfrentado com a pesquisa anual da Edelman sobre a confiança do público em propaganda, resolvem negar que são engajados em propaganda. Ah, isso vai resolver a problema de desconfiança, sim!

Quando José Murilo Júnior editava o caderno do Brasil, por exemplo, omitia que era servidor público do Ministério da Cultura, por exemplo.

Quando o Intel produziu uma peça de «fake news» — uma peça de propaganda disfarçada de reportagem e divulgada pela rede Fox como se fosse trabalho jornalístico próprio — uma especialista apareceu descrita como «Nome Sobrenome, Antropóloga».

Na verdade, tratava-se de «Nome Sobrenome, Chefe de Pesquisas Antropológicas de Intel».

Portanto, eu sempre fico com pé atrás quando alguém se apresenta como «gente que nem a gente», sem informar donde veio o dinheiro que pagou seu aluguel ou hipoteca exótica no mês passado.

Em 2009, a FTC — reguladora de comércio interestadual do Tio Sam — baixou nova regra obrigando

blogueiros que endossam um produto a divulgarem o fato de receber dinheiro ou outras coisas de valor em troco do endossamento. Quem compra um produto e fala bem não vai se encrencar, mas empresas e suas representantes que fazem isso, beneficiando assim do jabaculê, terão que divulgar o patrocínio.

Claudia escreve no que é, de fato, o sucursal brasileiro de Science Blogs, hospedado nos servidores do projeto nos EUA

A autoria do projeto é protegido por anonimato perante uma busca WHOIS, mas o contato técnico fica com o grupo Seed Media LLC de Nova York — editora digital da revista SEED, publicação de alta qualidade com estreitas ligações com os fundadores de INNOVATION.HOOVER.ORG — com fins lucrativos, que não divulga as fontes de renda ou a clientela mas destaca que doa parte da sua renda a projetos pela promoção de ciência.

Seed Media acaba de lançar um site bacana, em parceria com General Electric, pela visualização de dados científicos.

Gostaria de saber quem são os anunciantes da revista.

E assim por diante. Parece provável que a ONG Faça Parte, por exemplo, seja um projeto de várias empress de Omnicom e seus clientes, e portanto uma parceria implícita com Howcast e AYM.

Vocês já sabem demais da fonte da minha indignação: que dinheiro do contribuinte misture-se com dinheiro privado e promove os produtos e serviços de empresas privadas mundo afora.

Mais perigoso ainda é a convocação da inciativa privada por fins de política de Estado.

Aí, entramos em uma nova época do zaibatsu — a promiscuidade do Estado com a inciativa privada monopolista que impulsionava o imperialismo dos japoneses.

O péssimo estado das coisas, naturalmente, sendo o vice versa: a política de Estado sequestrado por interesses privados — o caso das milícias do Rio.

Propaganda Brasileira, Orgulho da Nação

O próximo passo será voltar a análises anteriores e olhar a clientela dessas agências do grupo Omnicom no Brasil.

Outro negócio recente no mundo de propaganda que merece estudo: a acquisição da agência digital global Omniture pelo Macromedia-Adobe.

Mas depois. Tenho preguiça de fazer tanto trabalho. Faça vocês. Uma busca de Google tipo «site:obicho.wordpress.com +BDDO» funciona muito melhor do que aquela merda de um motor de pesquisa de WordPress.

Vou terminar com uma anedota relevante.

Um ano atrás, o Huffington Post noticiou uma enorme merda feita pela DDB Brasil com um anúncio rejeitado pelo cliente:

Na terça, um anúncio de péssimo gosto apareceu na internet mostrando os ataque do 11 de setembro acontecendo com centenas de aviões em vez de apenas os dois. A criação do anúncio foi atribuído ao DDB Brasil, encomendada pelo World Wildlife Fund. Enquanto Nova Iorquinos e norteamericanos em geral foram horrorizados pela exploração barata daquele dia, o mesmo WWF denunciou o anúncio, dizendo que “não foi aprovado” e fugiu das especificações fornecidas à agência.

Se for realmente o DDB Brasil, a agência pode enfiar sua ironia pós-moderna no cu.

Sou rapaz de Brooklyn e testemunha ocular dos atentados.

Me sinto aintingido em minha honra.