O Pânico de Carbono: Cui Bono?

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“Se eu faço uma doação a uma causa que apoio, mando o cheque e ponto final. Não ando informado um estádio cheio de 200.000 pessoas que o fiz. Isso não tem nada a ver com rock ‘n’ roll” –Angus Young de AC/DC, sobre Bono e U2

Eu estava fuçando as estatísticas e indicadores do Banco Mundial ontem numa tentativa de achar uma resposta firme à pergunta «quantos internautas brasileiras?»

É uma pergunta que me mal-assombra faz tempo.

Jamais consegui números que me parecem realmente confiáveis.

Comentei com leitores angloamericanos, até: Empresas como NetRatings produzem relatórios sugerindo um enorme crescimento na internet tropical-lusófona  e outros sugerindo crescimento animador mas longe de ser uma subida vertiginosa que logo chegará a um «tipping point».

O truque é jogar com as definições do “usuário” entre “navegantes ativos” — de 35 a 40 milhões — e “pessoas com acesso” — de 67 a 72 milhões, segundo o IBOPE-WPP e o Banco Mundial. São utilizados para fundamentar argumentos distintos.

Nesse estudo de IBOPE-NetRatings, divulgado pelo Abranet, por exemplo, houve uma variação de até 15% nos últimos dozes meses na utilização da rede seja em casa seja no lugar de trabalho, mas com um grau de volatilidade e sem tendência clara de crescimento no curto prazo. São dados animadores mas longe de ser arautos do tecnocalipse.

Gosto de atualizar meu jornalismo dos números de vez em quando, lendo o Numbers Guy do Wall Street Jornal ou as palestrinhas fornecidas pelo Poynter.

Me formei em poesia, quantidades não me são tão naturais assim.

Outro dadoide que apanhei do enorme planilha publicada pelo Banco Mundial diz respeito à iminência do apocalipse ambiental no Brasil.

Veja também

Acima, toneladas de carbono produzido por ano per capita entre Brazil, Chile — Santiago é conhecido com o Los Angeles do Sul por sua «smog» — e os EUA.

Acrescentando China agora, talvez seria surpreendente que a taxa de produção per capita seja tão baixa.

Mas é bom lembrar que a China tem muitas capitas.

Mais curioso ainda é o fato do pânico sobre emissões de carbono aqui vir do maior poluidor do planeta, de longe.

O VivoVerde, interlocutor da senhorita blogueiro de ECOBLOGS.COM.BR no Twitter, por exemplo, mora em Los Angeles — ainda uma das vivocidades com a pior qualidade de ar no país.

Aceitar a hegemonia dos EUA de Al Gore como “a nova direção do mundo” no que toca no meio ambiente é como ser convidado a uma reunião de NarcAnon por um viciado em cocaína.

Sem dúvida, o NarcAnon é muito admirável e ajuda muitas pessoas, mas entorpecentes talvez não seria o seu vício.

Então, há um enorme volume de propaganda verde entrando pela Tríplice Fronteira digital e despertando pânico sobre um problema que, se bem que o Brasil não deveria passar por alto dele  — a São Paulo ainda tem qualidade de ar que lembra a Cidade de México em alguns dias — não tem a urgência imediata insinuado pelo discurso catastrófico dessa propaganda.

Se bem que Cubatão era conhecido como o Vale da Morte nos anos 1985, melhorou bastante — uma melhora atribuído ao atitude de Montoro, seja dito, para eu não ser chamado de petralha pela enésima vez.

O que significa o logotipo da Unilever na página de Twitter do blog não é esclarecido, mas talvez tem a ver com a manchete mostrada acima:

A escolha de um produto é um ato político

O blog não divulga nenhum patrocínio, embora outro site que endossa, o Por Um Planeta Mais Limpa, leva os logotipos de várias marcas de limpeza da Unilever.

Compare-se.

Na época da hoje extinta favelinha, aqui no bairro estavamos com problema terrível de poluição devido ao costume dos moradores de lavarem roupa e louça no côrrego.

Um proporção significativa da militância deste blog consiste em pedir votos pelo prêmio TopBlog — montada por Insere Comunicação Web Ltda com contato técnico de Mix Mídia Digital.

Pelo menos o TopBlog, uma versão brasileira dos Bobs o Webbies, não apresenta os vícios de outras campanhas do gênero — tem que se cadastrar e pode votar apenas um vez — mas eu sempre suspeito a presença de voto-de-cabresto, com agências coordenando o voto da sua nuvem de terceirizadas.

O mundo de propaganda brasileiroa é muito incestuoso assim, que eu consigo observar.

Para mim, se trate de uma campanha publicitária profissional, deveria concorrer aqueles prêmios — o Media Estadão, digamos. Tem tanto prêmio de propaganda quanto anunciante nesse país, parece.

A rede de AMBIENTEBRASIL.COM.BR.

A influência de TOPBLOGS nessa rede.