As Mil Faces do Herói: Comtexto e seu Servidor-Reportajabaganda

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“A propaganda é a alma do negócio”

A promiscuidade com que misturam-se os mundos de relações públicas e propaganda com o mundo do jornalismo corrompe o jornalismo brasileiro sistematica e institucionalmente.

Isso: apesar dos esforços de tantos comunicadores íntegros e éticos que decerto há por aí, o jornalismo brasileiro, em geral, é corrupto, no pleno significado da palavra.

O mesma vale pelas profissões de RP e propaganda. Isso aqui é a terra da reportajabaganda, e tem sido desde o Coronel Golbery — o Zé Dirceu do século 20, segundo Élio Gaspari — teve mão na fundação da ESPM.

Eu fiquei absolutamente pasmo quando o Eugênio Bucci saiu nas páginas do Observatório da Imprensa defendendo com argumentos sofisticados e anuançados a tése de que relações públicas e jornalismo não são a mesma profissão, apesar de ser representadas pelo mesmo sindicato, FENAJ, e regidos pelo mesmo código de ética — mambembe.

Foi como se a defesa de Galiléu à hipótese heliocêntrica do sistema solar chegasse a ser desenterrada e obrigada a ser defendida de novo.

O seguinte, por exemplo, tirado do perfil de um colunista do Portal Imprensa, de UOL, é simplesmente uma mentira.

Wilson da Costa Bueno é jornalista, professor da UMESP e da USP, diretor da Comtexto Comunicação e Pesquisa.

Se fosse jornalista, a empresa COMTEXTO Comunicação pertenceria a uma entidade de classe de empresas de jornalismo.

De fato, pertence a ABERJE, a Associação Brasileira de Comunicação Empresarial.

Wilson da Costa Bueno é um consultor em comunicação empresarial — profissão perfeitamente honrável, em princípio, mas nesse espaço tratamos da prática, quando é outra.

O caso pegou minha atençao pela configuração vista acima, durante minha exploração do movimento — e indústria — verde no Brasil recentemente.

Os sites sobre comunicação empresarial, jornalismo ambiental e científico, e o blog de um tal de Wilson, demostravam vínculos mútuos e estreitos — um grau de coesão que muitas vezes indica colaboração, segundo a grande ARS — a teoria do análise de redes sociais.

No entnto, quais as lições a serem aprendidas por jornalistas especializados em assuntos ambientais de um site oferecendo cursos à distância de comunicaçao empresarial?

Resposta: todos estes sites, e outros relacionados, moram no mesmo servidor e têm o mesmo autor.

O caso é parecido com o da agência WebCitizen, tratado nesse espaço ultimamente: o consultor adota um tom moralizante, minimizando o profissionalismo da atividade como pretexto pela não-divulgação da sua clientela. O seguinte eu acho conversa para boi dormir:

A Comtexto não tolera empresas (e organizações em geral) e particular agências de comunicação/assessorias que estão a serviço do processo de limpeza de imagem, utilizando a comunicação como instrumento de manipulação da opinião pública. Nosso site, um dos mais antigos da área, está sempre alerta com respeito ao desvirtuamento do verdadeiro sentido e compromisso da Comunicação Empresarial.

Estamos empenhados em preservar conceitos fundamentais (comunicação estratégica, comunicação integrada, responsabilidade social, ética empresarial etc) e comprometidos com o debate de idéias na área. Julgamos fundamental incorporar a pesquisa no trabalho quotidiano da comunicação empresarial brasileira.

Propõe a formação de jornalistas na área ambiental por comunicadores empresariais. Que ética é essa? A mesma ética de pesquisas compradas pela indústra de cigarros sobre os efeitos do tabagismo na saúde.

Assim como o WebCitizen, o Comtexto aparentemente “desenvolve sistemas especializados em engajamento social pela internet. Seus clientes são órgãos públicos, ONGs e empresas interessadas em usar a web para mobilizar as pessoas por uma causa, seja ela filantrópica ou comercial.”

Não são sistemas muito sofisticados — o Joomla é o plataforma preferido, sempre com aquele visual bem amador que comunica que o autor seria «gente que nem a gente».

Já falamos várias vezes da identificação do «servidor ideológico» —

Pela coerência dos temas abordados e a autoria dos sites hospedados, o servidor ideológico é diferenciável do condomínio comum, com sua mistura aleatória de sites de Viagra, blogs, corretoras de imóveis, e tralha e tal.

Um exemplo dado foi o servidor BETA.FREEDOMWORKS.ORG,incubadora do movimento “Tea Party” nos EUA.

Faça clique para ampliar o mapa. Outro caso exemplar:

Aqui temos uma variante no tema: o «servidor ideológico-comercial».

Testes sobre uma amostra dos sites hospedado no servidor 200.219.245.245 sugerem logo uma forte hipótese de que os inquilinos todos tem algo em comum. Muito provávelmente trata-se de uma cooperativa da clientela da agência Comtexo — que incluira o governo estadual do Rio Grande do Sul.

Não existe almoço grátis, aliás.

O análise de «núcleos e autoridades» — HITS — da vizinhança de Wilson apresenta uma estratégia familiar: O uso do platforma social — acima — em sinergia com a mídia eletrônica e impressa dominante pelo contrabando ideológico.

Mas Brayton, você mesmo não confessou um certo viés verde pessoal?

Confessei.

A isolação do teto na sala principal da nossa casa foi feita de caixas descartadas de leite UHT, colhidas por catadores de lixo e tecidos por donas de casa afaveladas, participantes de um projeto social de UNICAMP.

Funciona bem no verão, para manter a sala friozinha, mas nem tanto no inverno, para manté-la quentinha

Mas então, Brayton, porque essa manifestação contra o uso de técnicas de propaganda, sem legislação contra, que são favorável aos seus próprios valores, e que você chega a chamar de “corruptas”?

Porque são corruptas.

Pelo fato de esconder e ofuscar o verdadeiro patrocínio e interesse atrás da mensagem.

Vou deixar o assunto pra lá por enquanto.

Próximos Passos

Os próximos passos serão averiguar todos os sites no servidor ideológico — e também o esquema de servidores virtuais em cadeia montado aqui.

O BIGHOST.COM.BR, por exemplo, reside no TECLA.COM.BR, registrado ao ALOG.COM.BR, um grande e sofisticado centro de dados, ao qual ambos pertencem.

Sua própria conta no BIGHOST, entretanto, inclui servidores virtuais servindo de servidor para outros domínios.

Nós gringos falamos de «uma lata de vermes» — uma grande confusão.

O site IMPOSTOUNICOFEDERAL.COM.BR, por exemplo, é objeto de intervenção do serviço de segurança do meu navegador:

Identificado como subdomínio de MARCOSCINTRA.ORG, foi flagrado tentando a instalação sub-reptícia de software malicioso.Pode não ser a culpa do hóspede, porém. Especialistas, se manifestem, por favor.

Hospeda também o site de um velho conhecido: a agência Santa Clara — padroeira da televisão e de propaganda clandestina premiada pelo jeito que tem de iludir o navegante, leitor e espectador. Leia também

O responsável cadastrado pelo site é um tal de CSZ Comunicação Ltda.

No Portal de Imprensa e na sua conta de Twitter — sob o pseudônimo @ComEmpresarial — o jornalista mantém pose de iconoclasta. Fala mal da AMBEV — presumo que esta não e cliente — e chama os planos de saúde dos «eternos vilões da sociedade».

A conta chega a promover os artigos do seu próprio anônimo autor:

O próximo artigo do Wilson da Costa Bueno no Portal Imprensa vai detonar os planos de saúde.

Como se Wilson não fosse um bloco de eu sozinho.

Este gênero digital — auto-hagiografia por procuração — é tão masturbatório como é prevalente nas redes sociais à brasileira.

Outra agência de propaganda a ser investigada: Bender & Avila Ltda, de Pelotas, dono de AMSPUBLIC.COM.BR — também com clientes governamentais no RS, inclusive uma cidade cujo prefeito acaba de sofrer uma devassa da PF.

Chame-me de cínico, mas atrás a maioria de escândalos plausíveis no Brasil — desde Zé Dirceu até Arruda do DF — parece sempre haver uma rede de agências de propaganda

Lição de casa: tomem cuidados com fontes de informação jornalística sobre assuntos ambientalistas.

Aprendem os indicadores primários da reportajabaganda e faça uma apuração antes de consumir o produto.

Pode até conter agrotóxicos.

Hoje em dia até o Instituto Cato — financiado por décadas pelos piores poluidores do planeta — está apresentando uma máscara verde, enquanto o Greenpeace, autor da campanha contra “greenwashing”– ambientalismo-fantasma, um puro produto de RP —  faz vista grossa no caso de alguns doadores de peso. Nem acompanha indústrias de consumo, p.ex. — como, por exemplo, cosméticos e produtos de limpeza.

Para não falar no VERDE.BR.MSN.COM — empresa cuja filantropia investiu recentemente no Monsanto. Eu, hein?

Processando …

Então, o Índio Tupy deveria ligar por essa estoria toda porque envolve uma organização com ramificações diretas no Brasil, na pessoa jurídica do Instituto Liberal.

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