Change.org: O Internauta e a Influência do LSD

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Um censo do Movimentarianismo 2010 — nosso apelido para o marketing por meio de movimentos políticos e sociais na rede, que na verdade na passa do uso do bom e velho agitprop por empresas privadas — não seria completo sem o LSD — latifúndio de samizdat digital — Change.org.

Se eu ia fazer um livro dessas anotações todas — jogando fora 90% da verborragia, naturalmente — teria que ter um capítulo aparte sobre o SEO-SEM — otimização para, e marketing por meio de, motores de pesquisa.

Esse capítulo concluiria, entre outras coisas, que a configuração técnica *.DOMINIO.ORG — quer dizer, o LSD com a multiplicação infiníta de subdomínios do domínio principal — é uma das estratégias mais eficientes para produzir uma «câmara de eco» ou «maquina de zumbido», pelo fato de configurar, de maneira automatizada, um núcleo muito denso de interentidades mutuamente interligadas.

Entre os maiores LSDs encontraods nesse estudo são, p.ex., FULANO.MULTIPLY.COM, BELTRANO.SKYROCK.COM, e SEXICRANO69.TUMBLR.COM.

Decenas, senão centenas, de milhares de exemplares de samizdat digital, em muitos casos com claros sinais de serem gerados por um algoritmo, tipo SEXO–TEXTOALEATORIO–SEXO.DOMINIO.COM.

Outro jeito de produzir o mesmo efeito é com os «tags» — categorias aplicadas às notas de um blog. Achei um belo exemplo outro dia utilizando Yacy.

O blog Atlas Deu de Ombros — homenagem a Ayn Rand — consegue apresentar a mesma mensagem — «O Hitler Musulmano» — ao motor de pesquisa por meio de um sistema de gerenciamento de conteúdo que gera uma página individual para cada categoria — «music», «pjtv»,«a guerra é enganação», e «Cuba», além do URL único da nota e sua inclusão numa página de notas organizadas por data.

Quando um candidato brasileiro muito investido no marketing viral fala do milagre dos pães e peixes como a «multiplicação» atrás da sua «virada», na verdade está falando desse método de agitprop cibernético. No meu ver.

Mas às mudanças agora, com nossos dados sobre esse tal de ambiente.

Change.org

is a community platform that creates a web of social networks for over 1 million nonprofit organizations

… «é uma plataforma comunitária que cria uma rede de redes sociais para mais que um milhão de organizações sem fins lucrativos».

Também é uma empresa de fins lucrativos — de «empreendedorismo social» — bem nebulosa, se me perdoem o trocadilho.

Segundo uma entrevista com seu sócio-fundador, Ben Rattray, no Wall Street Journal em 2007, a empresa pretendia pagar as contas — e férias e impostos e aposentadoria — tomando uma porcentagem das doações recibidas por meio do site pelos clientes do site.

Apesar do .org, não é uma ONG.

Processando …

Preguiça me pegou, estou negociando um projeto hoje.

Nada de contundente dos dados que tive o tempo de explorar — apenas os contornos de um enorme «shopping de inovação» com as lojas-âncora de sempre — ou, se prefira, o «latifúndio de faça-clique».

O setor financeiro é muito ativo na promoção do consumo verde e investimento conciente.

Perdi o fio.

Só direi que, como o Movimentarianismo, o Mudançismo se empresta facilmente ao giro do livro mercado de ideias — assim como a lavagem de autoria e o contrabando de apelos interesseiros à boa-fé do internauta.

Entre as noções contrrabandeadas: que os direitos constitucionais tem que mudar, cedendo terreno às mudanças do tempo — um tempo de Terror difuso.

Encaixa-se bem com os pesadelos de mudança apocalíptica propagados pelo TFP e semelhantes.

Como é que é que dizia o Plínio Correa, para inglês ler?

If anything characterizes our times, it is a sense of pervading chaos. In every field of human endeavor, the windstorms of change are fast altering the ways we live. Contemporary man is no longer anchored in certainties and thus has lost sight of who he is, where he comes from and where he is going. — The American Society for the Defense of Tradition, Family and Property, quoted in my Spinning the World Backwards.

«A característica de nosso tempos é a sensação de caos universal. Em todo setor de empreendimento humano, os turbilhões de mudança estão rapidamente mundando nosso jeito de viver. O ser humano contemporâneio não se ancora mais em certezas, e portanto tem esquecido de quem ele é, donde veio, e para onde vá ….»

Para mim, o sermão dos Abençoados Sâo s e a Constituição de 1787 são perfeitamente adequadados como guias ao perplexo, até nessa época de interlocutores robotizados gritando besteiras com máximo volume 25 horas por dia.