Teste da e-Farinha

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Agnelo Pacheco é o maior propagandista do governo federal do Brasil!

Duda Mendonça é o terceiro maior. Pediu, eu li no noticiário, R$15 milhões do Hélio Costa para cuidar da campanha do Ministro, ex-Globo, ao governo de Minas.

Debrito ganha bem do governo também.

Master Publicidade S/A recebeu quase R$30 milhões ainda nesse ano.

Saúde e Educação gastam muito com publicidade, sob a cabeçada de “educação do público.” Na Sáude especialmente, parece uns dos assuntos onde propaganda governamental — do qual, como gringo, tenho um horror instintivo — seria mais justificável. Precisamos saber de dengue e todo mais.

O EBC gastou R$ 177 mil com IBOPE.

Não digo essas coisas para fazer escândalo.

Fico sabendo dos fatos pelo Portal da Transparência, consultado apenas para ver se um estudante da indústria de propaganda e marketing no Brasil podia aprender algo útil com esse recurso.

Pode.

Amigávelmente, o Portal oferece uma apostila detalhada ensinando como fazer várias consultas.Vem em arquivo PDF, que é chato, mais o documento é util.

Tem uma riqueza de informações no portal.

Interessante, por exemplo, é o detalhamento do documento 2010NE900579.

79 – SERV. DE APOIO ADMIN., TECNICO E OPERACIONAL

Gasto: 543,950.00

INFORMATICA – INSTALACAO / MANUTENCAO COMUNICACAO DADOS 000019615 Manutencao preventiva e corretiva, consultoria, suporte tecnico e atualizacao do sistema GUARDIAO de intercepctacao [sic] e monitoramento de telefonia celular, fixa e internet, judicialmente autorizado, licenciado às diversas Unidades do DPF, no Centros Regionais, Escritorios Avançados, bem como nas Unidades Remotas, tambem e parte do objeto a realizacao de treinamentos de utilizacao do sistema para servidores do DPF junto a empresa Digitro Tecnologia Ltda.

Cuidado. O KGB de Lula está na escuta. Entretanto, para quem se interessa no setor de TI, é bom poder fazer uma consulta e construir uma visão do mercado governamental e conhecer os jogadores.

Propaganda cai na categoria de «outros serviços contratados» ou algo parecido. Os resultados vem em formato de texto simples. Pode buscar nos resultados grossos por palavra chave, que ajuda muito.

Seria bom poder buscar em múltiplos exercícios fiscais.

Agora, quem é o maior propagandista do governo estadual de S. Paulo?

Aí, lamento dizer, continua muito dificil saber de tais assuntos. Me desculpem, rapaziada de PRODESP. Os sites são lindos mas o acesso continua a frustrar. Os erros de ODBC constantes sozinhos enloquecem o usuário.

Do portal do Estado, você chega ao portal do Cidadão, e de lá, há uma certa confusão na busca pela página que conta quanto dinheiro o estado gastou.

Propaganda não consta na lista de serviços ofercidos ao cidadão. Por quê? Se a propaganda da SABESP, por exemplo, ajuda a valorizar suas ações, o cidadão é beneficiado, né?

«Compras públicas » me retorna ao formulário inútil do DO, onde tenho que escolher a edição do diário no qual quero buscar para convênios celebrados. Porra.

Pior, abre uma nova janela com cada passagem de uma página para outra.

Vamos tentar Balanços Contaveis?

Aí, me oferece uma biblioteca de documentos soltos em formato PDF.

Ora, uma planilha interativa é o jeito certo de apresentar um balanço.

Para visualizar os arquivos no formato PDF você deve ter o Acrobat Reader instalado.

O Banco Mundial hoje em dia oferece dados diversos em formato de planilha aberto. Também oferce visualizações dos dados. É muito bacana.

O Estado também conta uma mentira.

Para visualizar os arquivos no formato PDF você deve ter o Acrobat Reader instalado.

Evince, de GNOME, e xpdf, entre outros, servem pelo mesmo fim, embora o Acrobat seja mais sofisticado.

Aqui ô: Contas públicas, no site da Fazenda estadual.

A busca por essa informação mais uma vez redireciona o navegante a uma página do Diário Oficial, que apresenta um formulário complicadíssimo.

Desde o ano passado, pelo menos, aliás, o dispositivo que permite ao usuário entrar uma busca livre de texto simples — «propaganda», digamos, e/ou «publicidade» e/ou «relações públicas»– continua permanentemente temporariamente indisponível.

Cadê os gastos com publicidade, propaganda e comunicação?

São também na categoria «outros serviços gerais»? Parece que o estado utiliza uma classificação de categorias contáveis diferente daquela utlizada pelo governo federal.

Apresenta 951 páginas de resultados, sem a facilidade de buscar dentro dos resultados para contratos de propaganda e publicidade. Cade resultado é uma página inteira do DO, em formato PDF, com o título «GatewayPDF.aspx».

Você tem que buscar dentro dessa página pelo texto simples que você procurava. É uma duplicação de trabalho. Resmungo.

Pode fazer uma busca do DO na frase «propaganda», mas retorna uma enxurrada de resultados de vários tipos.

Interessante, do caderno júridico:

No tocante às corrés Porto Seguro Companhia de Seguros Gerais S/A e Porto Seguro S/A, estas possuem legitimidade para figurar no pólo passivo da ação e também são devedoras solidárias. Plenamente aplicável a teoria da aparência, na medida em que foram corretoras do título de capitalização que possuía propaganda enganosa no tocante à aquisição programada de bem. Suas marcas encontram-se impressas nos contratos e informativos (fls. 25, 67, 70 e 72). Assim, o invocado artigo 25, §1o, do Código de Defesa do Consumidor deve ser aplicado às corrés.

Representa o maior pesadelo de empresas — ser condenadas «solidariamente» para atos sobre os quais a empresa talvez não tinha tido controle.

Quem é o maior propagandista do governo estadual?

Desisto de tentar saber.

Vou enviar essa nota à ouvidoria.

Muita estética.

Pouca utilidade.

Os males do São Paulo são.

Anexo: As Denúncias de NaMaria

Pelas razões explicadas acima, não tenho como confirmar a denúncia de NaMaria, civulgada no Vio O Mundo.

“Desde 2004, especialmente de 2007/2008 em diante, a FDE pagou no mínimo R$250 milhões (R$248.653.370,27) [valores não corrigidos] à Abril, Folha, Estadão, Globo/Fundação Roberto Marinho”, denuncia NaMaria, do NaMaria News , ao Viomundo. “A maioria sem licitação.”

“As vendas maciças desse papelório à FDE coincidem com o apoio crescente da mídia à candidatura José Serra e apoio ao PDSB”, observa NaMaria. “As publicações são apenas cortina de fumaça. Uma desculpa perfeita, pois com dinheiro do FNDE podem-se comprar tais coisas. Porém, o que a FDE comprou, de verdade, foi a palavra nesses espaços.”

“Em São Paulo, à custa da educação pública estão se construindo inúteis ‘escolas de papel’”, nota NaMaria. “Afinal, esse papelório é dispensável e o destino, o lixo. Quem não se lembra dos Cadernos do Aluno, caríssimos, feitos em editoras como a Plural (da Folha), Ibep, Posigraf, FTD, que foram encontrados em caçambas de lixo, e dos que tinham o mapa da América do Sul com dois Paraguais?”

Como ela conseguiu saber? A entrevista no Vio O Mundo está com Conceição Lemes, uma jornalista da qual até agora tenho boa impressão, graças a alguns mergulhos no mundo de planilhas e bancos de dados que eu admirava.

Parece que ela — na verdade o pessoal da coletiva — têm a santa paciência de ficar bisbilhotando no DO.

“A FDE sequer publica no Diário Oficial (DO) a justificativa de suas compras que dispensam de licitação”, condena NaMaria. “Até hoje encontrei poucas. Por exemplo: assinaturas do Diário Oficial, feitas pelas Diretorias de Ensino, locações de imóveis, serviços emergenciais de limpeza escolar. Mesmo assim incompletas. Outras secretarias até publicam, a Educação, não. Não é piada?”

Vocês sofrem do mesmo mal que a gente: a transparência de labirinto.

A Conceição dá o aval à capacitação da NaMaria como pesquisadora, e na verdade ela na vem sem uma nevasca de dados:

Notável tem sido as denúncias de «doutrinação comunista» em materiais escolares de editoras menores — memorávelmente de Ali Kamel e a turba da Veja.

Escola Sem Partido — «Educação Sem Doutrinação» — é um nó no LSD — latifúndio de samizdat digital — dessa tendência.

O site mora nos EUA, no latifúndio de servidores de LayeredTech, apesar de apresentar DNS com domínio ponto-br.

O responsável parecde ser um jornalista do Consultor Jurídico — aquelea empresa de jornalismo híbrida, também servindo de agência de publicidade aos objetos da cobertura jornalística.

Miguel Francisco Urbano Nagib é procurador do estado de São Paulo e ex-assessor no Supremo Tribunal Federal.

Dentro da rede política Verde — Trystero 47, Aranhação 3, Iteração 2 — o grande «jornaleiro» na rede de ESP é Homem Culto, com afinidade electivas como as seguintes.

Segundo NaMaria:

O Diário Oficial também tem muita diversão. É como se eu me movesse num enorme labirinto. Por exemplo, eu chego lá com o número de um contrato ou o nome de algum personagem histórico do mundo dos negócios. Eu tenho de seguir o rastro dele, atentando às mínimas pistas, para reconstruir as tramas. Às vezes ao “caçar” compras de jornais e revistas sem licitação, acho um contrato recém-assinado, milionário, com empresa de aluguel de computadores ou serviço de lanches, prestação de serviços em eventos.

Entre nós também — que contamos com ótimos recursos de transparência, relativamente falando —  empresas surgem, recebem um monte de grana do governo, e somem, mudando de razão social, antes de ter que divulgar informações completas.

Ora, e se eu fosse algum defensor do governo de São Paulo, querendo desconstruir este argumento? Onde acharia os dados? A falta de transparência é uma faca de dois gumes.