A arruaça por vir: “jornalismo narrativo para iludir leitores”

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Operações de decepção não são nunca organizadas pobremente, jamais devem ser executadas por quem é orgulhoso para precipitar decisões e ter soluções repentinas e decididamente não é para os fracos do coração. —Antonio Celso Ribeiro Brasiliano

Jornalismo narrativo para recuperar leitores: A informação pode ser o ponto de partido do jornalismo, mas para ganhar leitores, precisa-se de valores de entretenimento também. A nota é do português Diário de Notícias mas simplemsente repete os chavões de uma campanha ideológica com quase de uma década de vida.

A função do jornalismo passa orbrigatoriamente pela informação, mas há formas de o fazer com uma ligação mais forte com o público. É a partir daqui que Mark Kramer tem vindo a defender a corrente do jornalismo narrativo.

Como é de praxe, a divulgaçãio ofuscada de interesses e afilições.

A propósito do lançamento do jornal 8.ª Colina, produzido pelos estudantes da Escola Superior de Comunicação Social, em Benfica, Lisboa, o director da Nieman Foundation, da universidade norte-americana de Harvard, esteve em Lisboa para explicar a sua visão sobre uma forma de escrever que esteja mais perto dos leitores, ouvintes ou telespectadores.

Também dirige a consultora FSG, já dirigui o Centro para Filantropia Eficaz, e foi socio-fundador de Kramer Capital Management LLC. No formulário 13-F do terceiro trimestre de 2000, aparece que esta última investia em empresas de tecnologia que chegariam a ser os maiores doadores às fundações Nieman e Berkman.

Estava levemente «comprado» nas opções sobre papeis de Enron e tem $20 milhões do Cisco.

São as famosas «sinergias».

Trata a separação do jornalismo e a propaganda como produto de um princípio ético artificial e desnecessário, como todos os teólogos tomistas deste culto desde o Walter Lippmann até o Félix Mangabeira «Pragmatismo sem Limites» Unger.

Mark Kramer, que dirige o Programa Nieman para Jornalismo Narrativo, referiu que “há uma crise no jornalismo lido em todo o mundo e o tempo que as pessoas passam a ler jornais é cada vez menor“, pelo que é necessário que as histórias seja mais interessantes.

“As pessoas vão buscar as suas breaking news cada vez mais à televisão e à Internet”, disse Kramer, pelo que os jornais podem apostar “noutro” jornalismo, porque continuam a sentir “necessidade de chegar a todos”, o que pode passar pela narrativa. “Os livros atraem leitores pela forma como contam histórias, mas sem um lado informativo. Não sugiro que todos os jornais sejam narrativos, mas nas peças certas, podem fazer com que os leitores se sintam ‘bem-vindos’. Em alguns casos, a narrativa dá outra dimensão” às histórias, acrescenta.

Eu sou da escola de samba que enxerga nessa tendência ao infotenimento uma onda antijornalística e abusiva de longa data,  promovida por carteis de jornalões dos EUA e apóstolos como Di Franco,. Master [sic] em Jornalismo e financiadas pelas filantropias de grandes anunciantes. Ponto.

Reza que as informações às vezes não fornecem a satisfação narrativa — as unidades clássicas de começo, meio e fim, junto com os momentos de catarse e anagnorisis — fornecida pela ficção.

O truque então é fornecer estes elementos até quando a realidade é outra — inconclusiva, deixando perguntas no ar, nebulosas, ainda sem explicação, não se emprestando a conclusão nenhuma sem mais informações.

A vida é assim.

Pregar outremente é infantilizar o leitor — assim como é levantar dúvidas sobre fatos bem apurados por omissão ou divulgação seletiva.

A narrativa «medo, incerteza e dúvidas» oferece uma certa certeza metafísica própria.

Como qualquer dispositivo que impõe uma forma nos fatos não ditada pelos próprios fatos, pode sofrer abusos.

Convido o leitor a pensar comigo em uma lista das grandes narrativas dessa temporada eleitoral no Brasil, nos moldes da lista das “5 Ondas Anti-Dilma” do jornalista … cadê a nota?

Deveria ser uma lista completa, porém, que abrange todos os lados dessa «guerra mundial III de ideias» entre o «mudancismo de volta ao futuro», o «continuar mudandoismo», e assim por diante.

Vou começar com a grande narrativa que mais insulta minha capacidade intelectual.

Trata-se da”Grande Arruaça Por Vir.”

A narrativa se reduz ao seguinte silogismo:

  1. França, um país que teme rombo na previdência, sofre arruaças
  2. Brasil é um país que dever temer um rombo na previdência
  3. Portanto, o Brasil deve sofrer arruaças

Este se reduz à entimema — do grego, «o que já reside na mente»; compare-se «preconceito» — geral

  1. Se o Brasil sofre arruaças, e porque teme o futuro!
  2. É bem possível o Brasil sofrer arruaças!

A narrativa começa na Rede Globo e tem continuação na última ediçao da revista Veja.

Vou deixar com vocês o dever de casa de ver o quanto minha hipótese explique a cobertura do assunto Arruaça, mais o que eu observi foi

  1. Uma onda de cobertura das arruaças desde França na Globo, na  semana passada — prosseguida com um amadorismo especialmente notável pela nervosa e sem-jeito locutora do noticiário das 6 — junta com
  2. Uma onda de cobertura no estilo «medo, incerteza e dúvidas» sobre a solidez do sistema brasileiro de previdência

Mensagem: Pode acontecer aqui também!

Meios: todos os disponiveis.

A contrainformação não citada foi de que o sistema cresceu de 45o lugar do mundo ao 20o no último ano, em termos de capitalização. Estes não contradizem os números pontuais apresentandos para fundamentar a outra narrativa, seja dito.

Deixada aberta é a questão de tendências e a probablidade da continuação dessa tendência.

Existe o argumento, no entanto: O crescimento de emprego — o fato mais positivo e menos discutido do momento — tende a abastecer o sistema com capital em ritmo acelerado.

Agora, na Veja, a prática de «storyboarding» — planejamento de filmagem, como é feito com um roteiro de filme — é de uma contundência bruta e crua:

  1. Eleitores «indecisos e voluveis»!!!!
  2. «Nenhum especialista pode definir o futuro», do Tio-Rei!!!
  3. Arrastões voltam a assustar na Zona Norte, Rio!!!
  4. Tucanos planejam usar capacetes em manifestação no Calçadão!!!
  5. Petistas enxergam risco de arruaça!!!

Confesso: as exclamações múltiplas são um acréscimo meu.

Devem lembrar o leitor do ex-Blog de César Maia!!!!!

Cuidado comigo, leitor, possuo sutileza por caralho!!!!!!

E assim por diante ad nauseam.

In nomine Patri e Filii e Spiritu Sancti, amém.

A tendência é de exagerar riscos, ou seja, de pânico moral.

Um bom estudo — em bom português — sobre o assunto apontado pelo Vioomundo é este .

Blog do Setti — mais um técnico-árbitro-jogador-torcedor-locutor  — : “Hipótese de que foi bolinha que atingiu Serra precisaria da cumplicidade na farsa de várias pessoas …». Sofisma: abuso do condicional contrário ao fato, ou argumento de mera implausibilidade, em um vácuo de fatos apurados. Hipótese: assim como uma campanha institucional é feita por várias pessoas em ações coordenadas — a definição weberiana, mais ou menos, de uma «instituição»não seria tão implauśivel assim.

O Grupo de Análise da Conjuntura Internacional da USP teve sua origem na antiga área de Relações Internacionais do Instituto de Estudos Avançados,

Mr. Sotero is a 1971 alumnus of the Inter-American Universities Association Summer School Program at Harvard University. He is a member of the Grupo de Conjuntura Internacional , a forum of discussion of Brazilian foreign and trade policies at the University of São Paulo, and the Fernando Braudel Institute of World Economics, also based in São Paulo.

Eu cheguei a me manifestar outro dia ao Centro Wilson — diretor: Paulo Sotero, mestre em jornalismo e relações públicas todas juntas no American University — sobre uma nota no blog dela segundo o qual a revista Veja pode apresentar o último desafio à candidatura Dilma «por causa da sua proeza — prowess — no mergulho na mar de lama» — muckraking prowess.

Mr. Sotero is the recipient of the 1987 Maria Moors Cabot Award, from Columbia University Graduate School of Journalism, and the 1993 Distinguished Visiting Lecturer award from the Foreign Service Institute of the U.S. State Department.

Justaposição de assuntos pautados. Falta à pesquisa a opçao«algumas e não outras».

At the George P. Shultz National Foreign Affairs Training Center, the FSI provides more than 450 courses — including some 70 foreign languages — to more than 50,000 enrollees a year from the State Department and more than 40 other government agencies and the military service branches.

Justaposição: mulheres que escondem algo e mulheres que mostram tudo nás páginas da revista-irmã PlayboyDilma x Mônica Veloso. Caso precursor de sinergias pós-modernas: entrevista no JN com o advogado que depois negociou as fotos nuas de reveladora, ex-Globo, na Playboy. Caso precursor de sinergias pré-modernas: as crónicas dos reis medievais contando vitórias inexistentes contra o temido Saladin. A chegada da máquina «imprensa» dificultou tais manobras por enquanto.

Divulgaçao financeira nos relatórios anuais do GACINT, o último de 3 anos atrás: 0.

In Brazil, Sotero was awarded the 1978 Prêmio Abril de Reportagem for a Veja cover story on Paraguay and for an investigative report on the assassination of Chilean general Carlos Prats in Buenos Aires.

Furo de reportagem: eu acabo de ganhar o Prêmio Bicho-Preguiça, blogueiro do ano.

É um abuso de linguagem atribuir qualquer proeza, finesse ou nuance à francesa à campanha citada — se bem que a réplica será a de sempre: de gustibus non disputandum.

Estes não são os Bruce Lee ou Bobby Fisher de uma propaganda de sutilezas e estratagemas intrigantes — os infinitamente ardilosos fritadores de bolinhas.

Não passa de um exercício em força bruta construído sobre uma trama-trauma contundente inexistente.

É uma hóstia não-consagrada que portanto não pode-se ser convertida em carne viva na boca da beata de Padre Cícero.

Acrescento estas últimas frases de efeito para os lacanianos-uspianos não se sentirem excluídos, embora não condizem por inteiro com meu estilo preferido de prosar.

Tem que fazer algumas concessões ao gosto do leitor, aliás, não discordo.


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