Uma Nota Sobre o Sindicalismo Internacional

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Uma questão que sobra para nossa análise da amizade EUA-Brasil nas eleições passadas é a ligação do trabalhismo norteamericano com o sempre fraccioso trabalhismo brasileiro, com seus PTBs, PTs, PDTs, PCdoBs, PPSes, e tudo mais.

Na nossa Grande Aranhação de interentidades políticas, feito em junho e de novo em setembro desse ano, como já expliquei, descubrimos os contornos gerais da rede política em linqua portuguesa sem mesóclise, divulgada apartidariamente pelas famosas «redes sociais».

Que eu possa ver, havia e há algumas ligações da base continuista com o trabalhismo internacional, mas relativamente poucas.

O AFL-CIO e o Solidarity Center, por exemplo, apoioava a campanha em prol da semana de 40 horas do CUT com uma modesta doação.

Havia uma certa aproximação com o Novo Trabalhismo inglês durante a Idade de Lula, mas a tendência — com o eclipse político de Zé Dírceu, inclusive — era de afastamento e cautela.

Houve também o trabalho de  marketing feito por uma agência contratada pelo continuismo brasileiro em 2010 — Pepper — para um integrante do Foro de S. Paulo no El Salvador em 2009.

Além disso — a não ser que o movimento conseguisse se esconder do meu robô, que fornececeu até dados demais — acho justo dizer, em geral, que o «efeito multiplicador» — os «pães e peixes» do anticontinuismo — foi sensivelmente menos aproveitado por forças em favor da continuidade.

Estas mostraram uma tendência geral no sentido da centralização e coordenação de comunicações sociais, pelo menos nacionalmente. O fato condiz com a govenança do partido principal, com seus “vogais” nacionais eleitos e só então autorizados.

A tendência à multiplicação de interentidades anônima-psuedônimas não foi ausente poor inteiro dessa campanha, mais foi moderada, digamos.

A assinatura DILMA VANA ROUSSEFF no entrada no banco de dados WHOIS sobre DILMA13.COM.BR deve ter sido proposital, então. Simbolizava responsibilidade e foi aproveitada na campanha.

Será interessante agpra comparar os gastos com interatividades desenvolvidas pelas respectivas campanhas para ver se a tendência se confirme. Eis meu palpite qualitativo, por enquanto.

Historicismos sem Determinismos?

Ora, na minha observação, é quase sempre enganoso colocar os dois movimentos trabalhistas, norte e sul, como equivalentes funcionais.

Assim como não procede a comparação da trajetória do trabalhismo norteamericano com aquela do México sob a “ditadura perfeita” do bom e velho PRI — uma tendência pouco alentadora que continua até os dias de hoje com o SNTE e PANAL de Gordillo, por exemplo.

Os mutatis mutandis devidos não são menosprezíveis.

A CAC que tomou conta do trabalhismo norteamericano nos anos 1950, por exemplo, agora aparece como a resposta a uma ameaça-fantasma que foi doidamente exagerada, no mínimo..

Ainda assim, quem cresceu durante as duas décadas a seguir, como eu, não leriam nem uma única frase dos escritos de Marx e Engels — fora os trotskistas que depois, durante a Revolução Reagan, instituiriam o movimento neonconservador.

Assim, não sabiamos nada do jeito de pensar de grande parte do mundo.

Falta toda uma perspectiva histórica — se bem que ainda podemos apelar a argumentos fundamentadas em fatos históricos sem correr o risco de incorrer nos erros do “historicismo materialista.”

Acho que podemos.

Portanto, a traduçao seguinte. Fonte:

Peter Gribbin, “Brazil and CIA,” CounterSpy, April-May 1979, pp. 4-23.

Veja também

Abraçadinhos com a CIA: Uma Análise do Nosso Papel na América Latina, Fred Hirsch (AFL-CIO, 1974)

Com direito ao trocadilho.

Agora, o Gribbin:

Nesse capítulo final havemos de examinar como a subversão de lideranças trabalhistas do Brasil ajudou a derrubar o Jango Goulart. Por isso, disponibilizamos ao povo brasileiro os nomes de pessoas que particparam em treinamentos especiais nos EUA entre 1961 e 1964. Estes cursos foram administrados pelo American Institute for Free Labor Development (AIFLD) — o «instituto norteamericano para o desenvolvimento livre de trabalhismo» — este, segundo o Phillip Agee, “um centro de trabalho financiado pela CIA por meio da USAID.”

Antes de dar os nomes aos bois, no entanto, será inprescindível esboçar a história da conivência do trabalhismo norteamericano com a política estrangeira do governo nacional na América Latina.

Desde os meiados dos anos 1950, a federação trabalhista que nasceu da fusão da AFL e CIO assumiu um papel cada vez mais ativo na execução da política externa dos EUA

Quando fundou-se o International Confederation of Free Trade Unions (ICFTU) was como um corrente da World Federation of Trade Unions (WFTU), o  “Mundo Livre” reconheceu que a America Latina viria o domínio exclusivo da AFL-CIO e sua contra-ofensiva visando o expansionismo soviéico, o inimigo percebido.

O afiliado do ICFTU no hemisfério foi a ORIT, sigla em inglês da Organização Interamericana Regional de Trabalhadores. Tanto na sua ideologia quanto na prática a ORIT espelhava a AFL-CIO, que financia sua irmã calçula no sul global. O primeiro objetivo da ORIT é “combater o comunismo e promover o sindicalismo democrático. Prega reformas dentro do capitalismo existente e nega a existência de antagonismos de classe.”

Nem pensar em reclamar a reforma do capitalismo sem negar a existência desses antagonismos.

“Aponta os EUA como um exemplo dos benefícios que esse sistema traz aos trabalhadores e o sindicalismo.”

A fonte financeira principal da ORIT tem sido a AFL-CIO, o Fundo Solidário do ICFTU, e outras agências norteamericanas. Em 1961, o orçamento annual do projeto foi de $125,000, fora as bolsas de estudo em questão.

Em valores atualizados, uns $900.000, ou seja, R$ 1.5 milhões.

A CIA chegou a possuir controle considerável sobre a ORIT. No começo dos anos 1960, o diretor de edução e organização e secretário-geral suplente da ORIT era Morris Paladino, que à mesma vez era o agente principal da CIA dentro da organização, despachando na divisão de organizações internacionais (IOD) da agência na Cidade de México.

Outra cria do trabalho internacional da AFL-CIO é o  American Institute for Free Labor Development (AIFLD). Instituido em 1962, o conselho administrativo do AIFLD testemunha o quanto os interesses da CIA e as elites econômicas e trabalhistas eram em sintonia. O diretor-esecutivo do AIFLD até 1966 era o Serafino Romualdi, antigo representante regional da AFL-CIO na AL. Outros diretores incluíam o presidente da AFL-CIO, George Meany; Joseph Beirne, chefe da Communication Workers of America (CWA) e colaborador da CIA por meio do sindicato Post, Telegraph and Telephone Workers International (PTTI); e J. Peter Grace, antigo presidente e primeiro diretor-presidente do AIFLD, além de chefuiar a W.R. Grace Company e seus extensos interesses na região.

Cruzei como os CWA no meu primeiro emprego, no velho monopólio de telefonia, ainda no colégio. Eu, inocente que eu era, achavam-nos um pé no saco.

Outras liderenças industriais que chegaram a ocupar o executivo do instituto incluem Charles Brinckerhoof, diretor do conselho da Anaconda Company; William M. Hickey, presidente, United Corporation; Robert C. Hill, diretor, Merck and Company; Juan C. Trippe, presidente do conselho, Pan American World Airways; e Henry S. Woodbridge, presidente do conselho, Tru-Temper Copper Corporation. O integrante mais novo do conselho AIFLD foi Nelson Rockefeller, que tomou posse logo antes da morte. Outros executivo AIFLD  vinham da Gulf Oil International, Johnson and Johnson International, e Owens-Illinois, além do Institute of International Education e o Fund for International Social and Economic Education, ambos financiados por fachadas montadas pela CIA.

Um indício do grau de controle mantido pela CIA sobre o Instituto é o fato do Serafino ter sido agente da IOD enquanto ainda despachava na AIFLD. Por intermediário da IOD, Serafino e William Doherty — antigo representante interamericano do PTTI e agora o diretor de projetos sociais da AIFLD — mantinham o controle da CIA sobre o  Instituto no dia a dia.

Diferente do papel desempenhado pela ORIT na promoção aberta do sindicaliismo “ocidental,” o papel da AIFLD é “fortalecer o setor democrático trabalhista nos termos de assistência técnica e projetos sociais … principalmente nas áreas de treinamento e educação, pesquisas sobre a gestão de mão-de-obra, além de cooperativos e programas habitacionais  …”

Palpite: uma levantada dessa bola pela CPI de Bancoop.

O Doherty foi menos vago, porém, quando apontou a AFILD como um exemplo dos beneficios de cooperação entre o patronato e a força de trabalho. Assim, destacou o papel principal da organização, o de acabar com os sentimentos pouco amigáveis dos trabalhadores da região quando das empresas estadounidenses.

Menos otimista, entrentanto, embora mais realista foi a avaliação do papel da AIFLD feita por Philip Agee no livro Por Dentra da CompanhIA. Falando da criação dela em 1962, afirma que a AIFLD era “a resposta do governo federal aos limites dos atuais programas trabalhistas administrados tanto pela USAID como pela CIA e a ORIT.” O problem, segundo Agee, era “como incrementar a expansão de atividades de organização na região, impedindo que os trabalhadores chegassem a ser dominados pela extrema-esquerda e revertindo a influência comunista e castrista.”

Os programs da USAID, segundo o ex-araponga, “são limitados por dependerem diretamente do governo federal … enquanto os da ORIT são pela fraqueza, ou até a falta inteira, de afiliados na região. … Os progamas da CIA, entretanto, são limitados por questões de logístical, e mais ainda por limites impostos no dinheiro disponível para ser canalizado clandestinamente pelos desks regionais da CIA e por organizações como a ORIT e a ICFTU.

Nem Jango nem Jânio Presta

Sob a “lenda” oficial de “educação de adultos” AIFLD estabelece projetos sociais em áreas como moradia e cooperativos de crédito. A tarefa maior da organização, porém, é parecido àquela da ORIT, visando organizar sindicatos anticomunistas na região. Para tal fim a AIFLD estabelece institutos de treinamento que continuam os cursos oferecidos por seus integrantes. Embora o controle ficaria no nome da AIFLD, esperava-se que a admintração dos cursos seria tocado por agentes assalariados da CIA sob o controle do burô local.

Um resultado lógico do anticomunismo obsesivo da AIFLD foi a participação direta dos alunos treinados por ela no derrubamento de Jango Goulart. Antes mesmo do posse de Jango, lideranças da AFL-CIO denunciavam a força crescente dos comunistas tanto nos sindicatos quanto no governo JK. Em 1956, o Romualdi, junto com o attaché Irving Salert e o embaixador James C. Dunn, fizeram com que lideranças brasileiras visitassem os EUA. O objetivo foi “desenvolver um núcleo de lideranças que, comandando o apoio entusiasmado do trabalhador comum, podiam rechaçar as tentativas do comunismo de tomar conta do sindicalismo.”

As eleições brasileiras de 1960 levou o Janio Quadros à presidência, junto com o Jango, que assumiu como seu vice. Durante esse período, Romualdi começou a cortejar o governador diretista do Estado de Guanabara, Carlos Lacerda. Quando o Jânio tentou controlar a inflação doida da época, impondo limites sobre o crédito, a pressão contrária foi imensa. Em agosto de 1961, após apenas oito meses de governo, o Jânio inesperadamente pediu demissão. Com isso, o presidente esperava unir o páis em prol da sua causa e assim construir uma nova base de apoio popular.

Lacerda, porém, seguindo os conselhos de Romualdi, assegurou o fracasso da esperada chamada dos comunistas para uma greve geral. Num discurso pronunciado ao congresso da ORIT daquele ano, no Rio de Janeiro, Lacerda prometeu demitir-se para poder liderar “desde a ruas” a luta anti-Jânio.

Um fato do que me lembro dos trabalhos de historiadores brasileiros foi a contratação de decenas de milhares de novos quadros da PM, reclutados nas favelas — a serem armados com armas contrabandeados paraguiamente por Lacerda e armazenados em paiois clandestinos.

Que coisa. Falando em forlas armadas partidárias, hein? E sim, o filme sobre Tenório Cavalcanti e sua metralhadora Thompson, já vi. Grande papel do bom e velho Wilker.

Durante o congresso, Romualdi e o tesoreiro da AFL-CIO, Schnitzler, pressionava lideranças trabalhistas a boicotearam a greve por vir.

Quando da declaração de uma greve geral no dia 26 de agosto, os estivadores, os ferroviários e a Comitê Sindicalista para a Defesa da Democracia — em todo, mais que 4 milhões de trabalhadores — impediram a adesão dos quadros à greve, assim derrotando o movimento.

Quando noticias da conivência da ORIT com o programa anti-governo de Lacerda vieram à tona, o ministro de trabalho do governo Quadros ameaçou expulsar a ORIT do Brasil.

Apenas a renúncia de Quadros impediu a divulgação oficial do decreto.

As relações da ORIT com o vice de Jânio eram piores ainda. No começo de 1962, uma contingente da ORIT liderada pelo secretário-geral, Arturo Jauregui, junto com o senador mexicano Manuel Pavon e o próprio Romualdi, quis se reunir em Brasilia com o Jango.

Após aguardar um dia inteiro para falar com o presidente, a comitê saiu sem poder fazé-lo. Quando o Jango visitou a Nova York mais tarde no mesmo ano, perguntou ingenuamente ao Romualdi, “Meu caro, quando me vistarás lá no Brasil?”

Agora, Jango ve seu apoio popular diminuindo na medida que a infação come os salários do país. Entre 1958 e 1963, a custa de cesta básica sobe quase 600 porcento.67

Contra as críticas dos setores industrias e comerciais, junto com os militares e a Igreja, o Jango inicia um apelo aos trabalhadores urbanos e os oprimidos do agreste. Romualdi e seus aliados, no entanto, têm outros planos.

Visando minar o apoio ao Jango dentro de sindicalismo, a ORIT, a AIFLD, e a embaixada estadounidense trabalhavam no sentido de minar o CGT, maior sindicato progressista do pais e então dominado pela esquerda.

O projeto culminou no Terceiro Congresso Nacional de Trabalhadores de 1962. Um especialista norteamericano viajou ao pais para planejar a estratégia do sindicalismo “democrático.” Este convenceu a minoria a deixar o congresso, minando a frente ampla pretendida pelo CGT.

Enquanto isso, o Movimento Democratico Sindical (MDS) — “Deus, propriedade privada e livre comércio” — recebia a ajuda e orientação da AIFLD para montar encontros e cursos sobre o sindicalismo.

Além disso, o Instituto Cultural do Trabalho (ICT) –afiliado local da AIFLD financiado em parte por empresas norteamericanas — treinava o pessoal e disseminava propaganda anticomunista. Respondendo à radicalização crescente de movimentos campesinos no Nordeste, iniciou-se uma série de treinamentos e programs assientencialistas para grupos e lideranças reformistas.

Mas os laços íntimos entre a AIFLD e a CIA foram além do uso de quadros treinados em golpes particiniados pela Companhia.

O desejo da CIA hoje [ — 1979 –, Tr.] é penetrar os sindicatos e assim calar um dos maiores focs de oposição à oresença dos EUA na região. No Brasil, por exemplo, a CIA canalizou $30.000 ao internacional de petroleiros, a IFPCW, por meio da Fundação Alexander Hamilton. Pretendia convencer o sucursal brasileiro do sindicato a afilar com o companheiro anticomunista norteamericano.

O sucesso dessa inciativa pode ser medido pelo fato de que os 16 maiores sindicatos de petroleiros não conseguiram estabelecer a federação nacional pretendida, e à qual a CIA se opunha.

Folha de Pagamentos

A AIFLD consegue a adesão dos sindicatos ao IFPCW conservador pagando os cursos dos seus lideres. Certa vez o representante da AIFLD Alberto Ramos escreveu para um tal de A. Noguria, “Tenho comigo 45 milhões de cruzeiros …”

Alguns R$ 200.000 nos valores de hoje.

” .. para você distribuir aos sindicatos em acordo com o plano.” Detalhes dos pagamentos anexos à nota listou os beneficiários a seguir: Jorge Filho do Ministério de Trabalho; um jornalista anônimo que recebeu uma gratuidade para uma reportagem favorável; e um pagamento a dois presidentes de sindicatos pela derrota de candidatos de oposição nas eleições dos mesmos. Quando esses pagamentos viram à atenção do público, porém, a IFPCW foi obrigada a encerrar suas atividades dentro do Brasil.

Um fato impressionante do opus do jornalista Elio Gaspari: o consenso até entre os extremos políticos quando da influência norteamericana sobre a vida nacional.

No fim de 1963, Romualdi e o Berente Friele, vice da AFL-CIO — “um velho conhecedor do Brasil egresso da turma de Rockefeller” — se reuniram com o principal opositor do Jango, o governador de São Paulo, Adhemar de Barros.

Este informou os dois de planos em movimento para mobilizar policia e soldados contra o Jango. Quando reclamou de que a embaixada norteamericana não prestava a devida atenção ao movimento, Romualdi escreveu para o attaché John Fishburn: “A embaixada, naturalmente, não se comprometeu,” ele contaria depois.

Ainda antes desse fracasso para com a embaixsda, porém, o Romualdi tinha concludio que “grande parte dos trabalhadores comuns estavam de saco cheio com o governo de Jango.” A partir de 1963, entãio, a AIFLD “treinava uma turma brasileira de 33 pessoas na capital federal de Washington.”

Após uma viagem à Europa e Israel junto com Romualdi, os 33 voltaram ao Brasil, onde alguns foram ao campo para organizar e realizar treinamentos. Outros foram as grandes cidades e centros industriais — São Paulo, Rio de Janeiro, e outros.

Aqui, então, são os nomes dessa pessoas treinadas em cursos dirigidos plea CIA entre 1961 e 1964:

E seguem os nomes.

Deixo vocês a suas conclusões.

Só direi que um mito duradouro até os dias de hoje nasce aqui — que o comunismo, ou o terrorismo, ou qualquer Cujo de vez que seja, seria infinitamente pior do que a corrupção pontual do estado democrático de direito.

Assim nasce um cancro duro nos pulmões de qualquer democracia que seja: a oxigenização — a frase é de Alberto Dines — fornecida por uma imprensa livre e independente.

No mínimo, temos aqui a confirmação geral do quadro descrito pelo historiador brasileiro do suicídio de Vargas, Hélio Silva: uma imprensa sob forte constrangimento e controle por anunciantes internacionais, feita o instrumento de articulações políticas distorcedoras da vontade popular.

Não sei não.

Estou traindo o interesse nacional da minha pátria amada com esse discurso meu? Honestamente, não consigo entender como a ditadura militar me ajudou a desfrutar, com com certeza desfrutei, o sonho americano durante minha mocidade.

Poxa, amigos, é mais o menos o seguinte.

Eu não aguentaria um bando de brasileiros, ou bolivarianos, ou maoistas nepalenses, ou croatos santa cruzenses de Bolívia, ou que seja, ditando a política interna lá em casa.

Fora a colonia de “brasilionários” que apareceram no Upper East Side da cidade de Nova York nos anos 1990, levando consigo os evangelhos da TFP, não tem sido grande problema, no entanto.

Miami e outra história, como sabemos. Eu favoreço devolvendo o estado à Espanha, onde a política praticada é mais condiz mais com o Velho Mundo.

Somos uma democracia madura do Novo Admirável Mundo, e portanto ainda única no e sui generis no hemisfério.Talvez no mundo.

Comparações com vocês antipodianos muitas vezes simplesmente não procedem.

Então, se eu fosse vocês, talvez eu sentiria algo parecido — mutatis mutandis — quando da gente.

Mas voltando ao ponto original do ensaio: uma certa cautela nas relações internacionais do sindicalismo lusófono-tropical talvez seria entendível, por razões históricas. Né não?