Joomla, Filho de Mambo e Movimento Social

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Nem tão nova assim, e na verdade novamente sem novidades:

Cada vez que eu leio um comentário promovendo este o aquele produto de software livre nos foros tocando no assunto, me pergunto porque foi exatamente este que ficou em destaque, apesar da disponibilidade de inúmeros outros com as mesmas características e funções.

Assim como não há novidade na disponibilidade deste sistema — sendo um louco para testar tudo que é CMS, eu testei-o várias vezes, vários anos atrás, para medir o progresso do projeto — e assim como não se apresenta comparação alguma com outros produtos, qual o valor jornalístico da nota?

Suspeito uma campanha de propaganda clandestina.

Tudo que fica dito sobre o sistema Joomla nessa nota no Brasilianas, por exemplo, pode ser dito de ínumeros outros concorrentes — o Drupal, por exemplo, utilizado no meu próprio sítio pessoal e comercial.

O sítio Open Source CMS apresenta 149 exemplos de sistemas pela gestão de conteúdo dinámico programado em PHP, por exemplo.

Nada que fica dito na nota no Brasilianas que não podia ser dito de inúmeros outros projetos do mesmo gênero. Um trecho:

Uma vez que a comunidade Joomla dê os trâmites por findos, a versão “estável”, como se chama, é disponibilizada gratuitamente no mesmo site e pode ser baixada e instalada em algum servidor.

Aquilo pode ser dito de qualquer projeto de software livre.

É aí que entra a segunda etapa da colaboração: diversas ferramentas  — plugins e módulos — são desenvolvimentas para o sistema Joomla, como agendas, ferramentas de gestão de imagens, de comentários, de enquetes, e todas estão são igualmente publicadas por seus criadores, a maioria gratuitamente, e o próprio website do Joomla se encarrega de divulgar estes recursos.

Pode ser dito de inúmeros sistemas código-abertos de gestão de conteúdo.

Diversas instituições do mundo vêm adotando o Joomla como software de gestão de conteúdo online. Deixo aqui o exemplo da UnB, como apenas um no Brasil.

Diversas instituições do mundo inteiro vem adotando vários software de gestão de conteúdo.

Eu não sou casado com o Drupal, apenas acostumado — pode ser que ser casado é isso mesmo, suponho — e não duvido de que Joomla seria uma boa opção, assim como o projeto nascido da sua costela, Joostina.

Para mim, o CMS mais interessante hoje em dia é o antigo Typolight, rebatizado Contao. Parece ser o preferido de certas consultoras, cujo trabalho chega a ser identificável por seu uso.

O que desperta minha curiosidade, no entanto, é o fato do Joomla ter aparecido com tanta frequencia durante minhas navegações pelo mundo de samizdat digital e infoguerrilhas  recentemente.

Por quê será?

No romance Islands in the Net (1989), o escritor norteamericano Bruce Sterling oferece a visão de um futuro dominado por um tecnotribalismo determinado pela preferência para modelos divergentes de «software social».

Eu gosto de perguntar de vez em quando se não estariamos testemunhando o começo dessa tendência ainda hoje.

Seria interessante poder dizer que CMS X é o portal instantâneo de coração de Movimento Y, por exemplo.

Infelizmente, com os dados que temos, não dá para fazer essa conexão, embora certas tendências políticas brasileira tenham mostradas uma prefêrência pelo Joomla na montagem rápida se sitios institucionais.

De qualquer jeito, um fato notável sobre o movimento de software livre tem sido o aumento de participação por empresas, ONGs e até agências governamentais em projetos de FLOSS.

Um tendência notável é o desenvolvimento e promoção de dispositivos livres e código-aberto por entidades institucionais.

Tomem o exemplo do projeto IPODDER.SOURCEFORGE.NET — desenvolvido e contribuido ao domínio público pelo DNI, agência coordenadora dos vário orgãos da comunidade de informações norteamericana.

Desde a publicação de uma matéria sobre “a importância geopolítica do iPod” nas páginas da conceituada Foreign Policy, fica muito claro que o governo dos EUA considera a bugiganga de Steve Jobs um vetor estratégico na divulgação de cultura pop norteamericana — vista como uma arma importante na guerra cultural contra radicalismos.

Na luta livre Madonna X Umm Kulthoum, a Madonna não pode perder.  Assim apostavam os idealizadores do Rádio Sawa, por exemplo — rádio pop almejando a Oriente Média com propaganda clandestina das forças armadas. Pessoalmente, considero Umm Kulthoum uma Maria Callas da música árabe. Mas de gustibus nhemnhemnhem.

O Drupal agora tem um módulo de mapeamento desenvolvido e contribuido pela NASA — a agência espacial dos EEUU. É muito bacana. Ando brincando com a bugiganga.

O apoio da Fundação Shuttleworth ao distro de Linux Ubuntu — um sobrinho do bom e velho Debian — é outro exemplo. Após desenvolver uma versão para o usuário individual, pretende seguir nos passos de Red Hat e comercializar um servidor apto para usos industriais. Boa sorte com isso.

O agregador de notícias NEWSGATOR tem contrato com as forças armadas, fornecendo um sistema interna de informações agregradas.

Muitos dos sites associados com o NED — como o World Movement for Democracy — são montados usando Joomla. Será que o plataforma seria o plataforma oficial da indústria de exportação da democracia?

Um hipótese  a ser testada no caso da Joomla, então: que seria um projeto com patrocínio institucional e contando com relações públicas e marketing profissional — que inclui o tipo de propaganda clandestina vista aqui no foro dos Brasilianas.

E mais um dadóide: O governo federal gastou quase $4 milhões no ano passado em projetos envolvendo a montagem e monitoramento de blogs.

Entre os projetos detalhados, $490.000 destinado pelo Exército a Communications Research Strategies (Pvt.) Limited de Islamabad, Pakistan, pagando “monitoramento e autoria de blogs” …

O projeto Internews recebeu US$77 milhões nos últimos anos do Departamento de Estado por serviços como “tres anos de testes do desempenho de ferramentas anti-censura e o desenvolvimento de materiais didáticas multimídia …”

Pano Rapido

Vamos fazer um raio-X institucional do projeto e sua ONG afiliada, OPENSOURCEMATTERS.ORG. Por enquanto, tenho tempo apenas para um pano rápido.

O Joomla foi desenvolvido por um consórcio de donos de ISPs, que passam a destacar a disponsibilidade do software como parte do serviço de hospedagem.

Tem que respeitar esse modelo de negócios: oferece-se uma boa plataforma, grátis, robusta o suficiente para sites institucionais complexos, pré-instalada e facilmente manejada pelo usuário sem muita experiência técnica.

Minha conta de hospedagem, por exemplo, oferece uma instalação automatizada de Joomla e outros CMS.

Já testei todos, e mais. Além do Drupal, ainda tenho uma instalação automatizada do Zikula, do qual ouvi coisas boas. Dia desses, vou mexer na coisa.

A diretoria da ONG que apoia o projeto Joomla é constituida por donos de empresas de hospedagem de sites, empreiteiras governamentais de estratégia digital, e militantes no movimento jurídico em apoio ao GPL e outros modelos de licenciamento de softwares que mantem os direitos no domínio público ou semi-público.

Os estatutos dessa ONG são meio surprendentes, porém.

Escolheram um modelo que não obriga a organização a divulgar as identidades de doadores — que só pode ser obtidas por meio do trabalhoso caminho de um pedido FOIA — a legislação sobre liberdade de acesso a informações do governo.


Assim, em vez de se constituir como uma ONG sob o código tributário federal — o famigerado Capítulo 501(c) — virou uma corporação registrada no estado de Nova York, subsidiária do Software Freedom Law Center.

Compartilha o servidor do escritório de advogados Moglen Rachicher LLC — parceria com fins lucrativos afiliado com o SFLC e o SF Conservancy — este, sim, uma organização 501(c)(3).

Registrant Name:James Vasile
Registrant Organization:Open Source Matters, Inc
.Registrant Street1:c/o The Software Freedom Law Center
Registrant Street2:1995 Broadway, 17th Floor
:Registrant City:New York
Registrant State/Province:NY
Registrant Postal Code:10023
Registrant Country:US
Registrant Phone:+61.261003728

O fundador, o advogado Eben Moglen — também sócio fundador do EFF, se não me engano — defendeu o processo do governo federal contra a exportação do sistema criptográfico PGP e, como sócio-fundador do Public Patent, tentou revogar o patente mantido pela Microsoft sobre o sistema de arquivos FAT.

Quem financia o investidor-anjo do projeto, Echoing Green?

Na classificação de Morningstar — banco de dados sobre os quase 2 milhões de ONGs norteamericanas — é classificado sob a cabeçada

  • Q International, Foreign Affairs, and National Security / Q32 International Economic Development

O quê teria um programa gestor de contéudo pela divulgação do meu fascínio meio doente com os Ramones com a segurança nacional?

Segundo o relatório da ONG de 2009, quatro integrantes do conselho de Echoing Green foram nomeados a postos de confiança dentro da Casa Branca de Obama. Outra foi indicado para chefiar o Peace Corps.

O que sempre frustra nesses casos é o fato do Schedule B do Formulário 990 divulgado por toda e qualquer ONG nesse tipo de complexo de economia-mistureba é quase como se fosse segredo de estado.

Nesse caso, houve divulgação de patrocínio.

General Atlantic LLC é o private equity que entrou na capital da Bovespa para avalar sua OPA e subsequente fusão com a BM&F.

Não sei como avaliar o apoio do príncipe saudita Al-Waleed bin Talal ao projeto.

O príncipe Alwaleed é neto do fundador da Arábia Saudita, o rei Abdul Aziz Alsaud, e do primeiro primeiro-ministro do Líbano moderno, Riad El-Solh. É ainda sobrinho do rei Fahd, da Arábia Saudita. Segundo a renomada revista Forbes sua fortuna em 2010 é estimada em $19,4 bilhões fazendo do príncipe árabe o 19º homem mais rico do mundo.

Bom, seja longe de mim criticar qualquer bom produto código-aberto que ajuda pessoas sem grande formação técnica a montarem sítios bonitos e de uma qualidade quase-profissional.

Seja longe de mim também criticar o modelo de “empreendedorismo social” visível no projeto, que apresenta sinergias com a indústria de hospedagem de interentidades.

Apenas quis registrar o movimentarianismo que caracteriza a disseminação do projeto — uma mistura de marketing viral e voluntarismo. Isso não é um movimento espontâneo. É um campanha sofisticada de marketing.

E por final, junto com a opacidade das fontes de financiamento, eu acho justo perguntar se o projeto não se encaixe na indústria de “exportação de democracia” visível em outros projetos de software livre patrocinados pelo governo dos Estados Unidos — muitas vezes na moita.

O apoio pesado de entidades visando a criação de nova jurisprudência internacional na área de propriedade intelectual também merece escrutínio.

Cheguei a entrevistar um sócio do M-CAM uma vez, por exemplo — durante um seminário do ABA sobre propriedade intelectual. Não diria que a estratégia da empresa seja sinistra — o marco jurídico está mudando, é fato bruto — mais bem sofisticada e com uma visão surprendente e não muito utopiana do mundo do futuro, é, e tem.

Em geral, aponto que a disponibilidade de sistemas de gestão de contéudo facilmente tocados por leigos facilita muito a montagem de “blocos de eu sozinho” — interentidades aparentemente institucionais que na verdade não passam do projeto de algum “eu sozinho” ou conventículo pequeno.

Veja também

Joomla Dentro da Grande Aranhação

Cada site de Joomla, assim como qualquer site que utiliza o Flash, de Adobe, contém um laço ao projeto — o que facilita um censo de sites utlizando o sistema.

Dentro de mossa amostra constam sites de empresas, agências das forças armadas, ministérios, faculdades e universidades, blogs, campanhas publicitárias, e tudo mais, montadas usando o Joomla.

Ditto com várias ONGs.

Pontos-com também.

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