Ação Juventude: Novos Dadóides

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Continuo colhendo dados sobre o YouthActionNet, um projeto do International Youth Federation sob a guarda-chuva do Association for Youth Movements, e assunto de várias notas anteriores.

Lembre-se de que o sucursal brasileira do projeto é administrado pela Faculdade Anhembi-Morumbi, que oferece bolsas a estudantes concursados para projetos de “empreendedorismo social.”

O IYF descreve-se a si mesmo como uma empresa que ajuda multinacionais com a montagem de programas globais de CSR — responsibilidade social corporativa.

Acima, as entidades-parceiras da iniciativa no Brasil.

O Blusoft — Blumenau Pólo de Software — participa na campanha global do IYF conhecida como Entra21, que

… fornece a jovens de 16 a 21 anos de idade o treinamento e acesso a oportunidades necessários para aumentar sua perspectiva de futuro emprego. Foi lançado em 2001 com o apoio do Multilateral Investment Fund do Inter-American Development Bank.

Recebe dinheiro público do estado de Santa Catarina e o município de Blumenau, alem do IYF e Multilateral Investment Fund do Banco Interamericano de Desenvolvimento — fundo montado em parceria com USAID.

Segundo o último relátorio annual do IYF, o presidente da fundação é o CEO de Sylvan-Laureate — dono da Universidade Anhembi Morumbi, além de funcionar como fornecedor de serviços de treinamento e ensino às forças armadas e a comunidade de informações dos EUA.

A fundação movimenta em torno de $25 milhões por ano, dois-terços do qual vem de fontes governmentais.

Gastou quase US$3 milhões na América do Sul em 2008-9.

A USAID contribuiu alguns US$3,5 milhões no ano no mundo inteiro, enquanto o Ministério de Trabalho doou outro US$1.0 milhão.

O grupo fornece a lista seguinte de doadores no ano 2009, com énfase acrescentado por mim.

Martha My Dear

Continuo com uma baita de um curiosidade sobre o papel da publictária e projetora de sitios Martha Gabriel nesse cenário. Como vimos antes, consta como um dos sócios de uma agência nebulosa, a Oncovô Propaganda, que inclui o dono da agência F.Biz — hóspede do sítio político MOBILIZAPSDB.ORG.BR e o site do MOBILE WORLD CONGRESS, patrocinado pelo Financial Times e a rede de TV a cabo CNBC..

Desde nossa primeira visita ao projeto, o financiamento de projetos pela prefeitura e governo estadual não consta mais nas informações sobre esttes projetos, embora o projeto VAI, por exemplo — baladas culturais com DJ para animar a molecada — continua em atividade.

O site pessoal da merecidamente conceituada produtora e estrategista digital mora em um domínio governamental em Colômbia — o governo da província de Santander — hospedado nos EUA nos servidores do THEPLANET.COM.

Recentemente serviu de curadora de uma exposição patrocinada pelo Prêmio Sergio Motta — do ISM, instituto em homenagem ao Ministro de Comunicações acusado de trocar concessões de radio e TV por votos favoráveis à eleição de FHC.

Sua agência pessoal, NMD, montou o congresso do Upgrade International em São Paulo — Soft Borders — em outubro, em parceria com FSB Comunicações.

A tradução da página para inglês ver do congresso é constrangedora, como é de praxe.

A FSB tem como clientes o governo de Sérgio Cabral em Rio e a Sabesp, que montou uma campanha visando melhor a imagem da empresa numa imprensa que costuma relatar apenas fatos negativos como panes, buracos, atrapalhamento de trânsito, e coisa e tal.

Lançou o Windows 7, de Microsoft, com uma campanha digital. Relançou a revista Indústria Brasileira do CNI.

Também pratica “relações com o setor público” — lobby — embora

… para preservar nossos clientes, a FSB não disponibiliza os casos de relações com o setor público no site. Entre em contato caso queira conhecer nossa experiência nessa área.

O mesmo sigilo acompanha os “casos” de comunicações de crise.

 

Bom, seja longe de mim a crítica aos empreendedores sociais ganhadores do concurso ou a promoção da economia local pela prefeitura e estado. Governos deveriam fazer essas coisas. Pode gastar meu dinheiro de contribuinte para um panfleto elogiando as belezas de Brooklyn se quiser. Só que não queira sobrefaturar, viu?

São as sinergias entre entidades partidárias e industriais, um modelo de economia mista muito “inovador”, e os rastros de propaganda clandestina que fazem da Martha My Dear e os sócios da Oncovô uma turma de admiráveis internautas novas, merecendo um acompanhamento mais profundo.

Embora o F.BIZ não assumir o partido na lista de clientes, consta no servidor hospedando campanhas de vários clientes comerciais.

A atuação de um grupo de filantropia “sem fronteiras,” liderado pela sócia de um grupo responsável pela campanha política de uma coalizão comprometido com a abertura do mercado interno, não deixa de ser interessante também.

Puxa, perdi o fio de novo. Eu gostaria de entender o protagonismo político indireto de grupos econômicos — como GE, patrocinador ao lado de Samsung, Nokia, USAID, e State do YouthActionNet — nesse ano eleitoral, e estudar a atuação de agentes contratados para realizar esse protagonismo.

Tive uma ideia interessante: uma pesquisa sobre esse tema «um mundo sem fronteiras» focando grupos como Soft Borders e afins. O Council on Foundations divulga uma lista parcial de BINGOs — sigla em inglês para uma “baita de uma ONG internacional” — que faria um bom começo.

  1. Grantmakers Without Borders
  2. The Funder’s Network on Trade and Globalization
  3. Global Philanthropy Forum
  4. Environmental Grantmaker’s Association
  5. Council on Foundations (presidida pela Fundação Packard)
  6. Reason Public Policy Institute

Não sei como vocês pensam sobre essa questão, mas eu preferiria ver as fundações filantrópicas nos EUA focando o estrago doméstico causado por muitos dos maiores mecenas de responsibilidade social.

Quando do Brasil, o crescimento econômico do país está fazendo com que não pode ser considerado mais um pais de coitadinhos incapaz de sustentar iniciativas filantrópicas próprias.

Mais ainda, a estruturação da Petrobras forneceo ao governo o dinheiro para promover ações sociais sem deixar de ser — segundo minhas pesquisas de opinião pública, esta frase é altamente eficaz — “dono do próprio nariz.”

Chama-me de ultrapassado, mas não deveria ser o eleitor de um país, e não um conselho de CEOs de grandes empresas estrangeiras, que determina a política social daquele país? Isso não quer dizer que a iniciativa privada não será bem-vinda, mas dentro dos limites que os eleitores aprovam.

 

 

Vou deixar o robô rodar alguns 72 horas e depois saberemos algo sobre a filantropia global.

Olha, a filantropia preenche o vão deixado por estados falhos, ou ditos falhos.

A mensagem da campanha Atualize-se ou Morra é que o Brasil é um estado falho na área de desenvolvimento de tecnologia de informação.

Portanto, vocês precisam da tecnologia de ponta doada pelos patrocinadores de projetos como CDI e RITS

Assim como sendo primitivos também na arte de contabilidade, vocês precisavam do expertise do KPMG para proteger os investidores do Banco Panamericano, não né ná?