Brazil Foundation: Atualizado e Aumentado

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Está na hora de atualizar o perfil do Brazil Foundation no banco de dados do projeto SourceWatch, que continua com dados de 2003– e de aumentá-lo um pouco também.

Segundo o SourceWatch, a falecida e saudosa Ruth Cardoso continua no conselho administrativo da fundação, por exemplo.

Agora, a Brazil Foundation trata-se de mais uma organização 501(c)(3) subsidiado pelo contribuinte norteamericano, para começar.

A Fundação Interamericana — IAF.GOV — é uma fonte de apoio institucional à Brazil Foundation, financiada pelo Congresso sob a legislação de 1969 expandindo os mecanismos de ajuda humanitária no mundo.

Menos o “efeito Facebook” —

A IAF é uma autarquia do governo estadounidense que financia ONGs e organizações na América Latina e o Caribe que executam programas de autoajuda inovadores, sustentáveis e participatórios.

Como a tarde tá quente e minha sala é a única zona de ar condicionado no cafofo, resolvi mexer com CmapTools — para ver o jeito mais eficiente de aumentar as informações que podem ser acrescentados a um organograma para entender melhor os laços institucionais entre as pessoas envolvidas no empreendimento — sem cair no temido “efeito linguine” de um diagrama difícil a compreender. .

Além de ser isento de impostos sob o código tributário, a BF também define-se como um program «donor-advised» — ou seja, os doadores sometem os projetos a serem executados e a fundação estabelece os bona fides do projetos antes de facilitar o financiamento. Portanto, a fundação não tem autonomia para desenvolver seus próprios projetos.

Serve de intermediário entre doadores — clientes, na verdade — e suas boas obras de responsibilidade social.

Em 2008, a fundação movimentou US$ 933.096,83 por esse mecanismo.

Os $0.83 foram gastos numa garrafa de Pepsi numa conveniência no meio de Novo México.

Isso porque a integrante do conselho consultativo, Donna Hrinak, é hoje a diretora mundial para assuntos governamentais do PepsiCo, após uma carreira de diplomata. Era exbaixadora dos EUA no Brasil entre 2000 e 2004. É um bom exemplo da «porta-giratória» em ação.

Em azul escuro no diagrama do conselho são diplomatas brasileiras de carreira. Como se vê, pode inserir informações suplementares visível quando passa-se o rato sobre o nó em questão. Assim,

Mais uma coisa antes de passar a alguns exemplos desse jeito de organizar dados:  A BF também é habilitado a receber doações pelo CFC, um mecanismo permitindo doações a causas humanitárias por servidores do governo federal.

Hélio Mattar já conhecemos como o presidente do GE Brasil, o Instituto Abrinq, e tantos outros. Junto com dinheiro do Departamento de Estado, o GE Brasil patrocinou projetos do International Youth Federation, entre eles um concurso em “empreendedorismo social” na Faculdade Anhembi, com verbas também provindo da prefeitura e governo estadual.

O bom e velho Kenneth Maxwell conhecemos como o brasilianista-chefe do Centro David Rockefeller Para América Latina, assim como colunista charmoso e divertido do Folha de S. Paulo.

A presidente do conselho da Brazil Foundation, Leona Forman, também integra o grupo de trabalho sobre o Brasil do mesmo Centro Rockefeller.

Antes de fundar a Brazil Foundation em 2000, Forman passou 20 anos de carreira gerenciando comunicações sociais no ONU, chegando a ser chefe de Serviços de Centros de Informações responsável por 70 centros no mundo inteiro.

Antes, fora a liaison do Departamento de Informações Públicas com o terceiro setor, “trabalhando de perto com uns 1.600 ONGs.”

Na mocidade, tinha sido correspondente de O Globo e a revista Realidade, de David Nasser e Jean Manzon, o cinegrafista do IPES e propagandista genial dos fritadores de bolinhas.

A análise ainda está em obras, mas dá para apontar alguns outros exemplos de dados úteis de naturez biográfica e institucional.

O assessor jurídico do conselho, Marcello Hallake, por exemplo, é uma figura interessante.

Assina, ou assinava, a coluna “Wall Street” no — defunto — Jornal do Brasil.

Serve nos conselhos do CDI Internacional — a ONG que transforma vidas atráves do Windows 7 — e o Inter-American Culture and Development Foundation, que aparece dentro de um pano rápido do «ecossistema digital» do BF.

Tem pouco de brasileiro nessa Brazil Foundation, né?

Parceiros deste Inter-American Culture and Development Foundation, além do Banco Interamericano de Desenvolvimento, incluem o Kennedy Center, o Ministério de Cultura de Colombia, o governo estadual de Veracruz, México — eu tenho uma anedota horripilante sobre corrupção eleitoral naquele estado — e o World Monuments Fund.

A fundação parece engajar em marketing por correio eletrônico em escala industrial, mas em compensação apoia vários grupos de combate ao spam.

Mas o fato mais interessante sobre o advogado brasileiro no epicentro de tamanha benevolência é o papel que jogou na guerra santa dos fundos de pensão e Telecom Italia, e o acordo que no final das contas levou à fusão do BrOI e a alegria dos Jereissati..

Outro fato interessante é a ligação de dois integrantes do conselho com o Violy & Company — a tesoureira já era vice-presidente da empresa enquanto o conselheiro Marcus Vinicius Ribeiro é o COO atual da empresa.

Violy faz parte de um grupo de fundos e gestores que inclui VMS Associates, parceiro estratégico de

  1. The Americas Group
  2. Atlas Advisers — a firma que atualmente emprega a tesoureira, Roberta Mazzariol
  3. CFS Partners
  4. Citigroup-Smith Barney
  5. Merrill Lynch
  6. PanAmerican Capital Group

A fundadora do grupo, Violy McCausland, integra a Câmara de Comêrcio Brasileiro-Americano e já era sócia no escritório de James Wolfensohn, ex-Banco Mundial, ajudando a construir a prática sudamericana da firma.

Serviu no Millenium Board, aconselhando o governo de Colômbia sobre com atraer investimento estrangeiro,  sob Pastrana e Uribe.

Fonte: Alacra Store

Um cliente principal é o grupo espanhol PRISA — que vem realizando decenas de operações de investimento e divestimento nos últmos anos para consolidar-se na Iberoamérica — acima.

O conselheiro Edmar Lisboa Bacha trabalho hoje como consultor a BBA, mas insinua, com toda modestia, que sem ele, não teria havido um Plano Real nem o Reino de FHC.

Da Casa das Garças — uma parceria com ANBIMA — nunca ouvi falar, mais Bacha trabalha lá hoje em dia como pesquisador.

Strozenberg, presidente do conselho de Euro RSCG Brasil, integra os conselhos do CONAR e a ESPM também. É algo como um mito da indústria de propaganda brasileira, segundo fontes.

O Euro representa todo que é canal que custa extra em nosso pacote de TV a cabo — TeleCine, Megapix — além da revista Caras e a Fundação Roberto Marinho. Com 233 agências em 75 paises, é apenas um braço a mais do octópode internacional Havas.

Euro RSCG foi a agência responsável pela premiada campanha One Young World — ótimo exemplo da tendência global «juventude+movimentarianismo».

Euro-Havas comprou a segunda agência de Strozenberg, Comunicação Contemporânea, em 2008.

Como Propmark relatou na época,

A Euro RSCG anunciará nos próximos dias a aquisição do controle acionário da agência carioca Comunicação Contemporânea. Os três sócios da empresa brasileira, Armando Strozenberg, Mauro Matos e José Antônio Calazans, farão parte do conselho administrativo da nova Euro Contemporânea. No entando, não deixarão de atuar na área executiva da operação, que será comandada por Vivian Ferraz, ex-Publicis. Duílio Malfati, que está à frente da Euro no Brasil, continua como diretor de operações da agência.

A Contemporânea, fundada nos anos 80, é uma das principais agências do mercado do Rio de Janeiro. No ano passado, a agência concluiu o seu desligamento da holding americana Interpublic após quitar a recompra das ações da sócia. Desde então, passou a buscar soluções para a sua gestão. Os sócios da Contemporânea estudaram fusões com agências locais, mas as negociações não avançaram.

Por mais que eu leio sobre o homem, fico gostando dele. Infelizmente, houve um caso de polícia em 2006 o desfecho do qual não consigo saber:

O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro ofereceu denúncia, por crimes de corrupção passiva e peculato, contra o ex-governador Marcelo Alencar, o ex-Secretário estadual de Fazenda Marco Aurélio Alencar e mais 15 pessoas. Entre elas, o ex-Coordenador Geral de Divulgação do governo estadual Jomar Pereira da Silva e os publicitários José Eduardo (Duda) Cavalcanti de Mendonça, Roberto Medina, Armando José Strozemberg, Deodônio Cândido de Macêdo Neto, Pedro Aloísio Maria Fernandes Nonato da Silva, Cláudio Roberto Soares Bentes, Paulo Fernando Soares Bentes, Antonio Cláudio Nogueira de Carvalho, Clare Andrews de Carvalho, Mauro Reginaldo da Costa Matos, José Antônio Calazans Rodrigues, Carlos Milton Romano Pedrosa, Homero Pacheco Fernandes Júnior e Giovanni Wilbert Servolo.

A denúncia tomou por base inquérito policial em que os indiciados foram investigados por desvio de recursos públicos oriundo de verbas que inicialmente seriam destinadas à propaganda institucional do Governo do Estado do Rio de Janeiro.

Em fim, no entanto: juntem a Imperatriz de Propaganda da ONU — filha de Jean Manzon — com o Barão da Propaganda Carioca, e levanta-lhes um exército de assessores financeiros e jurídicos provados nos mais ferozes combates no mundo de mídia do século XXI.

O que pensar do caso?

Você começa a pensar que seu dólar de contribuinte está pagando para fazer o mundo mais seguro para aquele farol de democracia e cultura, MTV — arauto de um mundo sem fronteiras que não sejam as puramente fictícias com o Paraguay.