Adoto um Cadáver

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Nefasta novidade:

Não foi bolinha de papel não.

A polícia investiga o assassinato do vereador do Guarujá Luís Carlos Romazzini (PT), de 45 anos, morto a tiros dentro de casa, na madrugada desta sexta-feira (26), no distrito de Vicente de Carvalho. Nenhuma hipótese é descartada, mas investigações iniciais indicam que os criminosos não tinham intenção de roubar nada, mas visavam apenas atingir o político que estava em um segundo mandato.

Pelo que eu ouço da minha rede de informantes, se eu tivesse que escolher entre as profissões mais perigosas do Brasil, vereador de oposição na Baixada Santista seria nos vinte mais, pelo menos.

Eu vou adotar esse caso com um ato espontâneo de civismo.

É so estabelecer um Google Alert com o nome do vereador e medir o progresso do caso, assim como o cronograma de cobertura jornalística do caso.

Vai ser preciso um bocado de pesquisa sobre a grafia do nome, que aparece em tres formas distintas em várias matérias sobre o incidente.

Desde que uma vizinha, psicóloga, foi assassinada — ou melhor, executada, provavelmente sob encomenda pelo marido de uma paciente — estou muito sensível ao jeito que crimes como este têm de gerar lamentos e pêsames e expressões de ansiedade geral — para jamais serem resolvidos.

É uma lembrança que moramos num pais onde o famoso E.M. de Espirito Santo existia — com CPNJ e tudo — até 2004.

O caso de Luiz Carlos Barbon, aquele jornalista de Porto Ferreira que não era, segundo a FENAJ, jornalista de verdade, continua vivo na minha memória também.

Amigos disseram que ele vinha recebendo ameaças. O assassinato aconteceu horas depois de o vereador ter registrado um boletim de ocorrência comunicando uma tentativa de invasão da sua casa.

O blog do vereador continua no ar, sem atualização.

Procedimentos

Agora, nos programas de detetive — eu assisto Law & Order faz 15 anos e ainda não cansei –, o primeiro passo é sempre procurar saber se o defunto tinha desafetos, ou se era envolvido em polêmicas, lides ou arruaças.

O vereador falecido parece ter sido um homem erudito com uma língua afiada.

Seria natural começar perguntando quem podia ter ficado zangado com o homem.

Mergulhando em alguns dos detalhes da sua vida e ambiente pudesse animar o que está sendo mais um óbito frio e correto de mais um ato de selvajeria.

Chamem isso parte do meu projeto de conhecimento local.

Já fui na Guarajá, mas obviamente não a conheço. Vou tentar conhecer.

O vereador escreve:

A historia só se repete como farsa. Esta máxima uma vez mais se concretiza, pior para nós Guarujaenses, já cansados de desilusões e frustrações. Mas, o que temos assistido agride a inteligência mediana. A atual prefeita elegeu-se sobre um tripé, que à época era o péssimo sistema de transportes, a buraqueira das ruas e as imoralidades da gestão anterior.

Quem é a atual prefeita? Do sítio da prefeitura:

Maria Antonieta de Brito é a primeira mulher eleita Prefeita Municipal de Guarujá, cargo que ocupa desde 1º de Janeiro de 2009. Chegou ao cargo majoritário da Administração Municipal com 84.322 votos, ou seja, 52,12 % do total de votos válidos, sendo eleita no 1º turno.

Circulou em 2009 um abaixo-assinado virtual pelo impeachment da prefeita..

Ganhou 5 assinaturas.

Se candidatou pela PT-PCdoB em 2006 — 20% dos votos — e ganhou pelo PMDB em 2008.

O vereador continua.

Essa soma foi determinante para que a então maior coligação do estado caísse no primeiro turno. Em todo o país, foram apenas dois casos de prefeitos de cidades com mais de duzentos mil habitantes que, candidatos à reeleição, perderam a parada no primeiro round.

A coligação referida foi — ai, como sempre, a página do TSE não retorna resultados.

Ela derrotou Farid Madi do PDT.

Este é acusado de formação de quadrilha.

O vereador-blogueiro continua:

Pois bem, logo de inicio a questão do transporte foi sendo relegada e seu Dom Quixote, Cláudio Paes Rodrigues, jogado para o escanteio até sair melancolicamente, lançando aos quatro ventos motivações nada republicanas da administração, que não só deixou de investigar e baixar as passagens, como concedeu polpudos aumentos consolidando uma grande mentira.

Segundo Quem é Quem no Guarujá, a secretária municipal de Infra-Estrutura e Desenvolvimento Urbano,

Cláudio Paes Rodrigues, é arquiteto e atua desde 1979 no setor de construção civil. Foi Sócio-fundador e ex-diretor-presidente da Associação de Engenheiros e Arquitetos do Guarujá, onde atualmente é membro do conselho consultivo. Na rede pública atuou como diretor técnico-operacional, diretor de Planejamento Urbano, diretor de Operações Urbanas, diretor de Projetos Estratégicos, diretor técnico da EMURG, diretor de Obras e Serviços Urbanos e coordenador Regional de Vicente de Carvalho.

Aumentar a tarefa de ónibus deve ser o melhor jeito de causar um surto de raiva no brasileiro mediano. Não que eu o culpasse.

EMURG é a Empresa Urbanização de Guarujá S/A, concessionário desde 1987 de … algo.

Quando é dito de alguém que trabalha num setor industrial — construção civil, no caso — eu presumo que trabalhava no setor privado — o que não parece ser o caso aqui.

Prossegue:

Prosseguindo, das imoralidades do passado, talvez a mais aviltante fosse a farra dos cargos de confiança, que haviam sido dobrados pelo desgoverno anterior. Diferentemente do corte drástico prometido, da moralização e valorização dos servidores de carreira, a prefeita tal como uma avestruz meteu a cabeça na areia e deleitou-se com o néctar dos cargos aos apaniguados, inclusive de maneira ilegal, principalmente pelo advento da Lei do Nepotismo.

Aqui seria necessária uma estatísticas sobre a folha de pagamento público, antes ee depois.

Um vereador do Guarujá, do PP,  foi condenada por nepotismo duas semanas atrás.

As promessas empoeiraram, até que neste ano de eleições enviou enfim seu projeto “moralizador”, cuja mensagem diz abertamente que fora feito em parceria com o Ministério Publico.

O que podia ter sido aquilo, o projeto “moralizador”?

Qual jornal lê-se na cidade?

Pode ser o Jornal do Guarujá?

Não, não presta.

Também tem A Estância de Guarujá.

Mas A Tribuna parece ser o jornal profissional da região.

A legislação municipal está disponível. Mais ainda não entendi qual foi o PL moralizdor referido.

Este fato este foi por mim apurado e negado com veemência pelo Promotor Publico que, de pronto, oficiou a prefeita sobre os vícios contidos no projeto, em especial por ter entre os cargos de confiança cento e trinta e cinco cargos técnicos, sendo, portanto, de inconstitucionalidade absoluta.

Ah, aqui ô, dia 22 de setembro de 2010, na Tribuna.

Alvo de suspeita do Ministério Público, Guarujá aprova reforma administrativa

Simone Queirós

Quase um mês após a aprovação em primeira discussão e alvo de suspeita do Ministério Público, a reforma administrativa da Prefeitura de Guarujá foi aprovada nesta terça-feira em segunda votação na Câmara. A decisão contraria a orientação da Promotoria de Defesa do Patrimônio Público de Guarujá, que destacou a permanência de 125 cargos de confiança em funções técnicas no projeto, e foi acatada por 12 votos a 1.

Então, foi isso.

E mais isso:

Enfático, Romazzini chamou a prefeita de “prostituta política, canalha e imoral” por propor uma reforma “mentirosa, de um Governo mentiroso”.

Tem o mesmo estilo do blogueiro.

Mas a mentira maior não foi esta e sim o fato de não reduzir os gastos e de piorar ainda mais a situação dos funcionários concursados em suas funções gratificadas. Ou seja, nossa cidade continuará a gastar quase dois milhões de reais por mês só com estes cargos que, digo e repito, bastaria a metade. Simplificado: a cada mês daria para construir uma creche ou a cada três meses uma escola, dinheiro nosso que continuará indo para o ralo da incompetência.

Os inimigos de vereador chamam ele de doente mental, ele diz.

Como todos os mentirosos, quando surpreendidos na mentira apelam ao drama. Foi cômica, não fosse trágica, a leitura da carta em que familiares da prefeita enviaram à Câmara em resposta às duras criticas que fiz. Sequer tiveram a capacidade de inovar, pois batem na velha tecla que tantos bateram, sobre minha suposta insanidade mental.

As contas públicas são disponíveis também — se você consegue ler.

Um personagem histórico que ainda não entendi, embora tenho informante que trabalhava na campanha dele e testemunhava … coisas: Orestes Quércia.

Da Tribuna de novo.

Desde janeiro, um inquérito civil do Ministério Público Estadual (MPE) também apura se há irregularidades no contrato firmado entre a prefeitura e o escritório de advocacia do filho de Orestes Quércia, presidente do PMDB estadual, mesmo partido político da prefeita do Guarujá, Maria Antonieta de Brito.

Bem, quando da morte do petista mordaz, não temos o que dizer ainda.

Mais começamos a entender a ecologia do bicho, né?

Oprendemos uma coisam pelo menos: A Tribuna foi o único jornal que eu li sobre o assassinato a levantar a hipótese de um crime político — e uma intervenção.

As circunstâncias ainda não foram esclarecidas. Mas, salvo melhor juízo, é difícil afastar a hipótese de crime político: o vereador Luis Carlos Romazzini (PT), assassinado nesta madrugada, foi a maior e mais eloquente voz da oposição ao governo – qualquer governo – de Guarujá nos últimos anos.

Não se pode descartar essa razão por causa do terrível histórico guarujaense. Já se disse aqui, mais de uma vez, da imensa pobreza que cerca a cidade, onde em torno de 60% dos habitantes não têm nem sequer moradia digna. Essa chaga é tão intensa quanto a disputa de grupos políticos, talvez a maior entre todos os nove municípios da Baixada Santista.

Vale lembrar um exemplo bem ilustrativo: em meados deste ano, o ex-prefeito Farid Madi e a deputada estadual Haifa Madi (ambos do PDT), anunciaram a desistência da vida pública por causa do risco que corriam o casal e sua família. Os autores disso? Quem sabe?

Alguém deve saber.

É preciso assegurar que as brigas políticas não se transformem num festival antidemocrático, em que o contraditório é resolvido a bala. Guarujá precisa de algum tipo de intervenção, do Estado ou do Governo Federal, para que se investiguem com profundidade e certeza os casos de violência.

Eu digo mais: foi o único veiculo que não sujou os sapatos andando na lama para evitar pisar no pavimento levando ao assunto.

Segundo um comentarista no blog do jornal:

vivian luiza pinto , 26/11/2010 | Por favor, não deixem de falar de outros dois casos que envolvem política no Guarujá, que as pessoas parecem esconder a relação com o caso Romazinni. O repórter de um jornal local que fez denúncias sobre corrupção na prefeitura e foi morto a tiros do mesmo jeito: homens de moto passaram e alvejaram. O outro caso é do fotógrafo que faz reportagens para um jornal de oposição da cidade e tomou um tiro no ouvido sem que nenhum pertence seu fosse roubado. —

Numa nota posterior, o que posso descobrir sobre os assassinatos de jornalistas alegados. Não há notícias de tal fato no RSF, mais isso não diz muito.

Chateado?

Morrendo de tédio?

Adote um cadáver.

Qualquer cadáver.

Pode ser o viciado em craque da esquina, ou o coronel da PM executado na rua onde você trabalha, após tomar uma atitude sobre execuções sob ecomenda feitas por subordinados.

Tenta saber o quanto possível da vida e ecologia dele.

Tem bocas fechadas demais nesse pais.