Tudo Tranquilo na Tríplice Fronteira?

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Surprendentemente sem novidades para brasileiros nos cabos diplomáticos vazado pelo Wikileaks hoje.

Fonte: US embassy cables: browse the database | World news | guardian.co.uk.

O único episódio tocando vocês — objeto de bastante especulação na época — foi um cabo desde Paraguay de 2008, pedindo maiores esforços dos diplomatas na colheita de informações sobre possível atividade de grupos islámicos na Tríplice Fronteira.

Tem sim uma menção ao Brasil aqui na lista de assuntos de interesse elaborada neste cabo, na verdade:

Informações sobre relações bilalterais importantes, especialmente quando da Argentina, Brazil, Chile, e Bolivia. – Relações com a Irã e informações sobre facilidades musulmansa, entre mesquitas, centros culturias, e outras, com apoio da Irã. | informações sobre outras relações bilaterais importantes, China, Taiwan é Russia em especial.

Puxa, a Wikipédia tem uma lista de mesquitas no Brasil.

Começa aí.

Mas não espere muito.

A mesquita Abu Bakr de Porto Alegre conta com apenas 100 fiéis, segundo a fonte.

Talvez mais significativo que indagações sobre estes assuntos, alguns dos quais parecem naturais — a terceira via tentada pelo Brasil com a Irã, obviamente — fosse uma causa generalizada de constrangimento entre diplomatas norteamericanas.

Ou seja, os pedidos insistentes, tanto da Condaleezza Rice como da Hillary Clinton, para a colheita de informações sigilosas.

Diplomatas foram instruidos, por exemplo, a tentarem conseguir os números de cartões de crédito dos contatos, segundo o New York Times

Revleados em cabos sigilosos do Departamento de Estado, as diretivas, emitidas a partir de 2008, parecem embaçar as fronteiras tradicionais entre diplomacia e espionagem..

Os cabos forncem um cardápio de ações que diplomatas podiam realizar para cumprir a “diretiva nacional para a colheita de informação humana” em vários países.. Um dos cabos pede informações sobre “nomes, postos, títulos e outras informações em cartões de visita; telefones, celulars, bípers e fax,”asssim como “apelidos de internet e intranet, sitios e correios eletrônicos, URLs; contas de crédito; contas de milhagens; horários de trabalho, e outra informação biográfica.”

Lamento, mas até agora, sem mençao de Hillary tentando saber do gmail pessoal, Twitter e MSN de Celson Amorim — Twitter: OCabeludo.

Diplomatas entrevistados pelo jornal foram — discretamente, diplomaticamente — atônitos pelos pedidos.

Ronald E. Neumann, antigo embaixador em Afeganistão, Algéria e Bahrain, disse que Washingto vivia mandano pedidos para extensa informações sobre paises estrangeiros. Mas relatou que ele ficou meio embaraçado tentando entender porque diplomatas — sem treinamento em metódos clandestinos — seriam orientados a conseguir dados como cartões de crédito..

“Minha preocupação primeiro seria se o quadro podia fazer isso responsávelmente sem acabar em apuros,” disse. “Segundo, quanto tempo deveriamos investir nessas atividades às custaas de nosso trabalho normal?”

É isso mesmo. Quando eu preciso do meu consulado, não quero aguardar até o servidor acabe furtando e fazendo uma devassa na bolsa da namorada do deputado da bancada rural..

Meio enganador, o episódio, até agora.

Eu achava que iamos ler sobre aqueles almoços de jornalistas da Globo com velhos amigos de Harvard.

Mas dizem que tem mais material a vir –se bem que o sitio não seja processado criminalmente, como sugeriu pelo menos um senador.