A Reportajabaganda de Microoondas, «Lá Embaixo»

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Um servíço de notícias australiano, Crikey — tradução possível: «putz grilo!» — divulga um estudo segundo o qual .«a metade do seu noticiário é puras relações públicas!»

Bem feito!

O SourceWatch divulgou um relatório menos abrangente mas muito bem documentado sobre o uso da tática descrita — o VNR, ou «release audiovisual» — pelo governo de Bush ibn Bush e empresas como, não diga, Microsoft e Intel.

O caso gerou um aviso aos grupos de mídia pela FCC, a reguladora do setor, dizendo que “pessoas nesse páis têm o direito de saber donde vêm as notícias.” Um comunista, obviamente, certo? Homem de confiança de Bush.

Ele ainda lembrou a mídia sobre a obrigação de divulgar patrocínio privado ou governamental. A obrigação é segundo legislação vigente baixada 50 anos atŕas, com jurisprudência sólida, aliás.

Vocês ainda não tem regulamentos parecidos? Qual é, Zé Carioca?

Ainda preocupante, porém, é o uso dessa prática pelas Forças Armadas.

Nunca sei com traduzir a palavra expressiva e sucinta, «spin».

Minha teoria — sem grande fundamento, mas faz sentido — e que venha dos dois primos, cricket — no Brasil, «taco» — e beisebol.

Em ambos, o arremessador tenta dar ao lance um grau de rotação que faz imprevisível seu percurso até o batedor. Os homens de Down Under — lá embaixo — falam do lance chamado «googley», por exemplo. Vai saber. O inglês deles é muito gozado.

Traduzo.

Parece que o humilde release, arroz e feijão da indústria de relações pública, está sendo progressivamente usurpado nas redações por um concorrente mais atraente e abrangente: o release audiovisual  — RAV?

Estes produtos entregam falas curtas pré-selecionads, entrevistas e filmagens direto ao jornalista, num pacote conceitualmente integrdo.De repente, o boletim de notícias é alimentado por material mandado por correio eletrônico em vez de vir por fax ou correio normal.

Empresas que produzem estes pacotes, como VnR e Media Game, distribuem-nos por parte de clientes diversos, desde a agência de propaganda Hill & Knowlton até varjeistas como Coles, focando pessoas, eventos, produtos e lugares específicos. Depois, e editado, acabado e apresentado ao público como uma reportagem, sem flitros editoriais, pronto para botar no ar..

Advinhe de quem foi o primeiro release achado durante uma visita ao sitio de Media Game?

Olha lá no site de VNR, aliás — que se gaba de conseguir posicionar conteúdo em programs internacionais também. Juro que uma das cabeças-falantes fosse Cid Moreira, mais não tenho certeza.

Agora descreve um caso de 2009. Estes são legiões, como sabemos de nossas próprias pesquisas sobre a reportajabaganda brasileira. Depois eu traduzo.

On 19 November 2009, Media Game sent out an audio news release about their client the Commonwealth Bank of Australia’s $40 million financial literacy program for school children. The release included grabs of CBA spokesperson Lisa Cartwright and generated media coverage on regional and metropolitan radio stations that day, including 2GB’s Money News segment and Vega’s 7.30am news bulletin.

The CBA also issued an “interactive media release” on its website with audio and video content featuring CBA chief executive Ralph Norris.

In the following days, articles carrying the core message of the original media release would be published in the Herald-Sun and syndicated to The Advertiser and The Daily Telegraph, while The Australian carried a brief mention.

Stephanie Barry, CBA general manager of public relations, said the day after the media launch, “Not only did we receive feedback from various media, various stakeholders have also had access to that material and it has actually driven a lot of positive stakeholder feedback and engagement from business organisations that would not have otherwise necessarily approached us,” she said.

SMHschools

Only The Sun-Herald ran a critical story on 22 November: