Haiti | “Farsa”

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Acima, da Wikipédia: “O Exército do Brasil garante a segurança nas eleições do Haiti de 2010″

Observadores dos EUA dizem que eleições no Haiti foram ‘uma farsa’ segundo uma nota da AFP reproduzida no portal de Terra.

Realmente, apenas um observador é citado.

Os outros observadores nem podiam continuar no campo por causa da insegurança generalizada, aparece de outros relatos..

Observadores americanos estimaram que as eleições presidenciais e legislativas realizadas no domingo no Haiti estavam repletas de irregularidades e chamaram a comunidade internacional a rejeitar esta “farsa óbvia”.

“Desde a proibição do partido mais popular de participar da eleição, até irregularidades no dia do pleito, incluindo muitos relatórios de enchimento de urnas, assim como o impedimento de muitos eleitores de votar, estas eleições foram uma farsa óbvia do início ao fim”, disse Mark Weisbrot, co-diretor do Centro de Pesquisa Política e Econômica, em um comunicado.

Alex Main, analista deste centro de estudos, que se encontrava no Haiti para observar a realização das eleições, foi testemunha de diversas irregularidades, incluindo o enchimento de uma urna em uma seção de votação, acrescenta o texto.

Apesar das numerosas denúncias de fraude por parte de vários candidatos e dos pedidos de anulação do pleito, o Conselho Eleitoral do Haiti validou as eleições de domingo, cujos resultados serão conhecidos a partir de 5 de dezembro.

Gustavo Chacra do Estadão também chamou as eleições de ontem de «vergonhosas». A linha editorial do jornal sobre o assunto é intrigante, como veremos.

A missão de observação do pleito da OEA começou trabalhos em agosto desse ano.

Um projeto no Brasil de acompanhamento à situação é um engano — sem notícias atualizadas, apesar de ter um sítio bonito.

Uma coletiva com a missão da OEA e a Caricom foi postergada até hoje por considerações de segurança, segundo o Los Angeles Times. Ainda nada.

Uma autoridade da OEA, falando sob anonimato por não ser autorizado a falar com a imprensa, disse que observadores no campo foram chamados de volta ao capital por questões de segurança.

Quer dizer que nem havia condições de observar a lisura das eleições em segurança?

Entretanto, havia “fortes embates” entre tropas de Minustah e manifestantes no capital.

El enviado especial de teleSUR, Jordán Rodríguez comunicó que se hay una importante presencia de la policía haitiana en el corazón de Puerto Príncipe y han reportado en el interior de Haití ”enfrentamientos fuertes entre manifestantes y fuerzas de las Minustah en zonas como Jacmel, donde se reportan dos heridos, Jeremie y Granguaf”.

Um entrevista com a candidata Mirlande Manigat na TeleSur trouxe uma chamada por uma “distensão lenta, gradual e segura” — ou seja, a retira das FFAA brasileiras e outras.

La Minustah debe salir de Haití ”pero no de inmediato, no de manera agresiva, sería un regreso progresivo, una retirada progresiva y pacífica con una negociación de la Organización de las Naciones Unidas (ONU)”, indicó la aspirante a la presidencia de Haití a la enviada especial de teleSUR al país caribeño, Patricia Villegas.

Os eleições foram validados apesar de denúncas de fraude e um pedido de anulação do pleito por 12 de 18 candidato, segundo reportagens. Não estou achando um comunicado oficial neste sentido ainda.

Na reportagem no Estadão hoje, são a MINUSTAH e o governo local com a palavra sob a condução do pleito e a contagem de votos.

O sítio da missão ainda não leva comentários oficiais sobre a votação de ontem. Aposto que se fosse com o falecido Sérgio de Mello, haveria algo.

A caribesfera é uma bagunça total, se tocante, difícil a seguir — especialmente a parte que vem no kriol — mas com pessoas tentando registrar ocorrências. Traduzo uma amostra aleatória.

Na Verrettes pessoas dizem que as urnas estão fechadas e os observadores dos partidos políticos já foram embora. Tiros são ouvidos em toda parte …  Nenhuma intervenção pela Minsutah e a Policia Nacional (PNH).

Na Les Cayes, um eleitor preso no local do votação por porte de uma pistola 9mm.

Fechamento das urnas em Carrefour e tiros de armas automáticas registradas.

Deixa-me lhe contar uma coisa, amigo brasileiro.

No Brooklyn, nós moramos uns 20 metros do epicentro do maior carnaval de trio-elétrico fora do Salvador que existe: o carnaval caribenho de Nova York.

Moramos no bairro onde crescia o Wyclef Jean, na verdade.

Imagine se puder: MV Bill, prefeito de Rio.

Quase que aconteceu, mas o rapeiro foi declarado ineligível.

Ao lado de nosso prédio, uma igreja evangélica haitiana.

E quer saber uma coisa? Ninguem parece gostar muito de vocês. Ninguém chegou a ser grosso conosco, mas várias vezes pessoas nos pararam na rua após nos ouvirem falando português.

E sempre comentavam educadamente sobre a MINUSTAH, que talvez não seria a coisa mas bem-vinda na história do mundo. me perdoe.

Lembra-se do relatório da OAB de 2007:

A Missão de Estabilização da ONU no Haiti (Minustah), liderada pelo Brasil, “é uma força de ocupação, e não humanitária, que está validando os abusos de direitos humanos no país caribenho e contribuindo para um estado de permanente repressão”.

A dura crítica às forças das Nações Unidas foi incluída no relatório do conselheiro da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) no Rio de Janeiro Aderson Bussinger que será entregue nesta semana ao Conselho Federal da Ordem.

Agora, numa situação confusa, parece que não houve segurança suficiente para a observação adequada do pleito, que ainda assim era  validado pelas autoridades — que apesar daquela reportagem, não divulgou comunicado oficial no site ainda.

Responsável pela segurança foi a Policia Nacional em parceria com MINUSTAH.

E ainda assim, a manchete no Estadão ontem sobre as forças armadas no Rio de Janeiro:

Eu não acreditei aquilo!

O Estado tem uma certa história de «jornalismo embutido» na defesa de uma aplicação do modelo MINUSTAH no Rio de Janeiro.

Jornalistas fazendo a cobertura da missão não tem condições de entervistar haitianos sem a presença de comptriotas armados. Ficam na base. O Exército até WiFi forneceu.

Que futuro seria se a manchete fosse a verdade?

O único e último comunicado do CEP de ontem:

Le Conseil Électoral Provisoire informe le public en général, les Partis, Groupements, Regroupements de Partis Politiques et tous les secteurs engagés  dans le Processus électoral en particulier que, face à l’intensification des attaques verbales, des actes d’intimidation et de violence, converties en agressions physiques intolérables, il se trouve encore une fois dans l’obligation d’inviter les candidats ainsi que leurs partisans à garder leur calme.

Le Conseil Électoral déplore les actes de violence et appelle instamment tous les secteurs de la vie nationale, les Partis Politiques, les Autorités judicaires et policières  en particulier, à collaborer en posant des actions claires, concrètes, et proportionnelles en vue de rétablir un climat stable, calme et serein,  nécessaire à l’organisation des élections du 28 novembre 2010.

Le CEP de son côté continue de mettre en branle toutes ses ressources techniques, logistiques et humaines afin de s’assurer du bon déroulement de ces élections. Il invite en outre les citoyens à se mobiliser calmement dans un esprit de patriotisme, d’union fraternelle  en vue d’accomplir dignement leur devoir civique lors des Élections Présidentielles et Législatives de ce dimanche.

Le Conseil Électoral Provisoire renouvelle son engagement à organiser des Élections libres, démocratiques, transparentes et inclusives.

O site da Conseil Electoral Provisoire mora nos Estados Unidos nos servidores do notório GoDaddy.

Morando no mesmo condomínio fechado: HAITIELECTIONS2010.COM — que se identifica como projeto do governo alemão e USAID.

É independente.

Haitielections2010.com, site indépendant, veillera au respect des normes relatives à l’information et n’accordera donc pas l’hospitalité aux diffamations et autres propagandes mensongères.

Toma dinheiro do governo.

Haitielections2010.com peut continuer son travail d’informer, grâce au support de l’Ambassade d’Allemagne en Haïti et celui du projet USAID-DAI.

DAI — Development Alternatives, Inc. — é uma empreiteira do setor privado.

Recebeu $422 milhões no ano passado do erário público, e $3.7 bilhões na última década.

Traduzido do blog ao vivo do Haiti Rewired:

Esqueça a página de Twitter da USAID na busca de informações sobre qualquer das inúmeras e amplamente divulgadas irregularidades, manifestações, e incidências de violência de hoje, ou da exclusão de partidos políticos, ou da chamada pela anulação do voto. Se, no entnato, você  quiser ver fotos do que aparentemente está sendo um processo organizado, ordeiro e tranquilo, USAID tem isso, tal como informações sobre como a USAID “está gastando $14 milhões para apoiar eleições livres no Haiti hoje.”