site:cablegate.wikileaks.org +Brazil | Idiotices do Embaixador Americano

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Wikileaks está falando mal de vocês.

Quer dizer que a PF supostamente estava “armando” denúncias espúrias contra suspeitos de terrorismo. Mas o teor do cabo referido não chega a afirmar isso, que eu consiga entender.

As forças de segurança do Brasil cooperam com agências de policia e informações dos EUA na área de terrorismo, apesar do Brasil negar que pratica operações antiterrorismo, demostram cabos divulgados pelo WikiLeaks .

Segundo um cabo secreto enviado a Washington em janeiro de 2008 pelo embaixador Clifford Sobel, a Policia Federal e a ABIN monitoram suspeitos de terrorismo e tem prendido alguns por outros crimes:

“A PF prenderá amiúde suspeitos de terrorismo, mas denunciará os suspeitos por outros crimes para evitar chamando a atenção da mídia e os niveis mais altos do governo. Durante o ano passado Federal Police prendeu vários suspeitos de financiar atividades terroristas mas os denunciaram por entorpecentes e contrabando.”

Uai. Se alguem está contrabandeando cocaina para financiar pornô infantil, ele ainda é culpado do contrabando. A PF bem pode prender alguém por crimes reais relacionados ao alegado fim ilícito.

Tanto o governo quanto os Talebã de Afeganistão se financia de entorpecentes — seguindo nos passos da Colômbia. Não é secreto de estado não.

Esconder cooperação de niveis mais altos do governo bem podia constranger a PF, suponho. Não é da minha conta.

Mas simplesmente não consigo chegar a interpretação de que pessoas, talvez identificadas por dicas da FBI, foram vítimas de armações.

Deve ser uma confusão na tradução de “enquadrar,” sem a conotação negativa de “armação” = frame….

O governo brasileiro nega a existência de operações antiterrorismo no pais.

Numa reunião em 2005 com o embaixador, a autoridade máxima na comunidade de segurança nacional ministro de segurança institucional Jorge Armando Felix, disse que agentes colaboravam com o projeto  RMAS –Regional Movement Alert System, um banco de dados de passaportes — para monitorear indivíduos.

Agora, vejo que há uma tradução PT-Br no site. A matéria é de uma tal de Natalia Viana.

Mas para além das diferenças no discurso, os documentos vazados pelo Wikileaks mostram que na prática a polícia brasileira age frequentemente a partir de informações da inteligência americana.

E daí?

A justiça da cidade de Nova York agiu a partir de informações do MPF quando ordenou a prisão de Maluf, né?

Somos amigos ou não?

Acho que vocês nos ficam devendo por aquilo!

“A sensibilidade ao assunto resulta em parte do medo da estigmatização da grande comunidade islâmica no Brasil ou de que haja prejuízo para a imagem da região (da tríplice fronteira) como destino turístico. Também é uma postura pública que visa evitar associação à guerra ao terror dos EUA, vista como demasiado agressiva”, analisa outro embaixador americano, Clifford Sobel, que esteve no cargo de 2006 a 2010.

Sobel é um perfeito idiota.

Sabe porque?

Porque segundo o censo de 2000, havia 27,000 musulmanos no Brasil.

De árabes tem montes, mas a grande fluxo de imigração foi de católicos libaneses fugindo os turcos — assim com em partes dos EUA. Eu traduzi uma vez uma história comovente, da língua árabe da diaspora de um vilarejo no agreste de Líbano onde todo mundo acabou na América do Sul. O cliente deu o calote, PQP.

Eis o problema fundamental em nossa guerra sem fim sobre uma emoção difusa: Os comandantes não sabem a diferença entre (1) um musulmano — que pode ser chinês, nigeriano ou com cara de surfista californiano — (2) um árabe, que podia ser neoliberal ou comunista, e (3) um coitado de um Sikh que não tem nada a ver com nada.

Lembra o incidente — não sei se confirmado ou não — do primeiro encontro entre Bush Filho e FHC. Bush: “Vocês têm gente negra lá no Brasil?”

Daqui para frente, só divagações pessoais sem muito valor informativo. Foi avisado, leitor.

O zumbido sobre o chamado Cablegate, do Wikileaks,  e tal que não precisa de minha contribuições para ser entendido.

Ainda quero ler mais dos cabos do antigo embaixador no Brasil Clifford Sobel, sem embargo.

Tenho fortes sentimentos negativos sobre o mogul de e-comêrcio, premiado com a embaixada após ganhar o campeonato de caixa dois das campanhas Bush.

É um tipo do Ugly American que seria melhor se sumisse de nossa diplomacia.

Mas ainda não há documentos originando da Brasília na página.

A embaixada de Paraguay, eu entendo, é o centro de coordenação regional de diplomacia e informações — tenho aqui em um lugar uma foto de Larry Rohter como o chefe da missão lám, de 2004 — e portanto a preocupação com a eleição de Lugo, capaz de pedir o hospedado a quitar seu quintal.

Amizade é amizade, mais boa vontade pode ser abusada.

Sem embargo, foi animador ver alguns comentaristas dizendo que os cabos mostram a boa análise e poderes de observação de nossa diplomatas de carreira. Obviamente, os homens de confiança, como Sobel, são de outra qualidade.

A nota seguinte, no entanto, mostra um jeito reacionário e rabugento de enxergar as coisas. Traduzo do original.

Levitte observou que o presidente Hugo Chavez é “maluco” e disse que nem o Brasil  pode apoiá-lo mais. Infelizmente, Chavez está tranformando um dos paises mais ricos de America Latina em outro Zimbabwe.

O diplomata referido é o assessor francês Jean-David Levitte, antigo embaixador em Washington. e um chamado «sherpa» — guia alpinista — ao presidente francês, Sarkozy. Hein?

Na verdade, ainda não localizei o cabo desde o Paraguai, divulgado no Times ontem. Nem sob a cabeçada Embassy Assunción nem sob a Embassy Paraguay.

Uma dica simples para quem quiser saber do que estão dizendo sobre a seleção nacional: no Google, digite

site:cablegate.wikileaks.org +Brazil

Até agora, retorna apenas 8 resultados, mais este método não é muito confiável — a análise de Sobel sobre a PF virou de uma pesquisa no +Paraguay.

Ou haverão mais por vir ou por alguma razão a coletânea exclui a gigante pela própria.

Talvez sabendo dos métodos de obter os documentos podem ajudar a testar esta hipótese.

Aí, eu caio no meu gosto nerd de informaçaões técnicas sobre enormes sistemas de informática.

Vou traduzir. Além do mais, deveria servir de um aviso sobre as badaladas capacidades da «computação em nuvem», uma vez que, no sistema de «diplomacia rede-céntrica» implementada,

… apesar do Manning — o alegado vazador — ser um soldado raso, teve acesso a centenas de milhares de telegramas diplomáticas por ter acesso à SIPRNet.

Isso mesmo. Projetaram o sistema para que alguém sem necesidade de saber nada para fazer seu trabalho tinha acesso a tudo.

No linguajar da informática, foram mal-configurados os ACLs.

Aos bancos de dados de empreiteiras para saber quem construiu esse elefante branco e como pisaram na bola tão feio! Hipótese especulativa: será que os cabos de America do Sul passaram por outro caminho? Pura especulação.

Ainda para traduzir, da matéria do Times hoje:

SIPRNet is a network used to distribute not particularly sensitive information that is classified at the secret level and below. However, while the last two batches of documents were largely battlefield reports from U.S. forces in Iraq and Afghanistan, this latest group allegedly consists of some 250,000 messages authored by the U.S. Department of State, many of which appear to have been sent by U.S. embassies and consulates abroad.

U.S. State Department messages are called “cables” in State Department parlance, a reference that hearkens back to the days when embassies really did send messages via telegraph rather than satellite transmissions or e-mail messages via SIPRNet. These State Department messages were intentionally placed on SIPRNet under an information-sharing initiative known as “net-centric diplomacy” that was enacted following criticism levied against the U.S. government for not sharing intelligence information that perhaps could have prevented the 9/11 attacks. Net-centric diplomacy ensured that even though Manning was a low-level soldier, he had access to hundreds of thousands of State Department cables by virtue of his access to SIPRNet.

It is important to understand that SIPRNet contains only information classified at the secret level and below. Because of this, it will not contain highly classified information pertaining to U.S. government intelligence operations, methods or sources. This information also will not contain the most sensitive diplomatic information passed between State Department headquarters in Washington and it constellation of diplomatic posts overseas. The fact that much of the diplomatic-message traffic being released was unclassified and the most heavily classified was at the secret level does not mean that the release will not cause real pain or embarrassment for the U.S. government. In fact, it is quite possible that these documents will do far more to damage U.S. foreign relations than the last two batches of documents released by WikiLeaks.

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