Al-Kamin e o Almoço com Jorge Félix

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O general disse ser importante que operações de antiterrorismo fossem empacotadas adequadamente para não reflegir negativamente na comunidade árabe orgulhosa e bem-sucedida do Brasil.

Eu não sabia: o Alckmin é de extração libanesa. Fax sentido: aquele al — o artigo definitivo — da língua árabe. Alfarrabia, alfândega. Guadalquivir na Espanha é árabe — al-wadi al-kabir, isto é, «grande vereda ou rio.»

Segundo meu dicionário Hans Wehr, al-kamin podia significar «quem aguarda em tocaia ou emboscada». Ou não.

Trocadilhos na língua árabe são difíceis.

Wikileaks | Cablegate divulga parte de um cabo de 2005 sobre um almoço entre o embaixador norteamericano e o Jorge Félix, ministro do GSI.

Até agora, divulga-se apenas 4 telegramas da embaixada em Brasília, e apenas um classificado de sigiloso.

Eu não enxergo nada de escândaloso no episódio, prima facie.

Se haverá telegrans sobre outros assuntos da época — a época do mensalão — é a questão mais intrigante.

Fiquem de olho na página Brasília — e também do Paraguay, o centro regional mais importante até a queda dos Colorados.

Vocês sabem do meu interesse pessoal como contribuinte rabugento dos EUA.

Eu gostaria de poder avaliar o desempenho de nosso embaixador daquela época — um amador campeão de caixa dois que já deu sinais de idiotice total.

Minha impressão é que Félix se comportava como alguém que sabia que sua conversa de mesa — bife T-bone, enviado do Texas por uma caça da Aeronáutica queimando $1′ milhão de combustível por hora, não duvido — seria o assunto de um telegram diplomático. Quer dizer, que o profissional é minimamente discreto e competente e merecendo seu salário de general de divisão ou que seja.

O general é avaliado como — uma tradução livre e rápida —

“afável e discreto, sem grandes ambições e com uma preferência confessa de viajar por prazer.em vez de por negócios. É uma pessoa que evita encrencas, o que explicaria a resposta cuidadosa quando da Venezuela. Com isso, sempre era um interlocutor franco e direto e sua chefia da GSI tem sido marcada por operações conjuntas entre RMAS e ABIN com ampla cooperação. Sua presença continuada é um fato positivo para nossos interesses.

Este da «preferência para turismo» tem cheiro daqueles testes psicológicos tipo o MMPI, o Minnesota Multiphasic Personality Indicator. O governo federal parece superestimar o valor desse tipo de mumbo jumbo.

Os três assuntos são

  1. Antiterrorismo
  2. Hugo Chávez
  3. Pedidos de ajuda do governo norteamericano em troca de cooperação

São dois cabras negociando o preço de um cavalo.

Na terceira categoria, o ministro parece muito com o rapaz aqui da vizinhança, muito metido na TI.

Ambos gostariam por as mãos naqueles brinquedos que só a gente tem — no caso do general, dispositivos para melhorar a segurança de sistemas de TI e a SIGINT, ou  «inteligência de sinais». Nada mais natural e ponto de orgulho nacional entre nós  Somos bons de informática — ainda se talvez não tão bons que pensamos, levando em consideração a importação no atacado de gênios de matétmatica indianos.

O trato mais interessante envolve a grande comunidade tupi-libanesa como fonte possível de radicalismos — ignorando o fato do Al-Kamin ser bastante típico desse fluxo de imigração: fortemente cristão velho e fugindo o avanço turco antes da Primeira Guerra Mundial.

Eu fiquei muito suprendido com o fato do Brasil abrigar tão poucos musulmanos, segundo dados do censo. Terei que pesquisar mais. A prima da minha mulher é mestrada em história especializada em imigração — quando não está jogando Farmville no Facebook. É muita mocinha, mas sabe dessas coisas, vou perguntar.

Eu traduzo cuidadosamente depois.

Nosso embaixador parece insatisfeito com a resposta sobre o Tio Hugo, resumido assim — de novo, livremente traduzido:

O embaixador levantou o assunto de Venezuela e seu presidente  Hugo Chavez e observou que Chavez estava encrencando os esforços do Brasil no sentido de liderança política e econômica na América do Sul. General Felix balançou a cabeça e parecia ponderar sua resposta cuidadosamente.. Disse então que tive opinião pessoal sobre Chavez (que não divulgou) que são diferentes daquelas do governo do Brasil.Dito isso, General Felix disse preferir ficar com a posição oficial (sobre o qual tampouco elaborou). Felix observou que, seja pro- ou anti-Chavez, tem-se que admitir que virou parte da realidade “Latino-Américana.”.

Todos nós tem opinião própria sobe o Baita de um Bolivariano.

Mas só aquela do eleitor venezuelano importa. Agora que a oposição voltou às urnas e elegeu um contrapeso legislativo eficaz, parece que as coisas andam no sentido de normalidade.

Quantos fanfarrões na história não tropeçaram em fatos banais como a colheita de lixo e tarefa de ónibus, quando a clima de crise permanente alimentando sua postura de herói foi lhes tirada?

Agora, à polemizada cooperação com o GWOT — nossa guerra mundial contra uma emoção difusa.

General Felix isse que a ABIN colaborava com o RMAS — banco de dados de passaportes de suspeitos de terrorismo –Tr. — em almejando conjuntamente pessoas de interesse, e o Embaixador expressou sua gratidão por isso.

General Felix disse que além das operações conjuntas, o governo brasileiro estava fazendo um apelo aos árabes moderados da segunda geração, muitos deles empresários de sucesso no Brasil, a vigiarem outros árabes capzes de serem influenciados por extremistas e terroristas. General Felix disse que era do interesse desses moderados manter o controle de radicais potenciais para impedir o microscópio da focar a comunidade árabe no Brasil. O general disse que o recém-assassinado primeiro ministro de  Líbano tinha enviado a mesma mensagem à comunidade árabe brasileira durante uma visita alguns atrás.

A confusão de árabes com muçulmanos parece endêmica.

Eu não sei, mas suspeito que o pedido deveria ter recebido por vocês como um pedido de vigiar a comunidade OVNI no Brasil.

Você acha que Ali Kamel precise de monitoramento por eventuais simpatias com Hamas?

Não custa fazer as dilgências, até se tal comunidade não existisse, ou se consistisse em um punhado de indivíduos: Hebe Camargo, óbvio; Ali Kamel decerto; Ronaldo pode ser; Rita Lee, tomara, sendo a rainha deles; e Datena e Wagner Monte líderes da oposição leal extraterrestre.

É como vigiar a comunidade de cristãos novos para impedir o ressurgimento da fé islâmica na décima-terceira geração.

Um dos primeiros jantares que eu tive em São Paulo, uma década atrás agora, foi num restaurante siríaco dos maiores.

Que delícia!

Tudo, como dizem os poetas, «esfriante ao olho» e ao paladar.

Temos bons restaurantes norteafricanos em Nova York, mais pouca cozinha clássica árabe.

Faltamos Habib’s também. Esfiha, R$0.50, que coisa.