Infoguerra: #mafiadocabral X «apenas as forças armadas»

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Tem uma certa guerra de informações de intensidade média em curso sobre a interpretação dos eventos recentes em Rio de Janeiro.

Tal, pelo menos, é minha hipótese a ser testada quando der tempo.

Altamente, e em muitos casos, competentemente, espectacularizadas, as invasões aparentemente bem-sucedidas por enquanto estão sendo contabilizados como uma vitória pela política Beltrame-Cabral-Genro-Lula — Pronasci, Força Nacional (FNSP), e todo mais.

Pior momento da TV  tupi: Datena fazendo o rapaz fotógrafo de Reuters mostrou o ferimento que recebeu, baleado no ombro. Não apenas uma única vez, mas repetidamente ad nauseam. Foi o melhor sangue humano ao vivo que o gorducho falastrão conseguia achar.

Enquanto isso, o #mafiadocabral vira a tendência de vez no Twitter — uma câmara de eco «viral» visando amplificar um punhado de alegados casos de comportamento criminoso por parte da polícia pacificadora, principalmente relatados por uma vídeo no sítio do Correio Braziliense, que eu consigo saber.

Remete ao comentário que me lembro de ler sobre a famosa Operação Rio nos anos 1990s: um soldado raso reclamando de que, enquanto as forças armadas faziam o trabalho sujo, a polícia “estava no Sambódromo fazendo bico como guarda-costa de bicheiros.”

Correndo no mesmo sentido, então, é a campanha tipificada pela manchete do Estadão de alguns dias atrás:

Compare-se o pronunciamento do Ministro Marco Aurélio do STF.

No discurso do governador e do governo federal, entretanto, está visível um cálculo cuidadoso sobre o jeito de externar a gratidão às forças armadas pelo papel de apoio desempenhado.

Também observa-se variações no destaque dado aos papeis respectivos da políca e as forças armadas nos telejornais. Faria um belo projeto de «clipping» e análise.

Só vou deixar registado essa impressão, estando ocupado hoje.

Como é quase sempre o caso, a realidade levará em conta fatos inteiramento outros dos das relações públicas. A situação em Rio tem muitos fatores, entre eles o combate à corrupção policial.

Não duvido de que alguns dos heróis do Alemão haverão uma ficha suja, por exemplo. Mas como eu comentava com amigos gringos ultimamente, as FFAA tem suas fantasmas no sotão também.

Um caso exemplar de jornalismo estatístico do que me lembro, por exemplo, foi um levantamento sobre munições gastas colhidas das ruas de Rio de Janeiro, para identificar a origem de balas atiradas pelo crime.

A hipótese de contrabando de estoques do governo por militares foi abordado e descrito como plausível e significativo — embora parecia que o maior mecanismo de contrabando era a exportação de munições reservadas às FFAA e polícias de paises vizinhos, com a reimportação por caminhos paraguiaos.

Também havia o fator social: jovens fortes e inteligentes das favelas recebendo treinamento de forças especiais e, saindo do serviço, não achando outro mercado de trabalho para suas habilidades.

Pairando sobre essa guerra de propaganda são questões fundamentais, entre eles a  reforma da justiça mlitar e a reocupação pelo poder público civil da responsabilidade pelo policiamento, a segurança pública é a manutenção de ordem.

Como um estudioso de Harvard apontou alguns anos atrás, este tem sido um ponto de atraso na democritização do Brasil.

Em fim: Brasil é um pais que não precisa de um Wikileaks para pode observar os conflitos e atritos institucionais dentro do governo.

Cada ator desse conflitos já tem orçamento próprio de propaganda, e o aproveita ao máximo.

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