Elementos Gráficos Para um Balanço da Liberação do Rio

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É muito justo — além de reclamar do estilo BBB-Carnaval da cobertura do evento, que certamente procede — começar a fazer o balanço desta liberação de Rio de Janeiro que está acontecendo, como apontei outro dia.

Uma nota divulgada pela Azenha da Associação de Juizes pela Democracia sobre “crimes cometidos no nome de combater o crime” levanta a bola.

Então, comparado ao passado, como foi? Programas do governo para fomentar uma policia mais profissional e mais ligado aos direitos humanos surtiram efeito?

Não houve notícias de policais mortos, que eu saiba, por exemplo — um passo positivo para “a policia que mais mata e mais morre do mundo.”

Eu quero ver uns bons infográficos sobre a questão, no estilo do Wall Street Jornal — ainda campeão mundial nesse campo.

Olha como o matutino El Universal de México fez o balanço hoje do governo atual federal daquele país, por exemplo — acima. Salários em baixo, violência em alta.

Eu gosto de diagramas estilo “rosquinha” como aquele no meio, sobre pobreza, mas critico a falta de perspectiva histórica — apresenta um momento isolado e não uma tendência.

Este, do OECD, é bem feito: mostra que entre os paises BRIC — menos Rússia e com Africa do Sul — o Brasil tem o menor indício de miséria e anda reduzindo-a na mesma medida que a China — se bem que os números brutos na China são enormes.

Apenas o Brasil reduziu níveis de desigualdade de renda entre os anos 1990s e os dias de hoje.

Quando da liberação do Rio — o Dia D — Rodrigo Vianna demistifica o mito colocando o assunto no nível da testemunha ocular, lá no Escrevinhador

A preocupação não é infundada. Em 2007, a mega-operação policial deixou mais de 40 mortos no Alemão, 19 num único dia, sendo que depois da ação não houve melhora na segurança pública da região.

O detalhe perverso: uma perícia independente constatou que muitas dessas mortes foram execuções sumárias.

Na época, eu consegui as fotos dos cadáveres e li todos as pericias sobre ângulos de entrada em corpos ajoelhados com as costas viradas. Foi um escândalosa confusão, aquela pericia.

Eu estive lá. Passei algumas semanas percorrendo quatro das treze favelas do Alemão, cheguei a dormir no Morro do Alemão, favela que dá nome a todo o conjunto, que se estende por cinco bairros da zona norte carioca.

Tive a oportunidade de ouvir cerca de 100 pessoas, e a reportagem foi publicada em cinco páginas na edição de agosto de 2007 da revista Caros Amigos, então editada por Sérgio de Souza.

Resumo da ópera: os traficantes varejistas são cruéis, sim, relatam os moradores, mas o medo maior é da polícia, que perpetrava uma série de violações aos direitos humanos. Uma informação importante: naquela ocasião, apenas uma semana depois da invasão policial o tráfico varejista já operava normalmente.

São detalhes qualitativos importantes.

Mas é os quantitativos? .

Quem está fazendo a contabilidade de cadáveres?

Fiz um levantamento rápido dos núcleos de estudos da violência que conhece como fonte de especialistas citadas pela imprensa.

Sem muitas manifestações até agora.

Ainda estamos na etapa de opiniões divorciadas de fatos.

Agora estou dando uma olhada no SESEG-RJ e o Ministério de Justiça.

O portal de direitos humanos sugere que eu confira as ouvidorias estaduais de polícia, entretanto.

Dito feito.

Entre o Rio e o São Paulo, a primeira coisa que salta aos olhos é o uso de categorias completamente diferentes para classificar as queixas da cidadania.

No Rio, oferece-se um balanço mensal e trimestral, além de um balanço da vida do projeto, os 183 meses.

Também oferece um diagrama, o que falta nos relátorios trimestrais e semestrais no São Paulo.

Eu faço um diagrama rapidinho dos dados brutos.

No Rio, o campeão de reclamações, com folga — coisa não indicada no diagrama, onde cortou-se a escala do eixo x — é “falta de policamento.”

No Sampa, a terceira reclamação mais frequente é “pedido de policiamento,” mas também há categorias como “falta de recursos humanos” e “falta de recursos materiais,” além da “solicitação de intervenção em ponto de drogas.”

Na contabilidade, fala-se do rateio de números em várias contas e subcontas. Não seria o caso que a falta de um policial ou uma viatura no momento certo, ou a falta de intervenção em um ponto de drogas, engendraria a percepção de que o  policiamento adequado está faltando também?

Os líderes de reclamações são muito imprecisos: “Má qualidade de atendimento” e “infração disciplinar” — categorias nas quais caberiam os vários tipos de não-atendimento e as várias infrações detalhadas, como por exemplo a concussão.

De longe, a maior queixa da Polica Civil do Rio é prevaricação.

Retardar ou deixar de praticar devidamente ato de ofício, ou praticá-lo contra disposição expressa de lei, para satisfazer interesse ou sentimento pessoal.

Parece abranger tanto a má qualidade de serviço como a não-prestação do serviço.

Naõ estou vendo nenhuma explicação de metodologia que esclarecia nossa “ontologia,” embora a Ouvidora SESEG-RJ esboça algumas definições úteis sobre como foram colhidos os dados.

Estou fazendo um trabalho ultimamente sobre o método Custo para Servir na contabilidade de custos..

É por isso que eu fico com essa apetite para dados, dados, dados, pode ser.

O fator que sempre me interesse neste modelo é o implícito — ou seja, o Custo de Não Servir o cliente.

Tem vezes quando chega a assumir as dimensões de um fato positivo — ou seja, um Custo de Ferrar o cliente beirando zero.

Eu sinto isso com nosso serviço de TV a cabo.

Sem muita opções, a gente não tem muito recurso.

Quando o fornecedor de repente cortou todos os canais de notícias que não eram a Globo, reclamar não adiantava. O Custo de Ferrar fica baixo demais.