LAB-LD: Mapeando Malufices

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Software para a identificação de comportamentos suspeitos na rede global de operações financeiras — este tem sido um assunto de interesse meu por vários anos agora.

No Valor, destaque para um suite AML — na verdade, antilavagem de dinheiro, ALD — «made in» Brasil, mais ou menos.

Tem alguns projetos código-aberto de ferramentas AML-ALD com que pode-se brincar, mas não muito. Querendo mexer nas várias funções, ainda precise-se de uma gambiarra.

O software faz a leitura e conexão das informações obtidas pelos investigadores em extratos bancários, contas de telefone e relatórios do fisco. O programa gera gráficos e organogramas, que apontam visualmente as conexões entre pessoas investigadas e o caminho do dinheiro movimentado entre os envolvidos na investigação.

Está vendo? Não sou maluco.

O projeto vem à partir de 2007, parece. Aqui, um PowerPoint — o poder corrompe, o PowerPoint corrompe absolutamente — do Ministério da Justiça esboçando a ferramenta.

Obviamente, ainda, dados sobre contas financeiras não estão livremente disponíveis para você, o amador, fazer testes.

Conheço um pouco os protocólos do SWIFT e o desenvolvimento de padrões com base na XML para operações financeiras, mas os extratos bancarios de Maluf — para ver como é que o mestre fazer — fazem falta.

O projeto é mais um ponto de orgulho do governo na onda de publicidade em volta do acontecimentos no Rio ultimamente.

É o Laboratório de Tecnologia contra Lavagem de Dinheiro (Lab-LD), sistema lançado em 2007, resultado de um convênio entre o Ministério da Justiça, Secretaria Nacional de Justiça, Secretaria de Segurança Pública e Polícia Civil do Estado, no âmbito da Estratégia Nacional de Combate à Corrupção e à Lavagem de Dinheiro (Enccla).

O Rio recebeu duas unidades do Lab-LD, uma para a Polícia Civil, outra para o Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ). É uma estrutura simples, com equipe reduzida — seis pessoas na polícia e dez no MP= -, que ocupam duas ou três salas pequenas. Patricia Alemany, coordenadora do laboratório na polícia, define o sistema como um conjunto de softwares, técnicas e profissionais especializados (contabilistas, economistas, estatísticos) que trabalham na análise de dados.

O projeto inclui mineiragem de texto, ou seja,a indexação de fontes abertas de informações e aplicação de métodos estatísticos.

O interessante no exemplo fornecido é a ilustração do viés das fontes utilizadas.

Se produz destas fontes um “tag cloud,” ou seja, diagrama de nomes segundo a densidade de citação, mais ou menos.

Se caixa dois é um tipo de lavagem de dinheiro — é, por excelência — então você esperaria alguns valérios, azeredos e outros no campo semântico.

Na verdade, não tenho certeza que a análise mostrada é da imprensa. Outra visão dos dados identifica o texto analisado como “depoimento”:

O caso Maluf foi uma referência original do projeto — «benchmark».  O fato de ser aceito como prova suficiente para fundamentar um mandado de prisão foi de fato uma ótima publicidade para o projeto.

Ilustrado é o uso de uma ferramenta de Oracle chamado Sunopsis.