AIN do Dia | Wagner Fontoura

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AIN, vale lembrar, é nossa sigla para Admiráveis Internautas Novos.

O AIN de hoje é o Wagner Fontoura da agência Coworkers — razão social da CABIANCA COMUNICAÇÃO DE MARKETING LTDA — e autor do blog boombust.

Wagner é o «CEO dos Blogs», dizem — integrante de uma turma que inclui

  1. Edney de Souza do Interney
  2. Manuel Lemos do BlogBlogs
  3. Gustavo Forts, da agência «guerrilha» Espalhe
  4. Jeff Paiva, da agência Click

Esbanja o conceito de um anonimato meio sinistro, né?

O BLOGBLOGS é o LSD — latifúndio de samizdat digital — da Abril Digital.

Está fechando as portas.

A Coworkers chamou a minha atenção por ocupar um ponto estratégico — foi um COMPONENT_MAIN_MAIN — numa nova aranhação que eu fiz da indústria de propaganda brasileira, semeada pelas entidades de classe dessa indústria. .

Dentro de uma amostra generosa mais ainda limitada, apresenta o perfil seguinte, dentro de dois graus de relacionamento no modelo “o mundo pequeno.”

A agência naturalmente aponta com orgulho os sítios desenvolvidos por clientes — sempre da mais alta qualidade.

Na verdade, a agência também apareceu na nossa Grande Aranhação No. 1 — enfocando o Instituto Millenium e a tupisfera política do ano eleitoral 2010 , abaixo..

Isso deve ser porque tem como cliente aquela parceria entre a Globo e o Endeavor International, “Pequenas Empresas, Grandes Negócios”  — ambos os parceiros sendo patrocinadores do Instituto M.

Se a revista divulgue o patrocínio-parceria, eu não consigo achar a divulgação.

A revista e o programa acompanhante de TV começou a vida como uma campanha de publicidade idealizada pelo dono de Professa Propaganda — fato que evita professar.

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Lá, proponho que a Globo criou uma fachada jornalística para contéudo patrocinado fornecido pela ONG norte-americana, pregadora do evangelho de empreendedorismo e financiada por muito dos grandes anunciantes da revista.

A agência Coworkers, entretanto, guarda algum tipo de relacionamento com o Grupo Publicis — para ser apurado. A AG2, por exemplo, é na verdade AG2 Publicis Modem — embora não consta na lista de colaboradores do grupo no Brasil.

Tipicamente uma agência com este perfil trabalhará como subcontratada de uma uma agência maior –este por sua vez contratada por outra agência do seu grupo —  ou talvez como uma agência do mesmo grupo, mas afastada da matriz por uma ofuscação do laço.

Uma vez que lida com mídias sociais, a vantagem dessa estrutura vem da separação da campanha viral e o autor da mensagem promovida. Aplicando o método Faith Popcorn, não é para o recipiente da mensagem saber que ela é patrocinada sem fazer o trabalho de investigá-la.

Outras agências neste «ecossistema» são

  1. Tribo Interactive
  2. Cardif
  3. Máquina
  4. Bamboo Lab

Bamboo Lab projetou o site da agência Coworkers, parece.

O site desta, por sua vez, mora no Dreamhost, em Los Angeles, Estado de Califórnia.

A agência Coworkers integra, ou tem algum interesse, na WOMMA, entidade de classe de autoregulamentação dedicada à ética da propaganda “boca a boca” — word of mouth.

O primeiro princípio do código da WOMMA:

Divulgação de identidade: Integrantes da WOMMA farão com que seus representantes divulgarem, completa e substantivamente, todas as suas identidades ou relações com consumidores no que diz respeito a inciativas de propaganda e marketing visando influenciar a opção do consumidor.

Também se tem que cumprir as regras da FCC — reguladora sem equivalente exato no Brasil, mas parecido com o Anatel — sobre testemunhas e endossamentos para os fins de propaganda — 16 C.F.R. §§ 255.0–255.5.

Entre outras coisas, as regras determinam que

…. endossamentos devem comunicar as opiniões, apurações, crenças ou experiências sinceras e verdadeiras de quem os fazem. Além disso, não podem conter qualquer representação que seria enganosa, ou que não podia ser comprovada, se comunicada pela empresa autor da propaganda.

Mas as regras são complicadas.

No Brasil, há uma tendência de driblar estes princípios gerais.

O exemplo seguinte é de uma promoção para uma gravadora do grupo Globo, por exemplo.

A agência Santa Clara foi premiada em anos recentes para o melhor brinde à imprensa — brinde que não satisfaz nosso padrão gringo de que brindes não deveriam ter valor commercial.

A Santa Clara — integrante do Conselho Superior do Instituto Verificador de Circulação — abertamente oferece o clientes “personagems” nas bocas da qual você pode enfiar sua mensagem.

Essa práticas aparecem em Nova York ainda cedo nos anos 1990s.

Você entra num bate-papo com uma gostosona no bar. Ele convida você a digitar seu número de telefone no Blackberry dela, enquanto ela comenta o quanto ela gosta do aparelho. É uma campanha «guerrilha» do fabricante, RIM. O alvo jamais saberá.

Mas de volta aos Coworkers — inglês para “colegas de trabalho.”

Uma piada recóndita entre revisores de textos trata da falta do hífen na frase.

Então, por quanto tempo você anda «orkando» vacas?

Nosso Admirável IN na verdade é bastante admirado.

Fruto da associação dos empresários Wagner Fontoura e Helton Kuhnen, a Coworkers já traz no seu portfólio a prestação de serviços para grupos do porte das editoras Globo e Abril, veiculação de lojas virtuais do Mercado Livre na América Latina e gestão do blog coletivo Nossa Via (nascido da parceria com a Via6, maior rede social nacional e 4ª mais populosa, segundo o Ibope/Netratings), além da co-gestão, nos últimos 2 anos, de estratégias de publicidade em mídias sociais para a Riot, empresa pioneira e maior agência de publicidade em mídias sociais do Brasil e da América Latina.

Nossa Via agora está morto.

Pela Riot, para quem prestaram serviços por 2 anos, foram co-responsáveis pela operação de campanhas publicitárias em busca de posicionamento na rede social de empresas como Coca-cola [sic], Dell, Nokia, Microsoft e muitas outras, através da gestão de uma rede de mais de mil parceiros de conteúdo em blogs, comunidades do Orkut, fóruns e listas de discussões.

Eu gostaria ter a lista destes parceiros — ou seja, os integrantes do “latifúndio de samizdat digital” da agência, tradução da nossa palavar click farm.

Em nossa visão parcial da rede da empresa, você verá o que são presumivelmente outros clientes da agência.

Agora, seria interesante saber mais dessa rede de «mil parceros de contéudo».

Uma matéria no sítio ResultsOn — que premiou a agência Cowiorkers no ano passado para a sua inovação — explique a base conceitual de «coworking»:

Coworking nada mais é do que profissionais liberais – blogueiros, escritores, programadores – sem vínculo empregatício trabalhando em um mesmo lugar, compartilhando o mesmo ambiente.

Trata-se de um espaço de trabalho para microempresários, pagando microalugúel, tal como o The Hub de São Paulo.

Bem podia servir também para uma «fazenda de faça-clique» — operando da informalidade, com pessoas «sem vínculo empregático» trabalhando do mesmo espaço no mesmo projeto de entrismo em foros, comentários e outros espaços sociais abertos.

É díficil saber, da página “o quê fazemos” da agência, se esta ofrece esse tipo de serviço ou não.

Hoje mantemos contato com os principais formadores de opinião da web – os hubs – que carregam enormes audiências e são respeitados pela constância, pertinência e capacidade de segmentação que possuem.

Em outro lugar, cita as melhores práticas da Womma e dizem planejar as ações desenvolvidas com a Riot seguindo estas práticas.

Os clientes da Riot são, na maioria, outras agências — faça clique para ampliar.

Algumas são do Grupo ABC, de de Nizan Guimarães.

MPM também já foi do grupo de Nizan Guimarães, YPY, tal como é a agência Gringo. acima.

Outras são do grupo TBWA — responsável pela campanha política do trabalhismo inglês em 2005, segundo SourceWatch.

Outras ainda são do grupo Interpublic — como Giovanni+Draftfcb, com a animação Flash mais bacana em relação a sua eficiência no navegador que eu vi em muito tempo.

A Riot é do mesmo grupo que Sampa.e #Tag. Este já fez a campanha institucional “Liv Like a Star” para DISCOVERY COMUNICAÇÔES DO BRASIL LTDA.

Acima, os «hubs» da rede de Riot.

McCann Erickson é do Grupo Interpublic também.

Acabou meu combustível por enquanto.

Só quis registrar uma notinha a mais. Quando dos 2 milhões de blogs do Brasil — e “oportunidades infinitas” para anuciantes — eu estou achando que talvez daria para estimar quantos destes são produtos de “latifúndios de faça-clique” dentro da amostra fornecida por minha aranhação da indústria.

Pode-se fazer um censo dos blogs do Blogspot, por exemplo, e estudar uma amostra aleatória sob este critério. Existe 1.500 na categoria MAIN, por exemplo.

Vou deixar com vocês a pergunta geral: se uma agência de propagada tem como cliente um veículo de jornalismo que regularmente pratica a reportajabaganda — ou seja, propaganda apresentada como se fosse jornalismo independente — qual a probabilidade de que a agência também a praticará?