Transparência da Mídia | Critéria

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Se a Universidade de Maryland.foi capaz de elaborar uma pesquisa sobre a transparência relativa de grupos de mídia em inglês mundo afora, seria possível fazer um estudo paralelo da mídia brasileira?

Teriamos que concordar sobre como quantificar os critérios utilizados, mas sim, porque não?

Estes são dados livremente disponíveis e observáveis.

Alguns poderiam necessitar entrevistas com jornalistas sobre as práticas seguidas dentro da redação.

Avaliam-se cinco categorias.

  1. ERRAMOS:  A vontade de corrigir erros de maneira aberta — O veículo corrige abertamente e rapidamente, com destaque adequado, seus erros, até quando estes seriam constrangedores?
  2. PROPRIEDADE:  Transparência de propriedade—Fica claro para leitores, ouvintes ou telespectadores quem é dono do veículo?  Divulga-se informações adicionas sobre a empresa-mãe, tal como a propriedade de outras empresa midiáticas e não-midiáticas?
  3. POLÍTICAS PARA PESSOAL DA REDAÇÂO:  Transparência no que trata de conflitos de interesse—O veículo publica os padrões que orientam o comportamento de jornalistas, redatores ou produtores?   Jornalistas podem aceitar um almoço pago por um terceiro? Podem contribuir a um candidato político? Podem cobrar por palestras?  O veículo divulga outros relacionamentos que podiam colocar o jornalista ou a organização na posição de ter a objetividade anublada ou distorcida?
  4. POLITICAS PARA REPORTAGENS:  Aceitar decisões editoriais independentes—e as razões e princípios que as norteiam–com vontade; O veículo informa o leitor sobre o que faz, e por quê?    Quais os padrões para reportagens?:Repórteres são livres para utilizarem adjetivos politizados, tal como “terrorista”? Quando e porque? Quantas fontes são necessárias para considerar um fato adquadamente apurado?  Em geral, o veículo divulga suas regras editoriais  — tal como as regras sobre o tratamento de fontes — e princípos éticos  — tal como o tratamento de matérias envolvendo crianças?
  5. INTERATIVIDADE:  Aberto às críticas e aos comentários de leitores—O veículo tem ombudsman?  Publica cartas à redação ou fornece outras maneiras de interagir com quem recolhe, edita e divulga as notícias, como por exemplo o correio eletrônica de jornalistas e redatores, ou disponibilizando jornalistas e redatores por meio de blogs e bate-papos virtuais ao vivo, ou fornecendo um espaço no sítio do jornal para comentários sobre determinada reportagem?

Um defeito comum de estudos nesse gênero é deixar de levar em conta a coerência de princípios e prática.

Num estudo que eu vi de 2003, por exemplo, sobre o suborno aos jornalistas no mundo inteiro, pesou demais o fato de determinado veículo ter mecanismos formais proibindo a prática. Mas na prática, a teoria é outra. E aqui que teriamos que entrevistar jornalistas para avaliar o quanto tais regras são para inglês ver só.

Portanto, o Brasil saiu muito bem no estudo — um resultado que eu achei pouco realista dado indícios anedotais au gogo de assaltos de fato contra a mesma independência editorial que os grupos de mídia defendem até a morte no discurso.

O demerito geral pelo uso de “bandido” e “marginal” em vez de “suspeito” ainda atingiria grande parte da imprensa aqui, seja dito também, sob a questão de “adjetivizão.”.

A presença de um ombudsman por si só não é nenhuma garantia.

O ombudsman do New York Times é um peso-pesado — altos executivos chegando ao auge da carreira — contratado de fora do Times-Mirror e insistindo na máxima autonomia na letra morta do contrator.

Os ombudsman da Folha são jornalistas mocinhos no meio da carreira, e vem da própria redação da Folha. Presumimos que ainda gostariam de avançar na sua carreira no jornal.

Mais, agora você tem que ser assinante do jornal para acessar a coluna, que aliás desenvolveu um viés notável no sentido de falar dos “delírios” das críticas do jornal.

As redes de televisão brasileiras brincam desencaradamente com o princípio de não expor e explorar menores de idade, utilizando brechas e casuismos.

Vi na Record ontem imagens, em “close,” de um moleque que ameaçou a namoradinha com um revólver, junto com a entrevista com a coitada, gravada por um vidro que levemente distorcia sua imagem. Em qualquer caso, não vi qualquer valor noticioso na história de um episódio sem mortes ou feridos envolvendo estes menores. Foi puro infotenimento.

A prática de algumas editoras — de obrigar o alvo de uma campanha difamatória a processar pelo direito à resposta, processo que pode levar anos — é uma das características mais desagradáveis da imprensa nativa.

E como não canso de lembrar, o badalado código de conduto de uma editora nacional das seis famiglias gabava-se de limitar o valor de presentes que empregados podem aceitar aos R$100.

Pense no que deveria ter rolado antes dessa imposição de uma ética ferrena.

O padrão entre nós é $0.

Nadinha. Bupkis, na tradução iídische.

Almoços eu já aceitei, é verdade, na capacidade de redator-chefe com algumas funções de boas relações com a indústria. — e como eu odiava ser chefe!

Me contrataram para ser, não sei o equivalente, algo como “redator executivo” — managing editor.

Era para eu ser o responsável pela logística, como por exemplo a realização de reportagems — quer dizer, chicoteando aquele bando de vagabundos freelancers que viviam me implorando para mais um tempinho — e a diagramaçao e entrega do “livro,” com dizemos, dentro do tempo orçamentado. Era para passar os dias fustigando repórteres no telefone e enterrando a cabela na tela de Quark.

Quando cheguei, o “livro” estava fechando às tres da manhã de sexta-feira.

Cada minuto que a coisa demora custa dinheiro — uma imprensa folgada, as horas extras dos coitados que tinham que nos aguardar para fazer seus trabalhos.

Quando saí, estava fechando às quarto da trade de quinta-feira, como devia.

Tenho orgulho disso.

Após minha contratação, o chefe imediatamente deu a fora, pulando para uma revista chic de capital de risco — hedge funds — que naturalmente quebrou poucos meses depois.

Me deixou com um rombo chocante no orçamento. Ficamos devendo a uma única freelance quase 25 mil pau! O chefe da redação — ou seja, o publisher, que cuidava do lado comercial — passou o tempo todo buscando outro emprego. Não fazia nada, apesar do dinheiro ser sua parte da parceria!

E por final, eu tinha que aparecer.

Odeio aparecer.

Gosto de assistir eventos, sim, mas como observador e não como participante.

O cara me deixou na maior saia justa.

Se houver justiça no universo, sofreu uma auditoria cármica severa depois.

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