A Aranhação da Filantropia Global | Novos Dados

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Agora que tenho uma máquina um pouco mais poderosa, está sendo mais facil configurar e rodar minhas “aranhações.”

No momento, estou rodando um levantamento sobre o setor de eletricidade brasileiro, por exemplo. Este pode me ajudar identificar as empresas, associações e lobbies, reguladoras, auto-reguladoras, mídia especializadas, e campanahas de filantropia e publicidade de um setor sobre o qual ainda conheço pouco.

Algumas semanas atrás, eu fiz procedimento parecido com o “setor de filantropia global.”

Utilizei centros de filantropia que apareceram em iterações anteriores para saber quase tinham mais “autoridade” e “centralidade” naquela amostra. Fiz uma exploração preliminária para saber da «vizinhança» destes, e daí derivei uma lista de sementes — acima.

Para validar os resultados, selecionei um projeto sobre o qual tenho bastantes dados independentes, o Association for Youth Movements, que no Brasil patrocina o YouthActionNet.

Faça clique para ampliar as imagens.

Ficou claro que o MOVEMENTS.ORG é tocado pela agência BLUE STATE DIGITAL, agência de marketing político do partido Democrata norte-americano, servindo de contraparte do REDSTATE.COM, dos Republicanos.

Há uma certa hierarquía nas relações institucionais da CIMA que tende a fortalecer a hipótese desenvolvida na minha nota

A IDEX é um novo internauta em minha galáxia de dados. Se diz ser

uma organização sem fins lucrativos de  San Francisco promovendo soluções sustentáveis à pobrez por meio de bolsas e subsídios e accesso a recursos por parte da sociedade civil em  Africa, Asia and América Latina, desde 1985. Começou como o sonho de um grupo de voluntários do Peach Corps, que tinham uma visão alternativa do desenvolvimento global. Perceberam logo que apoio financeiro a grupos pequenos e auténticos da soceidade civil local — ONGs que tinha a confiança do povo e conhecimentos locais — era muitas vezes mais eficiente do que a atuação em grande escala de filantropias tradicionais.

Não sei o que pensar do grupo. No relatório de 2009, fornece uma lista de doadores entre fundações, empresas — Starbucks salta aos olhos — e indivíduos.

Ainda assim, no Formulário 990 de 2009, divulga “não ser uma fundação privada por ser

uma organização que soe receber uma parte significante ou de agências governamentais ou do público em geral.”

Na verdade, o código tributário sobre este ponto vai muito além do meu conhecimento jurídico. Vamos supor que os doadores enumerados no relatório sejam uma lista completa e não inclui agêncis do governo.

Falta, sem embargo, relatórios dos anos 2007, 2008, e 2009, e por isso permanece uma dúvida.

International Donors — o sítio de um grupo se chamando Doadores Sem Fronteiras —  não divulga a identidade de doadores nem relatório financeiro algum.

Algo que emergiu desta análise foi uma perspectiva interessante sobre o projeto Global Voices Online, da responsibilidade do Centro Berkman da Faculdade de Direito de Harvard — clonado pela CTS da FGV aqui no Brasil.

O GVO figura nessa rede como jornaleiro para um complexo de ONGs, mulilaterais e agências governmentais dedicadas ao «desenvolvimento globl de mídias independentes e sustentáveis».

Do WMD — O Movimento Mundial pela Democracia —  já sabemos que trata-se de um tentáculo do National Endowment for Democracy. Três dos financiadores mais conhecidos desse tipo de iniciativa — Ford, Hivos e MacArthur — são representados, e de fato são financiadores do projeto de Harvrd.

Um admirável internauta relativamente novo, para mim, foi o MDLF — o Media Development Loan Fund, capitalizado com um grande leque de doadores governamentais e do terceiro setor, entre eles o Departamento de Estado dos EUA.

Não dá para saber se esta Foundation for Media and Democracy seja o DeWitt Wallace Foundation for Media and Democracy ou a Schumman  Foundation for Media and Democracy — esta última almejada pelo projeto Influência Indevida, observatório de fundações suspostamente promovendo uma agenda “esquerdista.”


Ethan Zuckerman, do Centro Berkman, continua servindo no papel de corretor-jornaleiro.

A Rebecca MacKinnon — também do Berkman e autora do blog RCONVERSATION —  serve de um “hub” para Ethan.

O blog mora nos servidores e a rede da empresa Six Apart — conhecida por ter desenvolvida a primeira ferramenta de blogs muito bonita e bem avançada, a MOVABLE TYPE, e também pelo latífundio de samizdat digital TYPEPAD.COM. Emergiu da incubadora de ferramentas de blogagem montada pelos organizadores do BloggerCon.

Ironicamente, o blog SOCIALTRANSPARENCY.WORDPRESS.COM deixa de identificar o autor alem do nome com o qual as notas são assinados — Georg Neumann.

Algum xará chefia o grupo de Online Communications do Transparency International desde 2005. Antes, trabalhava no Ministério de Justiça alemão e num grupo de lobby pelo setor químico. Trabalhava na área de desenvolvimento econômico para o governo em Tijuana, Baja California, México.

Estou apenas no começo da análise destes dados, e vou parar de trabalhar agora por enquanto.

De repente, a maldita preguiça.