02BRASILIA4227 | Os Mil Anos do Otto Reich

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Cortejo do governo PT aos EUA — Portal ClippingMP | A reportagem é de O GLOBO de hoje.

Pouco mais de um mês antes de sua posse e sob o olhar atento dos mercados, o presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva e seus principais assessores demonstraram que o futuro governo de esquerda no Brasil seria mais alinhado com os Estados Unidos, na continuação de um esforço de se distanciar do venezuelano Hugo Chávez e do cubano Fidel Castro, segundo a percepção do Departamento de Estado americano, revelada nos documentos do WikiLeaks aos quais O GLOBO teve acesso.

Nossa, que furo de reportagem por parte de O GLOBO.

Estou lendo o mesmo telegrarma, lançado ainda hoje, e não estou vendo onde o texto dele chama Mercadante, por exemplo, de “radical.” Fala do “passado radicalismo” dele.

A matéria do Globo cola tanto do texto do telegrama original que chega a ter os mesmos subtítulo.

Melhor simplesmente traduzir o texto em questão, que aliás fala por si.

Numa reunião em novembro de 2002 entre Otto Reich, então subsecretário de Estado para o Continente, e Lula, José Dirceu, Antonio Palocci e Aloisio Mercadante, os petistas mostraram a participação no Fórum de São Paulo como uma tentativa de dar um exemplo democrático ao continente; disseram que grupos que operam fora do processo democrático, como as Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), não lhe interessavam; ao mesmo tempo em que prometiam uma diplomacia dura.

O que eu quis apontar, para acrescentar contexto ao episódio, é que esse tal de Otto Reich teve a grande sorte de ocupar uma posição de destaque dentro da diplomacia norte-americana em vez de uma cela num presídio federal, por atos e omissões durante seu tempo como Ministro de Propaganda Ilegal — chamada no caso de Diplomacia Pública.

É uma vergonha mandar um antidemocrata criminoso como o gerente de vendas da nossa democracia Made in the U.S.A.

Explico.

A universidade Geoge Mason mantém um arquivo com documentos sobre o episódio, que resume-se, em parte, assim:

O  Controlador-General dos EUA, indicado pelos Republicanos, determinou que certas atividades do  gabinete de diplomacia pública foram “atividades proibidas de propaganda clandestina,” que foram “muito além dos limites de uma diplomacia pública adquedada….” A mesma carta do dia 30 de Setembro de 1987 concluiu que o gabinete de Reich violou “a restrição no orçamento annual do Departamento de Estado vedando o uso de dineiro público para publicdade ou propaganda não autorizada pelo Congresso.”

O relatório da CPI do Caso Irã-Contras concluiu que o trabalho do gabinete não passava de propaganda e lobbying para interesses especiais, paga pelo contribuinte.

A assessoria da comissão de relações estrangeiras do Congresso concluiu que

“agentes veteranos da CIA com experiência em operações clandestinas, junto com especialistas em informações e operações psicológicas do Departamento de Defesa, foram essenciais ao estabelecimento do gabinete de Reich e participavam num programa de propaganda e operações psicológicas domésticas operando dentro de um gabinete escuro do State que respondia diretamente ao National Security Council, driblando os canais convencionais…. Utilizando contratros irregulares, sem licitação ou leilaõ, o S/LPD criou uma rede de pessoas e organizações comandada pelo Col. Oliver North e autoridadaes do NSC e S/LPD.  Estes indivíduos doaram dinheiro para influenciar os votos de congressistas e a mídia doméstica.  Esta rede canalizava dinheiro a contas nos Caimãs ou a contra secreta Lake Resources, na Suiça, que ficava á disposição pessoal de Oliver North.

E aqui vocês reclamam do abuso da ABIN pela Polícia Federal — à qual é capacitada a render ajuda e apoio.

Mais simplesmente, conduziram uma política externa paralela com dinheiro público, gasto para impressionar o público com o perigo dos Sandinistas e pressionar o Congresso a votar em favor de apoiar os Contras. O Congresso não quis.

Forjaram editoriais supostamente da autoria de Contras importantes e praticava a grande arte de reportajabaganda perante a imprensa de “qualidade” com dinheiro público — tratando o público domeśtico com se fosse o inimigo interno, precisando de indoutrinação.

O Congresso recusou, congelando apoio militar à guerrilha, mas Reich & Cia. insistiam. E deu que deu.

Pessoas acabaram presos, como o Col. North — hoje radialista neoconservador em rede nacional.

Tinham a temeridade de chamar este programa de “propaganda branca,” ou seja, “propaganda de bem.”

Acima, um subordinado de Reich gaba-se do seu sucesso expondo suas posiçãos no Wall Street Journal, Washington Post, New York Times, e a rede NBC.

Nessa nota ao Reich por um militar emprestado ao gabinete de propaganda clandestina, descreve-se como pessoal das forças armadas alistaram uma jornalista descolado para produzir propaganda a ser lido no plenário pelo presidente da casa, ao vivo na TV.

Depois desse debacle, a Diplomacia Pública foi extinta por um tempo. Clinton a ressuscitou.

É ultrajante um servidor público de carreira culpado desse tipo de comportamento não passar o resto da vida como um cadáver político — um intocável no sentindo indiano da palavra.

Em vez disso, vemos Reich em Caracas em abril de 2002, articulando apoio para o golpe que brevemente depus o Tio Hugo.

Monte de figuras dessa mesma qualidade acabaram trabalhando no governo de Bush ibn Bush.

Hoje Reich é sócio de uma consultora levando seu nome. Foi assessor do candidato John McCain em 2008.

Gastos na Diplomacia Pública durante a última década.

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