Sambollywood?

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Latin Business Chronicle está entusiasmado como o crescimento potencial da indústria de cinema no Brasil.

Deveria estar?

Os números da indústria de cinema brasileira são inéditos. Investmentos em mídia e entretenimento crescem na media que investidores locais e estrangeiros apostam na expansão de uma classe média com tempo e grana suficiente para visitar um shopping e assistir um filme.

Em 2009, 113 milhões de brasileiros frequentaram o cinema, um aumento importante sobre os 89 milhões em 2007 e 2008 e perto do recorde estabelecide em 2004, com 117.4 milhões de ingressos vendidos, segundo a Filme B, instituto de pesquisas sobre a indústria. Brasileiros gastaram R$970 milhões, ou seja, US$570 milhões na bilheteira no ano passado, um aumento sobre os R$700 milhões de 2007 e 2008 e duas vezes os R$357 milhões gastos dez anos atrás. .

O Hollywood vendeu 1,25 bilhões de ingressos ainda neste ano, valendo $9.8 bilhões — ou seja,  R$16.6 bilhões, 30 vezes o recebido pela indústria brasileira.. E vendas tinham caidas 12% em comparação com 2009.

Mais ou menos, cada um de nós assistiu pelo menos cinco filmes na sala de exibição.

O preço médio de um ingresso nos EUA foi $7.50, ou seja, 0.9% de um sálario mínimo mensal.

O ingresso médio no Brasil, segundo Luiz Carlos Merten do Estadão, foi de R$15 — ou seja, quase 3% de um salário mínimo mensal.

Sobre o Bollywood, não tenho fatos na mão — só a anedota do livro McMafia, de Misha Glenny, de que suas produções são pesadamente financiadas pelo crime organizado.

A indústria brasileira de cinema ainda está longe donde quer chegar — um tipo de Bollywood sulamericano..O Bollywood produz 90% dos filmes assistidos por audiência nacionais.  No Brasil, menos que 14% dos filmes exibidos são nacionais. Para mudar o fato, dizem especialistas, o Brasil precisa não somente de mais capital mas também de muito mais infraestrutura para a indústria.

Seis anos atrás, governo do Brasil introduziu uma iniciativa pretendendo resuscitar a indústria com legislação permitindo investimentos privados em filmes produzidos no Brasil, por brasileiros.

Qual o balanço dessa legislação na prática?

Desde então, fundos de investimento de São Paulo, como o Grupo Lacan, e grandes bancos andam estabelecendo os chamados “Funcines.” BNY Mellon está acumulando um fundo deste tipo agora, segundo a CVM. No fim do terceiro trimestre, os Funcines totalizavam R$130 milhões — US$76.5 million — um aumento sobre os R$100 milhões disponíveis em 2009. Quando o fundo do BNY abrir as portas, 2010 baterá todos os recordes para investimentos em cinema no país. .

Avatar sozinho custou R$510 mihões.

Obviamente, não adianta muito comparar um mercado saturado faz quase um século com um mercado virtualmente estagnante e sufocado durante aquele mesmo tempo, e só agora começando a crescer um poquinho — no número de produções nacionais, se não no número de bundas nas poltronas durante a exibição das mesmas.

Tampouco pretendo saber como fazer o mar virar sertão e o povo brasileiro virar cinéfilo de dia para noite.

Se tivessemos cem mil alemãos trazendo aspirina e cinemas aos grotões, como no filme, talvez ajudaria.

Um passo possível pode ser encarar o que os textos de economia dão como a definição de uma oligopsonia — um mercado com um número severamente limitado de compradoes.

Ou seja, as cadeias de salas de exibição.

O Filme B não fornece dados diretos sobre a concentração do mercado de salas de cinema, mais uma lista de salas agora equipadas para filmes tri-dimensionais dá uma dica:

Nos EUA agora, as dez maiores empresas de salas de exibição agora concentram 50% das telas.

Segundo um análise de sítio — falecido — Oligopoly Watch,

… os cinemas estão consolidando uma oligopsonia para se defenderem contra o oligopólio existente dos produtores.

Segundo este análise, a tendência sou teve um impacto leve no preço dos ingressos devido à concorrência de loucadouras e PPV no TV a cabo. Aquí, as edições paraguias minam as locadouras oferecendo o DVD para comprar a um preço inferior do aluguél.

No Brasil, ainda não entendendo os números fornecidos pelo ANCINE, mas parece que FOX, SONY-DISNEY, e PARAMOUNT-UNIVERSAL são hegemônicos enquanto a distribuidora independente nacional que mais se destaca seria o PLAYARTE.

FOX sozinho deteve 38.62% do público em 2009, campeão entre as 52 distribuidoras enumeradas. WMIX parece constar entre as distribuidoras nacionais mais bem-sucedidas.

O documentário Simonal: Ninguém Sabe o Duro Que Dei, merecia muito mais que as 71,462 espectadores que rendeu ao RIOFILME.

Alguém me diga — me mande uma planilha se puder — algo quantiativo sobre esse negócio de salas e ingressos ao preço de diamantes. Ao lado do preço de livros, é um dos fatos econômicos mais suprendentes dessa nossa querida Samboja, nos olhos do marciano eu.

Ah, parece que é o Sistema de Acompanhamento da Distribuição em Salas (SADIS) que estou querendo consultar. Primeiro, a soneca e depois, uma olhada. Parece que se apoia bastante nos números divulgados pelo Filme B — que evita respondendo à pergunta “quem somos?”

Uma busca pelo Filme B na JUSCEP retorna quase 300 produtoras de filmes. Opa! Se cada uma lançasse um filme por ano, a gente divertia-se bem. Mais a empresa é, na verdade, ASSOCIADA AO SINDICATO DAS EMPRESAS DISTRIBUIDORAS CINEMATOGRÁFICAS DO MUNICIPIO DO RIO DE JANEIRO.

Filmes Para Boi Dormir, Ltda — CNPJ 06.232.605/0001-94 — eu adoro, embora so produz filmes de propaganda, na Santa Efiigênia, nada menos — que nem o Jean Manzon.