Meu Cadáver Não Sofre Mais da Solidão

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É meu cadáver? Já caiu no esquecimento?

Lembre-se de que eu recomendo a adoção de cadáveres inexplicados de vez em quando como um ato, se quiser, de caridade cristã. Para quem não tem o tempo de servir de voluntário em ONG qualquer, a adoção de um único cadáver duvidos, gastando dez minutos por dia para medir o podridão do mesmo, já vale alguma coisa.

“Ame ao cadáver do próximo como que você amasse a seu próprio.”

Sem muita notícia do meu cadáver do momento, o vereadro Romazzini de Guarujá, apenas uma nota — boa — da bancada PT na Assembleia Legislativa de São Paulo

Só que foi divulgado antes do assassinato do prefeito do PSDB em Jandira. O Braz Walderi Paschoalin.

Eu me sentiria mais à vontade nesss sua maluca cidade se os partidos políticos lamentassem os assassinatos de quadros dos outros partidos.

A matéria é de Fausto Figueira. Vou traduzir para inglês ver.

Ainda vivo a dor da perda de um companheiro, o vereador Luis Carlos Romazzini, crime que a Polícia promete esclarecer rapidamente.

Há poucos dias, assistimos à ocupação do Complexo do Alemão pelas forças da lei. Finalmente, com a intervenção do Governo Federal — enviando tropas da Marinha, Aeronáutica, Exército, Polícia Federal, Polícia Rodoviária –, o Governo do Estado do Rio de Janeiro agiu e retomou para a sociedade um território que a ela pertence de fato.

Foi vencido o crime organizado no Rio de Janeiro? Longe disto. O crime organizado continua presente na Rocinha e em tantas outras áreas ainda ocupadas pelo tráfico de drogas e pelas milícias; o crime organizado continua presente na escandalosa banda podre da Polícia. É o mesmo crime organizado que elege vereadores, prefeitos, deputados, tem ramificações no Judiciário, em igrejas, e que tenta se apoderar dos instrumentos do Estado.

É grave equívoco a conclusão midiática de que o bem venceu o mal. É erro grave a impressão que a guerra terminou.

Esta guerra vai durar uma década, não duvido. Eu acho que os verdadeiros heróis da luta vão ser pacatos contadores navegando as mazelas de empresas-fachadas pelas quais o dinheiro sujo se lava. 

Estamos nós na Baixada Santista distantes desta realidade? Não, esta também é nossa realidade! O crime organizado está presente de maneira escancarada, dominando favelas, cobrando proteção, impedindo a livre circulação de cidadãos – e da própria polícia! — aqui na nossa região.

No Guarujá, em Cubatão, em São Vicente e em Santos podemos constatar a presença ostensiva de traficantes armados dominando o Dique, o Morro do Tetéu, Morro de São Bento, México 70, Dique de Sambaiatuba.

Se realmente desejamos que as cenas do Rio não se repitam por aqui, precisamos enfrentar a dura realidade que nos atinge. A morte do vereador Romazzini explicita um cenário de violência e impunidade em nossa região que precisa ser escancarado, para que possa ser enfrentado.

Infelizmente, nosso correspondente petista quer introduzir novos cadáveres no caso.

Suspiro e faço um google para saber de quem se trata.

Antes do Romazzini, foram mortos no Guarujá os ex-vereadores Orlando Falcão e Ernesto Pereira e o candidato a vereador Willians Andrade Silva. No início deste ano, o secretário de Governo do Município, Ricardo Joaquim Augusto de Oliveira, foi sequestrado.

Em Cubatão foram mortos o vereador João Santa de Moura Villar, o Tucla, o ex-vereador Anis Rahal Maluf, e o ex-prefeito Clermont Castor foi baleado.

Os crimes de maio de 2006 e os crimes do início deste ano não têm autoria identificada. Estão aí as ” Mães de Maio” clamando por justiça e nada foi apurado.

Lá tem cadáveres suficientes para montar todos os times do Brasileirão.

A impunidade é um convite para que a violência seja uma prática.

Não podemos mais aceitar que a criminalidade seja comandada em nosso Estado por bandidos de dentro dos presídios, através dos seus celulares, que ali têm entrada livre, telefone este que qualquer cidadão se vê privado ao entrar em uma agência bancária.

Nossas cadeias, nossos presídios são dominados por facções. PCC, Comando Vermelho, Serpente Negra … O sossego e silêncio de nossos presídios são negociados, e quando se negocia com os criminosos fica impossível romper com a violência e viver plenamente o Estado de Direito.

Com o desenvolvimento proporcionado pela Bacia de Gás e Petróleo de Santos, pelo grande crescimento esperado para o Porto de Santos, é fundamental que se estabeleça para a população local acesso às riquezas e bens que aqui serão produzidos, sob pena de aprofundarmos o apartheid social que já existe, o que tornará insustentável a nossa vida.

Complexo do Alemão, Baixada Santista, Romazzini são faces da violência, do crime organizado, do mesmo problema que temos que ter a coragem de enfrentar!

Sem esquecer a Jandira.