Caos em Ypsilon Brooklyn!

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Caos na cidade! | NY Times. Ou, nem tanto.

Olhem só minha cidade querida de Brooklyn após a “nevasca infernal” do fim de semana. Tão linda.

“Nem ligam para Brooklyn, cara,” disse Tito Ernest, de 32 anos, enquanto tentava excavar seu carro Honda, preso no meio da encruzilhada de Rutland Road e Rockaway Parkway. “Poderiam começar limpando as ruas ontem anoite, mas nada.”

John J. Doherty, secretário municipal de saneamento, que coordena a remoção de neve, disse que entende a frustação de pessoas, mas pediu cooperação, paciência e um pouco de perspectiva histórica. O secretário lembrou que em 1996 o município levou 34 horas para tirar 51 centimetros de neve das ruas, aproximadamente a mesma quantidade que tinha caida até segunda-feira.

“Eu gostaria bater aquele desempenho,” disse. “Vamos ver se conseguirmos.”

Me lembro muito bem daquela nevasca de 1996, ou outra parecida da época.

Eu estava trabalhando perto de Times Square, de meio-noite até oita da manhã, de sábado para domingo.

Emergi numa cidade vazia, silenciosa. A neve abafa os sons, é meio unheimlich. Pela primeira vez, me senti dono daquilo tudo.

Apesar de reclamações de favoritismo,autoridades dizem que tirando neve das ruas não tem nada a ver com fatores geográficos — digamos, ajudando alguns bairros ou vizinhanças antes dos outros — e tudo a ver com o tipo de ruas na região.

O plano de remoção divide as vias da cidade em três categorias: artérias, secundárias e terciárias. Artérias são vias principais, que costumam ser rota de ônibus e são desobstruidas primeiro. A segunda prioridade são as secundárias, geralmente as vias retas que alimentam as artérias. Vias terciárias, as estreitas e às vezes curvadas que alimentam as ruas secundárias, vêm em último lugar.

Estas prioridades fazem com que a ilha de Manhattan, com sua concentração de artérias, seja atendida primeiro.

Fica reduzido a um problema de topologia. Seguem dois parágrafos de explicações técnicas. A cidade conta com 1.700 caminhões de lixo com arado fixo no bico.

Nós temos a sorte de viver numa rua tranquila que, aliás, bem pertinho, desemboca no Eastern Parkway, grande via que termina no Champs D’Elysee de Brooklyn.

Trabalhando na reportagem do jornal sobre os eventos na região foram

Charles V. Bagli, Sam Dolnick, Susan Dominus, Joel Elliot, Kareem Fahim, J. David Goodman, Elissa Gootman, Elizabeth A. Harris, Christine Haughney, Patrick Healy, Winnie Hu, Corey Kilgannon, Colin Moynihan, William Neuman, Andy Newman, Sarah Maslin Nir, Janet Piorko, Liz Robbins, Noah Rosenberg, Emily S. Rueb, Fernanda Santos, Mosi Secret, Tim Stelloh, Matthew L. Wald e Michael Wilson.

Entretanto, na Samboja, a radiografia de um caos que ficou no “crise latente” neste feriado, por sorte — O Globo.

As razões da crise vão muito além de eventuais chuvas e trovoadas. E as mais importantes delas estão à vista de todos, nestes dias em que, mais uma vez, aviões transitam sem qualquer compromisso com o relógio.

Qual crise?

Ontem, as previsões da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) de atrasos de no máximo 18% dos voos estavam superadas às 13h, quando quase 19% das partidas não haviam ocorrido como programadas. Apenas no Galeão, 24,6% das decolagens para trajetos domésticos estavam, àquela altura, com estouros de mais de meia hora.

Em entrevista ao GLOBO, o brigadeiro Adyr da Silva, ex-presidente da estatal Infraero (1995-98), deu números básicos da crise: os aeroportos comportam o movimento de 115 milhões de passageiros/ano, mas tem passado pelos portões de embarque e desembarque algo na faixa dos 150 milhões de pessoas.

Se a estatal não tivesse ficado prisioneira de nomeações fisiológicas do governo Lula, o país poderia ter escapado da necessidade de correr contra o tempo para não passar vergonha de 2013 — quando haverá a Copa das Confederações, antessala da Copa do Mundo do ano seguinte — a 2016, nas Olimpíadas do Rio.

A média de vôos atrasados em todos os aeroportos estadounidense no ano inteiro foi nos arredores de 25% — e lá em casa, contamos apenas voôs atrasados 60 minutos ou mais.

Neste fim de semana, todos os três grandes aeroportos de Nova York foram fechados, os ônibus não andavam, um linha importante do metrô — a linha A — deixou passageiros ilhados por seis horas, e não havia o CPTM de lá, o Long Island RR.

Entretanto, na Samboja, “medo do caos aéreo ajuda a demanda por ônibus.”

Quer saber uma coisa? Na verdade, o sistema brasileiro de ônibus interurbanos é notávelmente melhor do que o nosso — que fica dominado por uma única empresa faz décadas. Estou falando com alguém que já pegou a linha mais barata de São Paulo para Salvador.– da Bahia! — uma vez. A dor na bunda logo passou.

É bem verdade, no entanto, que o Rodoviário Tietê fica meio caótico durante essa temporada. No ano passado, a fila maior fora a de reabestecer a bilhete única, me lembro. Peguei taxi.