Chiquita Sacana | Os Arquitetos do Golpe Hondurenho

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Uma República de Bananas de Novo? | Center for Media and Democracy — Brendan Fischer do Observatório de Relações Públicas pretende demostrar um paralelo histórico entre o golpe do ano passado em Honduras e o golpe de 1954 na Guatemala.

Em 1950, Jacobo Arbenz Guzman foi eleito com 65% do voto, and Chiquita percebeu suas reformas agrárias como uma ameaça aos seus interesses. A empresa, com a ajuda do pai das relações públicas modernas, Edward L. Bernays, entrou numa guerra de propaganda que conseguiu convencer o grande público norteamericano de que Arbenz fosse um comunista perigoso que não podia ser permitido a permanecer no poder.

Sobre o Bernays, um sobrinho de Freud que trabalhava na propaganda dos Aliados durante a Segunda Guerra, Mundial, veja também

No auge da histéria de macartismo, o Eisenhower mandou a CIA derrubar o Arbenz em uma operação clandestina em 1954. A CIA armou e treinou um “exército de liberação nacional”  comandado por um oficial do exército guatemalteco, e empregou essa força junto com uma campanha diplomática, econômica e propagandística.

Na época, enquanto o povo norteamericano lia no jornal que uma “revolução” tomava lugar na Guatemala; a participação da CIA foi sempre alegada. Essa participação foi confirmada em 1997 com a divulgação de milhares de documentos. O golpe levou a uma guerra civil de 40 anos que matou 200 mil pessoas e “sumiu com” outras 100 mil.

Na sua biografia de Bernays, The Father of Spin — «O pai da enganação» — Larry Tye conta como o  Bernays começou a trabalhar como o assessor de relações públicas da Chiquita ainda no começo dos anos 1940s, vendendo bananas dizendo que sarariam doenças e que seriam “boas pela defesa nacional.” A empresa emprestou suas navios às forças armadas durante a Segunda Guerra Mundial.

Quando o governo guatemalteco se mostrou preocupado com a maioria carente dos cidadãos, Bernays começou um “blitz” de RP procurando pintar o governo esquerdista de comunista.

Aconselhou a Chiquita a achar um político latinoamericano de peso que condenaria as ações do governo Arbenz, tal como a contratar advogados de elite para derrubar o fundamento jurídico das reformas.

Bernays infiltrou matérias nas revistas nacionais sobre “a influência crescente dos comunistas guatemaltecos,” pressionou o jornal New York Times no sentido de destacar jornalistas simpáticos à causa, e até conseguiu cobertura favorável à tese do cliente em revistas esquerdistas como The Nation.

Em 1952, Bernays trouxe um grupo de jornalistas à região, com todas as despesas pagas pela Chiquita, para “recolher dados” — só que tudo que os jornalistas ouviram e viram foi cuidadosamente encenado e gerenciado pelo anfitrião.

Quando artigos apoiando os factóides da Chiquita eram divulgados, Bernays oferecia distribuir recortes do artigo a autoridades e outros formadores de opinião, sempre descolando algum deputado federal para reproduzir o artigo nos atos oficiais do Congresso.

Bernays também estabeleceu uma rede de “arapongas” que fariam “uma pesquisa particular” da “situação política e ideológica” na Guatemala, alimentando a imprensa com relatórios forjados como se viessem de uma “fonte autoritativa” ou de uma “autoridade anônima da comunidade de informações.”

Durante todo o conflito, Bernays sempre era uma fonte principal da imprensa. Quando a invasão dos fuzileiros norteamericanos começou, foi ele que forneceu os primeiros relatórios sobre a situação à imprensa estadounidense.

Segundo o Fischer, dessa vez a Chiquita, relutante de ser identificada com o movimento golpista, escondeu-se atrás de uma entidade de classe no estrangeiro, o Conselho Empresarial de América Latína | CEAL.

A empresa e essa «câmara de comêrcio» — juridicamente independentes — faziam um lobby duplo coordenado, sem ser obrigrada a divulgar detalhes da campanha, segundo denuncia o Fischer.

Contrataram um antigo homem de confiança do presidente Clinton, Lanny Davis — o mesmo que agora admite ter sido lobista do homem forte da Costa de Marfim, até pedir demissão só ontem, dia 30 de dezembro de 2010 sob grande pressão da opinião pública.

A Chiquita já foi condenada por ter dada apoio logístico aos paramilitares de Colômbia — um movimento que constava na lista oficial de grupos de terrorismo dos EUA na época.

Fez um acordo com a Justiça e pagou uma multa de $25 milhões.

O CEAL contratou o Lanny Davis e sua associada Eileen M. O’Connor do escritório de advogacia Orrick, Herrington & Sutcliffe, LLP. Apoiando seu  trabalho foram Bennett Ratcliff e a firma de Chlopak, Leonard, Schechter and Associates, contratados pelo governo hondurenho. Davis, um operador político veterano, foi elogiado pelo  G. Gordon Liddy como “o homem capaz de defender o que não tem defesa.”

Davis fez as manchetes ultimamente como o “pai de enganação” do político Laurent Gbagbo, da Costa de Marfim. Este recusou a deixar o poder após perder nas eleições de novembro de 2010 no país, e desde então comete o que a ONU chama de “violações maciças” de direitos humanos.

Segundo o Robert White, antigo embaixador e atualmente o presidente do Center for International Policy, “Se quiser entender quem estiver atrás do golpe, precisa saber quem paga a conta de Lanny Davis.”

Se o relatório tiver falta, é não identificar nominalmente as agências de RP contratadas para realizar as referidas campanhas.

O “blitz” hondurenho de 2009 seguia à risca modelo do golpe de 1954. Davis trabalhava com o antigo ministro de relações exteriores e ministro do supremo tribunal hondurenho, Guillermo Pérez-Cadalso, preparando-o para o depoimento â commissão de assuntos estrangeiros do Congresso. Davis também prestou depoimento.

“Especialistas” jurídicos da extrema direita honurenha abasteciam essa campanha com argumentos jurídicos “inovadores” sobre a lisura de tirar o Zelaya do poder. Estes chegaram a ser citados por um relatório oficial do governo. O lobby hondurenho parece ter organizado viagens ao país por legisladores. Organizou coletivas com jornalistas sobre sua interpretação do golpe  e plantaram editoriais em jornais e revistas.

Davis apareceu em programas de entrevistas na TV e escreveu editoriais em nome próprio alegando a constitucionalidade do golpe.

É difícil saber quanto dinheiro foi fornecido pela Chiquita ao CEAL — equivalente ao U.S. Chamber of Commerce — durante a ofesiva publicitária que apoiva o golpe.

Pelas razões já sabidas, a empresa queria manter certa distância dos eventos..

Assim, enqunto Lanny Davis promovia o CEAL e o golpe, a Chiquita mantinha lobby próprio, pagando $140 mil ao escritório de McDermott, Will & Emory em 2009. Chiquita trabalhava com McDermott faz muito tempo, desde pelo menos 1999. Como a Chiquita é uma empresa norteamericana, o lobby feito em nome dela não precisa ser divulgado.

Até 1998, a empresa contratava Public Strategies Washinton, que representa  Reuters e a Câmara de Comêrcio, entre outras entidades.

Durante o crise deflagrado pelo golpe, Chiquita e o CEAL mantinham lobby separados  e assim conseguiram evitar denúncias de intromissão na política hondurenha.

Até o tercerio trimestre de 2009, no entanto, o golpe não fazia mais manchetes. Por isso, poucos deram conta quando o Davis e a O’Connor deixaram Orrick, Herrington & Sutcliffe e começaram a trabalhar no McDermott, representante da Chiquita.

O CEAL acabou seguindo no passos dos seus lobistas, virando cliente do McDermott.

O CEAL cita vários parceiros brasileiros, entre eles Odebrecht, Itaú, Camargo Correa, Gerdau, Suzano e, na vice-presidência, as Orgs Globo.

Sobre o Silex Trading, a seguinte notícia de março do ano passado.

Mantida a ação de improbidade administrativa contra o ex-presidente do Banco do Brasil S/A, Paulo César Ximenes Alves Ferreira, e o ex-diretor da área Internacional, Ricardo Sérgio de Oliveira. A ação investiga supostos favorecimentos prestados pelo banco à empresa Silex Trading, de propriedade de Roberto Giannetti da Fonseca, ex-integrante da equipe econômica do governo Fernando Henrique Cardoso, via empréstimos e benefícios, em prejuízo do erário.

Acima, parceiros do programa Parceiros na Educação do grupo no Brasil.

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