Buemba de Google | Os Tupis Que Copiavam

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O jornalismo de Ctl-C, Ctl-V, é uma forma de plágio incentivado.

Caso recente:

“A internet,” na pessoa de “alguns blogs,” levanta suspeita. Quais blogs?

Ainda segundo alguns blogs, a marca da fundação foi inspirada no quadro de Henri Matisse, chamado “A Dança”. A suspeita de plágio em relação à logo da Telluride Foundation é ainda maior quando comparado à marca usada para promover o Carnaval de Salvador de 2004. O desenho é muito parecido.

O quê vocês pensam?

O logotipo da Telluride apresenta quatro figuras humanas dançando, com mãos dadas. Cada figura tem pernas.

Ambos copiam o estilo de Matisse, segundo a reportagem.

O logotipo das Olimpíadas do Rio apresentam a mesma cena, só que os três dançarinos formam um círculo fechado — e lhes faltam pernas.

Me parece mais parecido, nesse aspecto, com o velho logotipo do projeto Ubuntu.

Os cores são parecidos, é verdade, mas o logotipo das Olimpíadas apresenta a transição entre os tres cores fundamentais do esquema RGB — vermelho, verde e azul.

Naturalmente, dá mais destaque ao verde e ao amarelo, cores do país-anfitrião.

No logotipo da Telluride, são cores sólidos, talvez pensando no esquema CYMK.

O esquema RGB-VVA, por ocaso, é a propriedade intelectual de alguém?

Se fosse, eu teria que pagar cada vez que eu emprego o software de edição de imagens GIMP, suponho.

Os três logos e a pintura invadiram a internet em apenas dois dias.

Ontem, em uma busca no Google usando os termos “plágio”, “logo” e “2016”, o site registrava cerca de 45 mil resultados.

Qual «site»?

Uai, todo mundo sabe que uma busca simples no Google não identifica nenhum sítio único, junto com o número de repercussões dele.

Por isso, utilize o Yahoo Site Explorer ou ferramenta parecida.

No Google, a busca referida — «retorne qualquer página que contiver pelo menos uma dessas palavras» — traz quase 50 mil resultados, é verdade.

Entrentanto, a busca em +plágio +logo +2016 — «retorne apenas páginas com todas essas palavras» — traz quase 69 mil resultados. Curioso.

A mesma busca traduzida para o inglês —«+plagiarism +logo +2016» — retorna 147 mil resultados.

Já a manchete “Logomarca das Olimpíadas 2016 está sob suspeita” é repetido textualmente em mais que 50 jornais brasileiros.

A manchete mais comum na imprensa inglesfalante, “Rio 2016 logo designers deny plagiarism” — «idealizadores do logotipo negam plágio» — é repetida textualmente 3 mil vezes nos resultados de uma busca simples no Google.

O fato se explica pela orígem da manchete — uma reportagem da agência AP, repercutida por todo que é jornal quase desde a idade dos dinossauros.

Esse tipo de busca “entra aspas” retorna textualmente, letra por letra, a frase buscada.

A AP cita “a mídia brasileira” como fonte da denúncia. Mas onde começou, concretamente?

A logo da Rio-2016 foi concebida pela agência Tátil.

O idealizador da marca, Fred Gelli, disse que o Comitê Organizador do Rio 2016 e o Comitê Olímpico Internacional se precaveram para evitar suspeitas de plágio.

“O Comitê Rio-2016 e o COI realizaram extensa busca mundial de marcas que tivessem elementos presentes na marca da Rio-2016. E avaliaram que as marcas encontradas não apresentavam conflito com a dos Jogos.”

Sem informar os critérios técnicos utilizados nesse tipo de pesquisa, qualquer reportagem sobre a questão não vale a tinta que fica no peixe que ela embrulha.

A fundação Telluride é presidida pelo general pijamado Norman Schwarzkopf, comandante da primeira invasão do Iraque.

Recebe verbas do departamento de Saúde federal por realizar o registro de pessoas em planos de saúde governamentais.

Hipótese: uma semelhança trivial e mambembe dessas não deflagra uma controvérsia desse tamanho entre os LSDs — latifúndios de samizdat digital — de blogueiros anônimos dentro de poucos dias sem coordenação central.

A badalada bomba de Google facilmente pode se montar por um punhado de pessoas.

A bomba brasileira provavelmente não passa do eco indistinto de uma bomba maior na imprensa inglesfalante, que repercute uma bomba menor providno de alguma fonte nativa não-identificada.

A fúria e o barulho provavelmente não significam nada.

A agência apresenta uma explicação detalhada do projeto de criar da logomarca, aliás.

Veja também a busca por imagens sob a palavar-chave «ciranda».

Do artista plaśtico Julio Gentil, por exemplo.

Outra:

O uso de lugares comúns na construção de logomarcas — o coração simbolizando o amor, a cruz simbolizando a misericórdia — me parece quase inevitável.

Quém e dono da grife Amor? Do Sexo?