Erenicegate | “Aguardando as Apurações”

Padrão

Minutos após dizer no Congresso que em seu governo “não haverá compromisso com o erro, o desvio e o malfeito”, a presidente Dilma Rousseff cumprimentou no Planalto a pessoa que encarnou tudo isso durante a campanha presidencial: a ex-ministra Erenice Guerra.

Eu também reconheci a Erenice durante a cobertura do posse pela Globo — notável esta, entre outros indícios de amadorismo total, pela incapacidade dos comentaristas da rede de reconhecer qualquer autoridade estrangeira a não ser o Tio Hugo e a Hillary.

Normalmente, no primeiro dia do ano,  minha familia sempre assistia o desfile do Torneio de Rosas, parte de um campeonato tradicional de futebol americano universitário.

Os locutores sempre vem armados de informações detalhadas sobre todo que passa pela rua, desde o número de flores no carro alegórico até a história de uma banda de música vindo dos grotões do país. “Venderam bolachas — de chocolate, com nozes — para pagar a viagem.” Cada banda é ouvida por vários minutos, e o nível de engenharia de som é muito bom.

Os locutores da Globo só pararam para ouvir a banda da Guarda Presidencial quando esta tocou o «jingle» da NET. Juro.

… Agora eu sou NET
Não há escolha, eu tenho que ser NET
TV a cabo, só tem aquele NET …

A ex-ministra Erenice Guerra recentemente teve seu processo contra a revista Veja extinto. De novo, segundo a Folha,

Antigo braço direito de Dilma, a ex-chefe da Casa Civil foi afastada após denúncias de tráfico de influência envolvendo sua família. O “Erenicegate”, como ficou conhecido o escândalo, ajudou a levar a eleição presidencial para o segundo turno.

Durante a campanha, a seleção anticontinuista evitou comentar o caso — após comentar o caso.

O candidato à Presidência pelo PSDB, José Serra, evitou comentar neste domingo (12/9) as acusações de tráfico de influência que envolvem a ministra-chefe da Casa Civil, Erenice Guerra. Em reportagem da revista Veja, a ministra foi citada como responsável, juntamente com seu filho, Israel Guerra, por um esquema de lobby para empresas interessadas em negociar com o governo. “Vamos aguardar as apurações”, afirmou.

Tem mais resultados de Google sobre Israel Guerra do que sobre as guerras do Israel. Coitado do analista de sistemas mineiro, xará do filho da ministra.

Embora isso, segundo o mesmo relato do dia 12 de setembro,

Ontem, antes do comício em Goiânia, o tucano havia classificado a Casa Civil de “centro de maracutaia do governo” e cobrado investigações sobre o caso de tráfico de influência. (AE)

Num primeiro momento, não consigo saber quase nada do caso no noticiário brasileiro, por meio de uma busca de Google News. 

Naturalmente, partidários da “presidenta” empossada ontem denunciam um denuncismo divorciado dos fatos.

O que eu acho impressionante é a falta quase por inteiro de qualquer explicação de (1) os atos cometidos pela ex-ministra e (2) as regras sobre conflitos de interesse do governo federal supostamente violadas.

A ex-ministra foi punida por ter faltada com a divulgação obrigatória

Por unanimidade, os cinco integrantes da Comissão de Ética da Presidência da República decidiram nesta sexta-feira (17) punir com “censura ética” a ex-ministra-chefe da Casa Civil, Erenice Guerra, por não ter encaminhado à Presidência sua Declaração Confidencial de Informações (DCI) quando assumiu o ministério, no final de março.

O caso parece ter revelado uma certa de falta de definição nas regras.

Também foi decidido na reunião de hoje que, a partir de agora, toda autoridade que tomar posse deverá entregar a seu DCI em até dez dias. Caso não entregue após o prazo inicial, haverá reiteração do pedido e, se não responder após primeira reiteração, a autoridade sofrerá uma advertência. No caso de Erenice, houve duas reiterações, e a ex-ministra não justificou até agora, quase seis meses depois, porque não entregou a DCI.

Segundo Miriam Leitão, o Israel

… admitiu ter recebido esse dinheiro como propina para viabilizar contrato de uma empresa de transporte aéreo com os Correios.

– Se ele admitiu que recebeu e se acha que aquilo é indevido, ele é culpado. Então, vai pagar por isso. Agora, daí a fazer qualquer relação com a minha campanha são outros quinhentos – afirmou a Dilma, dizendo que “não pode ser responsabilizada pelo que faz o filho ou o parente de alguém”.

Apesar de ter trabalhado sete anos ao lado de Erenice, quando era ministra da Casa Civil, Dilma disse que, até hoje, “nunca viu nenhuma prova e nenhuma ação inidônea da ex-ministra Erenice”.

Depois, segundo o Noblat,

Israel Guerra culpa consultor de empresas Fábio Baracat, afirma que é alvo de “denuncismo” e promete abrir sigilo. Nova versão contrasta com o e-mail enviado à revista “Veja”, no qual filho de Erenice admitiu ter emitido notas fiscais

O filho da ministra da Casa Civil, Erenice Guerra (foto), Israel Dourado Guerra, 32, disse ontem à Folha que foi “enganado” pelo consultor de empresas Fábio Baracat.

“Eu fui enganado por aquele rapaz. Ele se dizia dono da empresa, se dizia ser sócio. Ele se mostrava como um empresário bem-sucedido, bem-intencionado”, afirmou o filho de Erenice.

Alexandre Porto comenta, no Brasilianas

Embora possa parecer legal, o filho de um ministro não pode fazer esse tipo de consultoria. Dá margem a todo tipo de especulação e prato feito para crises fabricadas.

Parece ser a avaliação certa. Uma autoridade é obrigada a evitar não somente o conflito de interesses mas também a aparência de conflito.

Ministra enredada na defesa conta denúncias não pode dedicar tempo integral ao interesse público.  Tem que sair.

Ainda assim, o Edgard, outro Brasiliano, faz uma proposta sensata.

Acho que deveríamos fazer um levantamento dos empresários que tiveram reunião na Casa Civil. Talvez esse levantamento mostre que até a Folha tenha ido à Casa Civil. Prova de crime da Folha? Não … Prova de que a Casa Civil recebe inúmeros empresários todos os dias, e não dá pra basear uma denúncia pelo fato de alguém ter tido uma reunião com a Erenice Guerra.

O processo interno acaba de se encerrar.

O processo administrativo interno que apurava as denúncias contra a ex-ministra da Casa Civil, Erenice Guerra, foi encerrado sem indicar qualquer punição aos envolvidos. A portaria que determinou o fim da investigação interna foi assinada pelo agora ex-ministro Carlos Esteves Lima em seu último ato, e publicado em edição extraordinária do “Diário Oficial da União”.

A comissão interna sugeriu a abertura de um processo para apurar um convênio do ministério com uma empresa de telecomunicações firmado em 2005. O inquérito administrativo formado em outubro para investigar a ex-ministra foi prorrogado por duas vezes seguidas.

Uai, agora é uma empresa de telecomunicações? Até agora, o caso tinha a ver com transporte aéreo.

Desisto.

Anúncios