«A Mão Escondida dos Diplomatas»

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O New York Times conta algumas histórias cabeludas sobre o lisonjeamento de autoridades estrangeiras pela diplomaica nativa, e depois explica:

[Os governos de Arábia Saudita, Turquia, e Bangladesh, citados como exemplos no primeiro parágrafo da reportagem,] tinham algo em comum: uma escolha pendente entre a compra dos jatos comerciais da Boeing e os da Airbus.

A necessidade de aliciar sheikhs e outros homens fortes antidemocratas chega a preocupar.

Diplomatas norteamericanos se comportavam como representantes de vendas, oferencendo negociatas a chefes de estado e executivos do setor de aviação cujas opões podiam ser afeitadas por questões de preço, desempenho e — como acontece sempre com compradores abastecidos e melindrosos — benefícios especiais.

Assim é o mercado internacional para jatos grandes comerciais, no qual bilhões de dólares estão em jogo junto com  milhares de empregos bem-pagos. No fundo dos fundos, é uma luta livre travada cada dia por executivos de duas empresas enormes, a Boeing e a Airbus, cada uma das quais controle quase a metade do mercado global para jatos desse tamanho.

O mercado de aviões menores parece mais diverso — e marcado nos últimos anos pela concorrência acirrada entre sua  Embraer e a canadense Bombardier, entre outras, pela liderança. 

Além disso, parece ter melhores perspectivas de crescimento, de certo ponto de vista.

Jatos menores já cabem nas pistas existentes nos aeroportos do mundo em desenvolvimento — aliviando a pressão para reformas urgentes visando a acomodação de aviões grandes, que , alias, costumam voar quase vazios às vezes.

Até um nível antes desconhecido,  os diplomatas servem de agentes de vendas, segundo centenas de telegramas vazados pelo WikiLeaks, os quais descrevem apelos e politicagens dentro nos niveis mais altos dos governo envolvidos.

O que não chega a surprender.

Não é surprendente os EUA ajudarem empresas norteamericanas no exterior, uma vez que cada venda vale milhares de empregos e que os concorrentes das firmas estadounidenses fazem a mesma coisa.

Diferentemente dos outros telegramas vazados, porém, estes dão uma visão ampla de algo até agora vislumbrado apenas eventualmente  — nesse caso, a guerra de vendas entre diplomatas norteamerianos e européus.

A perplexidade de sempre é esta: Sendo patriota sobrinho do Tio Sam, deveria eu torcer para os Marinheiros de Seattle — Boeing, Microsoft?

Seria traiçoeiro de mim elogiar os jatos regionais da Embraer — que realmente são aconchegantes, embora não tenho experimentado os Bombaridiers, para poder comparar?

Entendo — não tenho certeza, mais ouvi falar — de que a manutenção dos jatos tupiniquins ainda custa mais, dito um efeito de escala na produção de peças de reposição.

A tendência da empresa parece ser um esforço gradativo no sentido de jatos cada vez maiores. Até 2030, podia até estar sonhando com um grande zepelim do tamanho do 747 — se houver mercado para tal.

É bom ter metas tecnológicas nos moldes de mandar um homem à lua, ainda que mais modestas.

Vocês acham o quê?

Ficariam choqueados se virasse à tona relatórios de diplomtas seus fazendo papo de vendedor dessa maneira?

Devem estar fazendo, em certa medida. A APEX precisa justificar o orçamento.

E ora, vocês não acabam de ganhar uma classsificação adequada pela carne bovina brasileira perante a FDA — facilitando ainda mais a expansão internacional do gigabifeiro JBS?

O circúito vicioso que eu enxergo continua sendo aquela relação dupla entre emopreiteiras militares e a diplomacia.

Quando o governo garante a renda domeśtica dessas empresas com gastos militares trilionários e ainda as promove no estrangeiro utilizando o dinheiro do contribuinte — e o discurso de livre comêrcio  — não sei.

Me sinto trapaceado de maneira meio inexplicável.

Por exemplo, se eu quissese concorrer a um contrato com o governo — como tradutor pejutizado, digamos — eu teria de investir primeiro em um plataforma de TI que se vende pelos preços típicos de um monopólio.

(Ou que se compra na edição paraguia na Santa Efigênia.)

Pior ainda, existe agora, que nunca na história de nosso país, a suspeita irrepremível da nossa indústria bélica ter virada «o rabo que abana o cachorro».

Vocês já sabem como é aquilo.

A gente gosta pensar que não tenhamos esse problema. Mas que temos, temos.