As Denúncias de Eva Golinger | Observações

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Apesar de compartilhar seu interesse na criação de «organizações enredadas» que servem como extensões da política do Estado, eu tenho evitado citar o trabalho da jornalista norteamericana-venezuelana Eva Golinger nessas travessias daquelas redes de alianças de redes de alianças.

Quando esta aceitou oficializar seu apoio ao governo venezuelano, virando editora de um jornal oficial governmental, o fato me incomodou, por exemplo.

Eu não tenho o moral nem de apoiar nem de me opor ao governo daquele país, do qual entendo quase nada.  Aliás, me sinto obrigado a resistir assumindo o papel de um hifenizado deste jeito.

Ainda assim, a jornalista está de olho em algums dos mesmos bois que eu já separei da manada também.

Ela, por exemplo, aponta a Association for Youth Movements — a associação para movimentos de juventude — como um núcleo importante de organização em rede e “criadouro de entidades virtuais” da diplomacia pública de Tio Sam.

Eu já cheguei a uma conclusão parecida.

No mínimo, assim, vale a pena apurar os fatos alegados pela jornalista boliviariana para ver se se confirmem.

Vamos rubricar algumas afirmações de fato alegadas pela jornalista e aplicar o teste da farinha, quando der tempo.

Não foi tão dificil assim chegar a conclusões paralelas, na verdade.

Tal como a Eva, eu me apoio em documentos livremente disponíveis ao público e trantando da estratégia de comunicações da nossa diplomacia pública.

Acho que se eu, amador que sou, consigo perceber o esquema, deve ser gritantemente óbvio demais e portanto constrangedor. Não sou diplomata, mas canso de ser apresentado a novos amigos brasileiros como ianque para imediatamente ser perdoado pelo fato. “Gringo, hein? Tudo bem, ainda podemos ser amigos.”

Não estou sozinho nessa opinião. Existem relatórios da própia USAID sugerindo que o melhor jeito de deixar de sermos vistos como um bando de safados seria parar de praticarmos safadezas.

«A Experiência Iugoslava, Reciclada»

Outro ponto levantado pela jornalista boliviariana que também apareceu durante minhas travessias foi a aplicação do modelo PROMEDIA, empregado pela USAID na antiga Iugoslávia durante os anos do Clinton masculino, à América Latina.

Segundo ela, foi produzido e divulgado um

… documental, “Derrocando a un Dictador”, …  por una productora estadounidense estrechamente vinculada con el Pentágono, la CIA y el Departamento de Estado. La obra se trata de como un grupo de jóvenes financiados y entrenados por las agencias de Washington y otros organismos internacionales, como el Instituto Sociedad Abierta del billonario húngaro George Soros, lograron derrotar al entonces jefe de estado de Yugoslavia a través de una estrategia de “golpe suave”.

Qual produtora?

Tem-se que admitir que poucos choraram a queda de Milosevic, mas no longo prazo, a experiência na exportação de democracia “pronta pelo microondas” foi um fracasso.

Los jóvenes fueron agrupados en una organización llamada “OTPOR” (Resistencia) que, siguiendo los lineamientos e instrucciones de varias agencias e institutos estadounidenses, como el Instituto Albert Einstein de Gene Sharp, el Centro Internacional para el Conflicto No Violento|  ICNC de Peter Ackerman y Jack Duvall, Freedom House, la USAID, la NED y el Instituto Republicano Internacional, ejecutaron una serie de acciones y mobilizaciones de calle para promover un estado de desestabilización permanente y provocar la “represión” del estado.

Antigos militantes do OTPOR palestravam nessas sessões com dissidentes latinoamericanos, segundo Golinger.

A campanha é frequentemente citada como um caso de sucesso, mas na verdade, constituido como partido político após a queda de Milosevic, o movimento conseguiu apenas 1.6% do voto popular.

O Instituto Einstein, entretanto, já negou vociferamente ter recebida fundos do governo estadounidense.

Ainda assim, não divulga um relatório anual desde o período 2001-2004 — documento que divulga apenas as finanças de 2000-2001 e deixa de detalhar este apoio.

Os apoios citados por Golinger vem do período 1993-1999, acima.

Faltando os dados financeiros de 2004-2010, porém, o protesto da entidade não deixa de aparecer meio oco.

A hospedagem do site nos servidores do BLUEHOST.COM aumenta a suspeita de que este latifúndio de faça-clique especializa-se na criação de alcachofras clandestinas — campanhas globais de inspiração ideológica escondidas atrás de camadas e camadas de ofuscação de autoria. .

A «Compra» de Jornalistas

A alegação mais injuriosa ao bom nome dos EUA no exterior é que a gente compraria jornalistas.

A Golinger não poupa a gente dessa denúncia.

Numa tentativa escancarada de esconder suas atividades, a diplomacia norteamericana censura os nomes de organizaões e jornalistas beneficiados pelo dinheiro.  Um documento, porém, de julho de 2008, que, sem querer, deixou aparecerem os nomes do grupos principais na Venezuela recipientes destes fundos: o Espacio Publico e o Instituto de Prensa y Sociedad, o “IPYS”.

Realmente censura? A Eva é muita habilidosa no uso da legislação FOIA — liberdade de informações — para conseguir estes documentos, mas talvez mistifica o processo um bocado. Bastante informação permanece disponível sem a necessidade de invocar a FOIA.

Espacio Publico e o IPYS são as entidades encarregadas com a coordenação e distribuição de milhões de dólares provindos do Departamento de Estado | DOS e canalizados a veículos privados de mídia e jornalistas venezuelanos pautados pelos interesses dos EUA.

Quantos milhões, se bem que seja isso?

Os documentos mostram que o PADF tem realizado programas na Venezuela pela “aumento da liberdade da mídia e instituições democráticas” e conduzido oficinas de treinamento de jornalistas no uso de “tecnologias inovadoras de mídia” contra supostas  “ameaças à liberdade de expressão” e  uma suposta “clima de intimidação e autocensura entre jornalistas e a mídia.”

Isto me parece também um secreto meio aberto.

No Brasil, segundo um «brochure» da PADF, e traduzo,

No Brasil, a PADF apoia um gama de projetos de educação em parceria com o Grupo Altria e a Philip Morris International. Este programa trabalha por meio de ONGs locais para doar computadores a crianças rurais, fornecer ensino técnico, e apoiar a alfabetização por meio de treintamentos de professores e iniciativas promovendo a leitura. Em 2005, o Altria doou uns USD170 mil.

Os herois de responsibilidade corporativa de sempre: os mercadores de tabagismo, que também apoiam o Instituto Cato faz décadas.

Agora, o jornalista bolivariana menciona várias organizações para mim inéditas, como o Fundo de Desenvolvimento Panamericano — PADF — e o Instituto Albert Einstein.

Segundo os documentos, a missão da PADF é “fortalecer jornalistas independentes com treinamento, apoio técnico e material, e maior acesso a tecnologias de rede que aumentam e diversificam a cobertura jornalística, buscando informar o público em tempo real sobre as questões mais importantes de política pública afeitando o país”.

Este propósito podia aparecer inocente, em tese, mas na realidade, a mídia comercial venezuelana e seus jornalistas, junto com agentes do governo estadounidense, manipulam e distorcem informações em apoio da noção do governo venezuelano como uma “ditadura comunista” que “reprime direitos humanos essenciais”.

Nada pode ser mais longe da verdade.

Verdade? Estamos lidando com adeptos da versimilitude aqui. A verdade nao costuma entrar.

O dinheiro da diplomacia  não somente paga propaganda anti-chavista  na mídia comercial. Também é utilizado para cooptar jornalistas do páis logo no começo da carreira — ainda estudantes — para influenciar sua visão da profissão e garantir sua lealdade aos interesses dos EUA.

Entre os programas do PADF — a entidade recebeu $699,996  do DOS em 2007 — é um que “apoia o desenvolvimento de mídia independente” e do  “jornalismo por meio de technologias inovadoras”. Os documentos mostram que mais que 150 jornalistas venezuelanos foram treinados por agentes do governo dos EUA e que pelo menos  25 sítios foram criados com fundos do contribuinte norteamericano.

Durante os últimos dois anos, houve uma explosão de sítios, blogs, e usuários de Twitter, MySpace e Facebook na Venezuela, a maioria dos quais aproveitam estes foros para espalhar mensagens anti-Chávez e informações distorcidas e falsas sobre a realidade política e econômica do país.

Confirmando ou desmentindo, quantativamente,  esta “maioria” seria um ótimo exercício nas técnicas do “censo de interntidades” devenvolvidas por Castillo e amigos na Universidade de Chile.

Mais imediatamente, pode-se utilizar a ferramenta Wandora para extraer dados sobre o grupo OTPOR no Facebook.

A muralha está sem atualização desde dezembro de 2009.

Estes grupos têm a tendência de ser efémeros, deixando atrás os cadáveres de interentidades moribundas.

A afirmação combina, num primeiro momento e de forma geral, com uma hipótese provisória nossa, porém: na «organização enredada», entidades se multiplicam desnecessáriamente.

Outros programas do DOS selecionaram estudantes e jovens para treinamentos tecnológicos visando a criação de uma “rede de ciberdissidência” contra o governo de Venezuela.

Por exemplo, em abril de 2010, o Instituto  George W. Bush, junto com Freedom House e o DOS, organizou um encontro entre “militantes para liberdade e direitos humanos” e “especialistas de internet” para analizar o “movimento mundial de cíberdissidentes”.

O anti-chavista Rodrigo Diamanti estava presente no evento, que tomou lugar do Dallas, no Texas, e foi presidido pessoalmente por George W. Bush, junto com “dissidentes” convidados de  Irã, Síria, Cuba, Rússia e China.

Em outubro de, 2009, a Cidade de México recebeu a Segunda Cúpula do «Alliance of Youth Movements», organização criada pelo DOS para reunir jovens ativistas cuidadosamente selecionados em paises estragécos com executivos de tecnologias de nova mídia e representantes de agências governamentais.

Foi criada pelo DOS? Jura?

A Hillary Clinton presidiu o evento e os militantes anti-Chavez  Yon Goicochea — Primero Justicia — Rafael Delgado, e Geraldine Alvarez foram convidados especiais. Os três integram o Futuro Presente, organização criada na Venezuela em 2008 com financiamento do Instituto  Cato de Washington.

Os outros fatos foram divulgados na época no CNN en Español.