A Morte do Kindle | Entrismo no Amazon

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Desde o começo, o império de e-varejo Amazon — bibliomâno doente, sou cliente leal desde sempre– encarava o problema de «entrismo» nos foros de leitores.

Ou seja, digamos que o publicitário João, assalariado da Editora Maio, entre no foro de usuários comuns como o leitor João Ningué, é recomenda livros como Obama é Meu Guaxinim — editado pela Editora Maio.

Pouco mudou no entretanto, segundo uma notícia recente do Slashdot.

The Day the Kindle Died — A morte do Kindle — detalhou um investigação de seis meses visando detalhar como é possível entrar na lista de mais vendidos da Amazon com resenhas forjadas e a promoção de informações imprecisas sobre vendas e mais-vendidos

O livro é de Thomas Hertog, que contou como ele inventou um esquema astuto para promover seu livro sobre finanças pessoais.

Durante cinco meses, o autor comprou e baixou seu próprio e-livro 173 vezes. Também postou 42 resenhas do livro e votou positivamente 108 vezes sobres suas próprias resenhas, melhorando assim o perfil do livro nas listas dos mais vendidos e mais recomendados.

Agora, a Amazon se recusa a vender o livro contando como é fácil manipular o sistema de avaliações no site.

Na verdade, não é preciso comprar um livro para saber cometer fraudes amadores desse tipo — aos quais a empresa ainda não tem defesa adequada, parece, uma década após a emergência dessas práticas fraudulentas.

Hertog observa que, no passado, a Amazon dizia que era censura recusar de vender certos livros simplesmente porque “nós ou outras não gostam da sua mensagem.”

Fonte: Slashdot/TechEye.

Um caso celebrado aqui no Brasil foi a reclassificação de um romance escrito por um jornalista da Veja como não-ficção, aparentemente para manté-lo na lista de mais vendidos.

Diferentemente da prática em muitos países, a auditoria de circulação e vendas é feita por organizações sem diretores independentes. Acho curioso. Responsável pela circulação de pequenas revistas no IVC, por exemplo, é um executivo da Abril, ainda na ativa.

É uma questão fundamental de independência editorial.

Nosso Audit Bureau of Circulation, por exemplo, faz questão de manter diretores que não trabalham na indústria, impendindo tanto conflitos de fato quanto conflitos aparentes — que são tão mal que os verdadeiros muitas vezes.

Eu sei além da sombra de uma dúvida que a promoção de “apps” para smartphones utiliza os mesmos procedimentos.

Tenho um “amigo” de Facebook  VP de Marketing de um fabricante de aparelhos e bugigangas que pratica entrismo completamente sem-vergonha no site.