Anonimato Vitoriano | Leituras no Domínio Público

Padrão

Esse tal de Google Livros, com obras no domínio público no formato EPUB — um dialeto de XML — é demais.

Brincando com várias ferramentas de autoria e leitura no formato ESUB — como ecub e calibre — cruzei com uma obra muito importante sobre o jornalismo de esgoto do século XIX, na Inglaterra — umba obra escaneada, segundo denunica o ex libris, da coletânea Nieman de Journalism Contemporâneo,  mantida na biblioteca de Harvard pela geneorisdade da Fundação Niemann.

O livro é de 1855 e debate um projeto de lei obrigando comentaristas da imprensa a assinarem seu nome aos comentários

O autor — anônimo, pensa nisso — começa com uma famosa votação no Parlamento da Segunda República Francesa, em 1850.

Um tal de M. de Tinguy propos que

… qualquer artigo que trate de assuntos de natureza política, filosófica ou religiosa divulgados em um jornal levarão a firma do autor, sob pena de uma multa de 500 francs pela primeira contravenção e 1000 francs caso esta venha a ser repetida.

A proposta passou por uma votação de 331-281.

Favoraveis à legislação incluiram Balzac e Eugene Sue.

Contários foram Napoleon Bonaparte, o príncipe Lucien, e um bando de generais bonapartistas.

O fim do autor é de levantar a questão de se uma legislação parecida seria boa pela imprena inglesa, mas na verdade os aspectos mais contemporâneos do opúsculo são os argumentos pela perniciosidade e desnecessidade do anonimato.

Um exemplo tratado demoradamente, por exemplo, é do  jornalista, soldado e historiador Alexander Sommerville, militante de um movimento contrário aos subsídios agrícolos propostos na época.

Este conta em detalhe como ele foi convocado a infiltrar orgãos da imprensa sob pretextos falsos e praticar propaganda clandestina, sob anonimato e pseudonimato.

Traduzo rapidamente.

Segundo o Sommerville, era uma vez um jornal de reputação impeccável, o amigo do fazendeiro e donos de terras e portanto um defesor principal do protecionismo.” Ele refere a este como Jornal No. 1, para diferenciá-lo do outros, chamados de No. 2 e No. 3.

Ele conta como ele foi incentivado a aproximar-se ao Jornal No. 1, perguntando se a Liga que ele respresentava não podia comprar uma participação no jornal e instalar o Sommerville na redação.

A Liga se opunha aos subsídios.

Também foi aconselhado a “assumir algum disfarce” e tentar infiltrar editoriais em Jornais No. 2 e No. 3. Depois, foi mandado infiltrar uma “carta de um fazendeiro” no Jornal No. 1. “Mais não se deixe ser identificado. Peter Robbins e Reubens são bons nomes de guerra. Assine a carta, ‘um fazendeiro de Leicester.'”

Por final, ele foi mandado personficar um certo fazendeiro real um uma séries de cartas. O esquema foi criar uma personagem de perfil conservador mas com simpatias protecionistas, infliltrando argumentos conservadores em jornais defendendo o protecionismo.

Diz, porém, que se recusou a fazer isso, fiel ao princípio de jamais finger ser o que ele não era. No entanto, ele foi convidado a escrever vários artigos sem saber nem se preocupar com o destino deles. Aceitou. Depois,viu vários sob a firma de um certo anônimo “fazendeiro que vende o milho na Newscastle.” Depois aparecerem em uma antologia editada pela Liga sob o título Cartas de Verdadeiros Fazendeiros.

O argumento todo é bem arguto, se você tivero gosto pela prosa vitoriana é o estilo meio seco de raciocínio britânico.

Eu tenho, me formei naquilo.

É um documento interessante na grande tradição de pensamento sobre a imprensa inaugurada pelo Aeropagítica do poeta Milton dois sećulos antes, em 1644.

Mal pode ser mantido que a profissão de jornalismo seria tão vergonhoso que não pode ser exercitado senão em anonimato. Mas muitos insistem no ponto. As pessoas sempre perguntam do autor anônimo, “Ele tem medo de que?” Da opinião pública? De perder a amizade de particulares? …

Até quando a consciência do jornalista leva-o a remar na contracorrente da opinião majoritária, isso constitui um ato de coragem moral que por si só merece respeito..No momento, temos o exemplo dos Messrs Bright e Cobden e seu ponto de vista contra a guerra. Podemos descordar, mas ninguem pode questionar sua sinceridade e moral.

O autor defende várias exceções sensatas para, por exemplo, o “nós editorial” de editoriais institucionais e colaborativos.

Continua impressionante, a promoção de um princípio completamente contrário entre aqueles que pregram o evangelho do Jornalismo 2.0 hoje em dia.

Neste escola de samba, as práticas confessadas com certa vergonha pelo cavalheiro victoriano são incentivados e premiados — muitas vezes pela Fundação Nieman.

O modelo do movimento Living Marxism continua sendo o paradigma nesse sentido. Como observa o SourceWatch,

“A função principal [do uso de pseudônimos] seria que permite ao grupo a ampla divulgação das suas ideias na mídia sem ser reconhecido como um conventículo relativamente pequeno de inspiração ideológica. Nomes de guerra também servem para compartamentalizar uma vida, protegendo o indivíduo e sua carreira. Fiona Fox, por exemplo, lidera agora o grupo Sense About Science (bom senso sobre a ciência.) Os colegas não deveriam sabe da sua outra vida como Fiona Foster, autora de textos negando a existência do genocídio em Ruanda.

Segundo essa visão, o jornalista brasileiro do futuro deveria ser Olavo de Carvalho — demitido pela Folha, O Globo, Zero Hora, e o Estadão em 2005-2006, embora sua biografia oficial no — juridicament fictício, que eu consigo sabe — Instituto Inter-Americano continua a comemorar o renome dele entre editorialistas brasileiros.

Agora, seu clone mambembe do projeto neocon Accuracy in Media assola os quarto jornais pelo suposto viés comunista da linha editorial.

Que eu consigo saber, o único jornal que publica sua pensamentologia atualmente e o DComercio — aquele jornal onde a metade da administração municipal constam no expediente como vice-presidentes.

O sítio da Veja também continua repercutindo repercussões das blogagens do Carvalho e vários testas-de-ferra e nomes de guerra dele — Ethan Edwards sendo um que descubri recentemente.

Calibre, acima.


Fiz uma edição dos Diários de Turrner — ficção-scientifica neonazista traduzida para português — capaz de ser baixada e lida no seu iPhone.