A Grande Aranhação 2011 | Perspectivas

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Durante o ano passado, eu trabalhava bastante no projeto meio quixotesco de me ensinar tudo que pode ser aprendido por um formado em poesia sobre a ARS Magna — a Análise de Redes Sociais, ou SNA na sigla em inglês.

Sofri duras críticas de alguns blogueiros sujos anônimos de que eu seria divulgando “teorias de conspiração” e praticando uma “pseudociência social».

Mas olhe, na verdade me formei na filosofia de ciência e sou um tradutor experiente de pesquisas feitas pelos seguidores contemporâneos de J.L. Moreno — o brasileiro que fundou a disciplina de sociometria, vovozinha da ARS Magna pos-moderna ensinada hoje na ESPM.

Chegamos a algumas conclusões concretas durante o ano passado.

Primeiro, esboçamos um modelo meio informal da organização em rede — assunto sobre o qual tem decenas de textos lidos assiduamente pelos MBAndos do mundo hoje em dia — chamado do modelo MOSCOU.

Se o sem-número de análises produzidas de MOSCOU, esquemas PROMEDIA, latifúndios de samizdat digital — os LSDs — cadeias de tolos na produção de propaganda clandestina, e outros admiráveis internautas novas, foram o produto de um maluco blogueiro, então o jornal principal do Instituto Internacional de Engenharia Eletrônica é editado por malucos blogueiros.

Nossa ARS Magna acaba de fazer a capa do IEEE Spectrum de janeiro de 2011.

Pesquisando o repertório de modelos formais de organizações em geral — e organizações «enredadas» em especial — descubrimos um modelo adequado, com algumas modificações,  para representar os elementos de nosso MOSCOU e a relações funcionais entre suas partes e componentes.

Entre outras coisas, este modelo — o modelo do Collaborative Network Environment | CNO, desenvolvido por um projeto pela construção da sociedade de conhecimento da União Européia — nos ajuda a identificar claramente um sem-número de Virtual Breeding Environments, ou seja, “criadouros de organizações virtuais.”

Um exemplo frequentemente citado em relação ao caso que nos fornecia com grande volume de dados — o Instituto Milennium — foi o Atlas Toolkit — projeto de uma fundação norteamericana patrocinadora do IMIL que se define explicitamente como uma incubadora de institutos de pesquisas e redes de institutos de pesquisas e alianças de redes de institutos de pesquisa e uniões de alianças de redes de institutos de pesquisa e assim por diante ad absurdam.

Meu exemplo preferido e a meta-ONG NGO in a Box — ou seja, “ONGs prontos pelo forno de microondas.”  Pelos menos não pode ser denunciado por propaganda enganosa, hein?

Com software suficiente, nem precisam-se de pessoas para ser uma ONG.

Outra observação meio informal que eu vivia oferecendo no ano passado foi o que cheguei a chamar do OVNIs  — sigla de  «organizações virtuais em nomes de indíviduos»,

A frase, embora colorida, não é tão diferente da noção de Você S/A e a prática de driblar a legislação trabalhista obrigando trabalhadores a serem contratados como pessoas jurídicas.

Veja

Nos meus estudos de muitos anos sobre propaganda clandestina — minha revista cobria o fenómeno crescente em Nova York ainda em 1999-2000 — uma manobra muito comum é a divulgação enganosamente incompleta de identidade e autoria, por exemplo.

Imagine um blog tipo Eu, Marcos Valério — Noticias da induśtria de propaganda.

Uma pratica comum de ofuscação é de  omitir alguns ou todos os laços institucionais do autor — o fato de promover agência própria, junto com seus cliente, no blog  — para poder posicioná-lo como “gente que nem a gente.”

É a velha artimanha da agenda escondida. É epidémica nas redes lusófonas.

Em termos do modelo adotado, então — aqui vem a explicação meio chata, me desculpe — existe um mecanismo de aproveitamento de sinergias entre várias OVs — organizações virtuais — de vários modos de existência jurídica.

Feito uma narrativa, pode ser explicado assim: Um consórcio de organizações — o Business Software Alliance, digamos — enxerga uma Oportunidade de Negócio — dominando um novo mercado, digamos — e cria um Criadouro de Entidades Virtuais para aproveitr a oportunidade.

Este cria OVs “juridicamente distintas” — fins lucrativos, sem fins lucrativos, OSCIPS, ONGs,  PPPs, entidades de classe, o bestiário todo — que prosseguem a colaborar por meio de EVs — equipes virtuais.

Estes, também conhecidos como GDTs — «Geographically Dispersed Teams» ou Equipes Geograficamente Dispersos, são

um grupo de individuos que trabalham através do tempo, espaço e fronteiras organizacionais por meio de laços fortalecidos por redes de comunicação possibilitadas por ferramentas de colaboração em rede.

Nesse sentido, são institucionalmente diversos também. Imagine um voluntário em algum programa de alfabetizção da Fundação Telefónica, colaborando com alguém na agência de progpaganda contratada pela Telefônica S.A. listada na bolsa de Madrí. Cê acha que casos desses são incomuns?

O efeito dessa técnica de moblizar recursos pelo fim de aproveitar uma oportunidade muitas vezes é uma multiplicação de entidades com fins compartilhados, trabalhando sob comando, controle e planejamento central, os quais, no entanto, terão a aparencia de um movimento espontâneo de multitudes de entidades independentes da sociedade civil e os três setores.

Os sinergias entre fins lucrativos e não-lucrativos são óbvios em alguns casos. O RITS, por exemple, durante um painel que assisti em 2003, defendia o uso de tecnologia Microsoft nas aulas fornecidas aos carentes “porque é  a tecnologia padrão demandada pelo mercado.”

O termo expressivo que temos para isso é “astroturf,” definido como

«… movimentos aparentemente espontâneos de cidadãos ou coligações da sociedade civil que são concebidos, criados, planejados e/ou financiados por empresas, entidades de classe industriais, interesses políticos, ou empresas de relações públicas.»

A estrutura interna do Criadouro de Entidades Virtuais no modelo escolhido permitirá, eu acho, uma classificação mais precisa de várias táticas mais refinidas dentro desse padrão.

Está no DNA dessa entidade uma certa maneira de aproveitar a zona cinza entre o formal é o informal.

Uma Entidade Pública, por exemplo, define-se apenas negativamente, como entitidades sem compromissos formais com o Criadouro — e com isso estamos falando de obrigações contratuais, seja dito — mas que ainda contam como recursos contribuindo aos objetivos do esquema geral.

Podem ser simplesmente membors do público que gostam da causa, mas é aqui também que surgem os LSDs — mares de samizdat enganosamente independente e pessoal, facilmente gerenciado por um punhado de pessoas out até automatizado.

Estes servem muitas vezes,  dentro de um esquema de “otimização para motores de pesquisa,” de criar hordas populares clamando espontâneamente pela orientação de algum salvador da pátria. O perfil técnico de um LSD é muito fácil identificar dentros dos termos da ARS Magna.

São um exército de clones, assim como no Guerra nas Estrelas, Episódio, II.

Terei que pensar mais, nos termos do modelo, sob re quais são as implicações dos papeis Corretor, Coordenador e Planejador dentro deste Criadouro de Clones Virtuais — que muitas vezes nos lembra da tragédia do Aprendiz do Feiticeiro, na multiplicação inútil de interentidades.

A estrutura de corretagem é um conceito fundamental na ARS Magna que deve ajudar nisso. Vou estudar mais sobre o assunto.

Aliado com esta zona cinza estrutural, por final, existe uma certa escola de samba que exalta o zona-cinzismo como uma virtude da chamada Nova Administração Pública, a NPA na sigla em inglês.

Deu na última edição da revista Forbes, edição Índia: “O que há de bom em silenciosamente quebrando as regras.”

Entendo o ponto geral — que na escolha entra rotinas burocráticas e resultados, tem vezes quando a opção para resultados será a melhor. Mas também lembro-os de dois fatos.

Primeiro, que o apelo a esta opção — “quebrar uma regra por razões morais justiica-se” — é a fonte de innúmeros falhas de sistemas de segurança, incluindo a quebra do sigilo de Verônica e Bourgeois.

Chama-se de “engenharia social.”

Eu cheguei a jantar uma vez com o hacker-celebridade Kevin Mitnick que nos informou que o jeito mais comum de ganhar informações fechadas com sete chaves foi simplesmente impersonar algum colega coitado pedindo que quem mantinhas as chaves “quebrasse seu galho.”

E segundo: há tantos casos hoje em dia de brechas aproveitadas para cometer atos classificados como ilícitos por ótimas razões que chegou a hora de diminuir nossa tolerância pelas zonas cinzas que os facilitam. Vocês sabem: o “jeitinhismo” é uma vergonha nacional, e não uma virtude pós-moderna, por mais que se produz propaganda ao contrário.  José Roberto Arruda, super-administrador. Né?

A legislação de muitos paises, para tomar um exemplo muito sensível, proibe a ingerẽncia de não-cidadãos na democracia interna do país. Eu não posso doar a Cristovam Buarque Presidente ou pedir votos pelo senador — que uso como exemplo porque não era candidato em 2010, e porque gosto dele em geral.

Estas leis são tão fequentemente desrespeitadas — não infrequentemente por meio dos Equipes Virtuais, articulados dentro de um MOSCOU — que, por exemplo, o consultor norteamericano Dick Morris nem pensou duas vezes quando confessou que tinha cometido crimes eleitorais no México em 2006.

Quando servidores públicos mexicano foram subornados pela ChoicePoint a entregar um banco de dados de 65 milhões eleitores mexicanos, foram condenados por traição. E levaram leves multas. Assim morre a majestade da lei.

Interessante se desimportante: o autor do estudo citado sobre “zonas cinzas morais” diz ter recebido a maioria dos exemplos que estuda dos estudantes do programa de MBA de Harvard.

Eu mantenho um censo pessoal de formados desse programa que acabam presos por corrupção nos paises de orígem. É uma longa lista.

Em qualquer caos, é assim que pegamos a má fama de tratar a soberandade de outras democracias como se fossem uma piada.

O jornalista fazendo a entrevista na Forbes Índia, aliás, ganhou meu estima quando perguntou ao guru de gestão, “Olha, este zona-cinzismo pode ser altamente subsersivo também, prejudicando a organização. Como você lida com isso?”

Em Princípio, Nem Os Arapongas Mentem

Não é precisco grande intelecto para chegar a estes conceitos e essas conclusões. O manual de Operaçãoes Psicologicas do Exército dos EUA, de 1979, apresenta tudo isso, é mais, em palavras simples, e continua sendo livremente disponível.

É facil demais ficar sabendo do último factoide da imprensa propagandista-preta brasileira e virar a página ao trecho onde a artimanha é explicada, na prosa careta burocrática de um manual militar .

Tem uma exceção interessante, porém.

Acredite ou não, em 1979, era a doutrina oficial dos guerreiros psicológicos e propagandistas das FFAA que nunca se deve

  1. Mentir
  2. Sistematicamente reprimir qualquer mençao do outro lado da questão

Mentiras desmascaradas pelo inimigo causam enormes estragos à confiança da população na integridade moral da sua causa.

Exemplo maior: A exportação de democracia aos vietnamitas enquanto impedimos a queda e punição da tradicional cleptocracia-ditadura do Sul.

Panfletagem por bombardeio aéreo, padrões de dispersão. O soldado americano é um soldado orientando aos detalhes.

Após o manual avaliar as vantagens e desvantagens da mentira como técnica de ganhar coraões e mentes, está escrita lá em negritos: NÓS NÂO VAMOS MENTIR.

Outrossim, a omissão de qualquer fato sugerindo que o inimigo poderia ter suas razões legítimas — sinceras, se erradas, digamos — é também vista como contraproducente e proibida na maioria de circunstâncias.

Bem pode ter o efeito de alienar aliados que entendem as razões do inimigo apesar de não concordar com suas ações.

Agora, preciso dizer que mentiras descabidas e a omissão de qualquer outro lado de determinado assunto — ao menos que o outro lado processas o jornal — são práticas mais que correntes do jornalismo de esgoto brasileiro?

Coisas que nem o GI Joe ianquemperialista faria aos seus piores inimigos, setores da imprensa brasileira fazem aos leitores que, aliás, têm que pagar pelo privilégio.

É uma coisa, hein? Na verdade, se o jornalismo apelativo brasileiro seguisse os princípios dos guerrilheiros psicológicos nesse manual, melhoria muito. As técnicas para ganhar a confiança do leitor não são tão diferentes daquelas de um jornalismo minimamente ético, na verdade.

Perspectivas

Passei muito tempo navegando nas redes de marketing política no ano passado, principalmente por esta disciplina constar entre os consumidores mais sofisticados das técnicas que me interessavam. Se quer uma lição em como driblar a bola, busca o Ganso ou Neymar.

Também tinha uma curiosidade sobre os programas pela “exportação de democracia” do meu governo — dinheiro do contribuinte financia blogs? Está me sacaneando? — e a clonagem de modelos norteamericanos por facções polítics no Brazil — o famoso “estilo neocon” apontado por Luis Nassif em um momento de extremo Luiz Nassifidez.

Mas já mandei meus robõs navegar em outras águas — setores industriais, por exemplo — que eu espero retornarão com informações inéditas até com certo valor comercial.

Com experiência, é possível mandar um robô compilar um retrato do, digamos, setor imobiliário do País que fornecerá um contexto muito útil quando novas novidades aparecem na evolução do setor — fusões, digamos, ou falências, ou que seja.