Blogs Sujos | A Negociata Bolivariana dos Irmãos Koch

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O problema com os blogs sujos é que a maldita leitura deles fica tão divertida.

Estou mesmerizado últimamente, por exemplo, com os blogueiros sujos da Inconfidência Guarujaense .

O blog é um cooperatista-vizinho no latifúndio de WordPress que consegue perpetrar os trocadilhos mais ultrajantes imagináveis e, ainda assim, municia suas denúncias sistematicamente com fontes primárias — extratos do Diário Oficial, planilhas de gastos público — quase como se quissesse também ser levados à sério.

Acabo, de fato, levando-o a sério, filtradas as molecagens gratuítas. Animado por um espirito de civismo — embora com um viés partidário que tem ser levado em conta também — o projeto é admirável.

O mesmo vale para o jornalóide The Exiled — “a única esperança da humanidade desde 1997” — morador no MEDIATEMPLE.NET e registrado anonimamente no paraíso fiscal da Ilha de Madeira.

Gaba-se na página de entrada de uma resenha na revista Vanity Fair que chama-o de

“atrevido … visceral … jornalismo sério … abusivo, difamatório, apelativo, paranóico … e quase sempre certo.”

Após testar innúmeros agregadores de fluxos RSS, acabei adotando como o agregador official de Preguiça o Calibre.

Este –além de servir de leitor de livros no formato EPUB do repósitorio de livros no domínio público escaneados pela Google  — me apresenta cada manhã às 0530 horas, quando acordo, com notícias de 80 fontes nas várias idiomas que eu consigo ler.

Entre as joias disponíveis do Google, por exemplo, é esta narrativa do suborno da imprensa pelo notórios especuladores Jim Fisk e James Gould durante a Sexta-Feira Negra de 1869, quando o preço ouro foi o alvo de um pânico orquestrado.

Os alvos da indignação pública no episódio, segundo nosso autor, “tornarm à única alternativa que restava-lhes, ou seja, a compra de todos os jornais metropolitanos e assim fabricar uma opinião que lehs seria favorável. Agora, anote bem como foi feito …”.

Em qualquer caso, foi assim que descubri The Exiled — que na última edição divulgou uma análise satírica que ainda assim faz um ponto que eu também sempre acho injustamente neglegenciada.

O folcore na nacionalização de empresas ou outras internvençóes do Estado na economia nunca leva em conta que muitas vezes um setor ou outro da iniciativa privada sai ganhando.

Eu pessoalmente li decenas de relatórios trimestrais, por exemplo, de provedores de serviços e produtos médicos que não podiam ser mais felizes da vida com a reforma da saude baixada pelo Congresso lá em casa.

As seguradoras querem derrubar a república, mas quem está diante de uma expansão do mercado para tratamentos antes disponíveis apenas aos ricos está planejando mudar para casa nova, com piscina, diante a perspectiva de ver vendas de bisturis robôticos, ou que seja, dobrando.

Outro exemplo: o escândalo fabricado do orçamento de publicidade federal sob o último governo não leva em conta que, com a torta dividida entre muitos mais participantes em muio mais lugares, todo um setor de imprensa regional e local recebeu uma força. E já era tarde, até para um liberal como eu, acreditando em barreiras de entrada baixas e concorrência como precondições de um mercado saudável.

Com isso, tantas pequenas empresas agora tem um veículo de propaganda a preços possíveis e focando o mercado local pelos serviços e produtos. O subsídio está ajudando a acabar com a vergonha do Brasil ser um país onde cidades de 100.000 muitas vezes não tem jornal algum … muito menos os dois correntes aos quais nós gringos estamos acostumados.

«O Livre Mercado Opta pelo Jeito Bolivariano»

Agora, nota sobre uma nacionalização recente pelo temido Tio Hugo é uma mistura de exagero satírico e análise valida de uma negociata bolivariana de fusão e acquisição que desmente o folclore. Traduzo.

Não ouviu-se a notícia do Fox News ou Drudge Report, mas no dia 10 de outubro do ano passado a Venezuela expropriou e nacionalizaou uma enorme fábrica de fertilizantes-do Koch Industries.

O silêncio na mídia sobre o episodio é curioso.

A expropriação de propriedade privada pertencendo ao segundo maior grupo industrial dos Estados Unidos,  propriedade da família mais poderosa da União, a principal financiadora do movimento Tea Party — nos referrimos aos irmãos Charlese  David Koch – mereceria grande cobertura. Mas não, ainda que a fábrica foi expropriada tres meses atrás, não está havendo senão algumas notinhas breves e isoladas. A mesma Koch Industries está mantendo um silêncio meio suspeito sobre o assunto.

Um possível motivo pelo silêncios dos irmãos  Koch é que a expropriação da fábrica não foi tão mal assim: os irmãos faturavam milhões durante cada fase da operação. Mais surprendente ainda, os mercados viram a expropriação com bons olhos. Ou seja, os livres mercados julgaram a gestão dos Koch uma influência  negativa sobre o valor dos títulos, enquanto os irmãos dogmaticamente livre-mercantilistas faturaram alto fazendo negócios com socialistas professos. Naturalmente é um episódio meio constrangedor, o que explica o blecaute no noticiário.

Foi o seguinte: quando o governo bolivariano tirou Koch Industries do controle da empresa, investidores nos títulos da fábrica responderam com um entusiasmo que levou a um aumento de 33% no valor de mercado dos papeis..Ou seja, investidores tinham muito mais confiança no pagamento da obrigação sem os irmãos Koch. Qualquer calouro de administração de empresas sabe que os preços de títulos são parecidos aos das ações: um preço maior significa mais confiança na gestão da empresa. Portanto, os mercados tinham muito mais confiança em um bando de burocratas socialistas do que nos padroeiros do livre mercado.

Para livre-mercantilistas dogmáticas como os irmãos Koch, esse endossamento pela Mão Invisível do mercado não é simplesmente um caso de publicidade negativa. Chega a ser profundamente humilhante.

Ora, tem leves toques de exagero e simplificação indevida na análise, mais chega suficientemente perto à verdade para estimular tanto risadas quanto pensamentadas.

Garanto que homens de negócios sensatos realmente pensam assim: “Uma vez que temos que fazer negócios com Chávez, como sair bem da situação?” E muitas vezes saem, negociando um retorno justo nos bens afeitados. Nem o Tio Hugo seria maluco o suficiente para alienar investidores valiosos.

Gostei do lance satírico.

Em tempo: entre as entidades filantrópicas estabelecidas ou hoje financiadas pela família Koch:

  1. Cato Institutte
  2. Manhattan Institute | entro outros da Atlas Network
  3. Freedomworks | Karl Rove, Glenn Beck, FOX News, Tea Party
  4. Amercians for Prosperity
  5. Patients United Now | Hoje a reforma da saúde, amanhã os tanques de guerra dos bolsheviques na praça pública

Financiam pesquisas paracientíficas apoiando a hipótese de que grandes poluidores como Koch Industries não são responsaveis por mudanças climáticas — que aliás inexistem. O perfil da revista New Yorker é um leitura obrigatória.