CIEEP | A Última Dada de Ombros do Atlas

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De vez em quando o Instituto Atlas de Pesquisa Econômico — um criadouro de «institutos de pesquisa», todos pregando o evangelho de um hayekismo mambembe, misturado com um objetivismo juvenil, que o próprio economista não reconheceria fosse vivo hoje — atualiza seu banco de dados dos mais que 500 “organizações virtuais” criadas e espalhadas pelo mundo inteiro com fundos de filantropias da extrema direita norteamericana. Eis aqui para baixar.

De muitos dos sucursais da Rua K no Brasil já sabemos bastante:

  1. O Instituto Millenium
  2. O Instituto Atlântico — que não passa de um blog, na verdade
  3. O Instituto Liberdade do RS
  4. O Instituto Mises Brasil

Do instituto Toqueville — homenagem ao nobre turista francês que escreveu um livro ainda muito apreciado sobre a jovem democracia ianque — não há muitos dados, mas a mensagem fica bastante claro: nós forasteiros podemos ser melhores intérpretes da sua realidade do que vocês mesmo.

Mas do Centro Interdisciplinar de Ética e Economia Personalistas | CIEEP, do qual não fiquei sabendo até agora, tem algumas observações a serem feitas, so para preencher e atualizar a ficha.

Aproveito para fazer do perfil que pretendo fazer do CIEEP uma apresentação de um novo método padrão que desenvolvi. Rápido é intituitivo, facilita a navegação de dados sobre redes colhidos por «aranhas» e analisadas utilizando o editor de diagramas yEd.

Primerio, carregue os dados após traduzi-los para um formato que yEd consegue ler — XLS, nesse caso.

Faça um

Grouping > Autogrouping

e seleciona “núcleos naturais” — natural clustering

Em certos casos, a opção «subtrees» ou «chains» podem ser uteis também.

Selecionem todos os grupos, fechem-nos, e aplique uma diagramação cíclico. Aqui, jogo fora uma rede desligada, que não passa de algum elemento técnico da rede, tal como uma empresa de hospedagem de sites.

Agora, vamos tentar caracterizar cada grupo segundo o elemento ou elementos centrais de cada um.

Por exempo, entramos em determinado núcleo selecionando o grupo e executando o comando

Grouping > Show Group Contents

Ou seja, mostre o conteúdo do grupo.

Dentro dessa visão da subrede, aplicque o análise

Tools > Centrality Measures > Weight of Connected Edge

Aplique algum diagramação — layout — padrão que lhe parece conveniente. .

O CIEEP é o nó mais importante dentre deste subgrupo, e apresenta laços estruturais com importantes faculdades.

Chamaremos o grupo algo como CIEEP+Faculdades+Adenauer. Informações de outras fontes sugere uma colaboração pelo desenvolvimento de currículos para estudantes de economia em certas faculdades.

Apos identificar o elemento central em cada subrede, pode-se rotular as tendências gerais mais importantes na rede.

Quatro dos núcleos naturais da rede são dominados por organizações envolvidas no desenvolvimento de currículos de economia consistente com certas orientações teológicas. A Faculdade e Seminário Grace é um institutição de ensino superior no estado de Michigan que subordina uma formação tradicional a valores cristãos — tipo um Mackenzie do Meio-Oeste.

Pessoalmente, eu me formei numa faculdade estabelecida por metodistas — só que foi determinando logo no começo que o currículo e a política de admissões seriam láicas. Nada desse teólogo em chefe como têm la no Mackenzie — o blogueiro-décano Nicodemus que uma vez explicou a derrota de Alckmin pelo Lula II como “o juizio de Deus por nossos pecados.” Uau.

Com o apoio do Acton, o CIEEP faz um forte apelo a uma juventude evangélica e estudantill em certas faculdades. Teriamos que investigar estes laços no mundo real, mas provavelmente tratam-se de programas de intercâmbio e o desenvolvimento de um curríulo de economia teologicamente concebida.

A diretoria do Acton inclui o Alejandro Chafuen, fiducíário-fundador de tantos institutos na RedeAtlas, incluindo a RELIAL e HACER.

Tentem desenterrar informações sobre fluxos de $, se puder.

Estes dados vêm de uma amostra limitada obtida recentemente com a ferramenta Navicrawler, e mostram um nexo forte entre o CIEEP, o Instituto Acton de Canada — integrante da Rede Atlas — é um grande número do grupos e campanhas de evangélicos missionários norteamericanos.

Uma amostra maior obtida da primeira iteração da Grande Aranhação — focando o Instituto Millenium — apresenta o CIEEP no contexto dos patrocinadores daquele memso, tal como o NED; Cato; Policy Network (LM Group); HACER; e RELIAL (também ds 500 de Atlas).

A relação do Instituto Liberal com organizações em apoio ao Tea Party dos institutos da família Koch — Americans for Prosperity — e o NED — CIPE, o Centro pela Iniciativa Privada Internacional — fica aparente. O SourceWatch já fez alguns levantamentos cuidados que corroboram e explicam estes laços.

O papel do EURJ nessa rede se explica pelo fato do presidente do CIEEP, Ubiratan Iorio, ser professor de economia daquela faculdade estadual. .Lema pessoal:

Tertium  non  datur

«Não existe terceira via».

O professor também se diz articulista frequente do Jornal do Brasil, Jornal da Tarde, O Dia e o  Monitor Mercantil.

Tem  passagens pelo Banco do Brasil, o FGV e o IBMEC no currículo.

O CIEEP, em pequena nota de roda-pé, se identifica explicitamente como “afiliado do Acton Institute.”

Da mesma maneira, o OrdemLivre — que consta na lista oficial de “afiliados” ou “sucursais” — parece mais ligado ao Fraser Institute, também canadense e também um dos núcleos originais da rede Atlas.

Acresente a este fato o convênio formal entre Globo e o Instituto Endeavor pela promoção da campanha Pequenas Empresas, Grandes Negócios, e estamos diante de uma «câmara de eco».

Em qualquer caso, agora podemos começar a anotar nossa mapa de relações estruturais com informações concretos, assim,

O CIEEP não divulga suas finanças nem suas parcerias e patrocínios. Mora numa caixa postal.

O evangelho pregado parece vir do Imitatio Christi medieval.

… a Economia Personalista insiste em que todas essas instituições devam estar baseadas numa antropologia que reflita de forma precisa toda a dignidade da pessoa humana, criatura feita à imagem e semelhança de Deus.

Nada me põe mais nervoso do que a possibilidade de gestão econonômico ser feita por teólogos medievais.

Eu uma vez li alguns estudos sobre a economia de São Tomas de Aquino, mas ele ainda tratava do oikonomia de Artistóteles — uma ciência menor tratando da boa gestão de uma fazenda, oikos sendo o grego para lar ou casa. A teologia macroeconomica talvez surgui após o episódio do Banco Ambrosiano, hein€

Chama-me de herege se quiser, mas tenho uma memoria tão vívida daquela cena no filme de Scorcese quando o Jesus chicoteava os cambistas para fora do templo.

O Townhall.com — porta-avião do movimento neoconservador estadunidense — tem o que a ver com o CITEL, o Centro de Investigacioes e Estudos Legals? Este apresenta uma lista de «laços interessantes», embora a natureza do interesse ficar escuro.

Que mais?

Alguém ainda acredita que o DComercio seja um jornal de comêrcio de verdade? Vou dedicar um caso ao jornal — o prefeito de S. Paulo é vice-presidente, uai — em outra ocasião.

Apenas observo agora que os laços aproveitados para encher o jornal de conteúdo sindicado apontam jornalões com algo em comum: São clientes do Innovation International, consultora fundada na Universidade de Navarra por integrantes do Opus Dei. Sim, até a Libération de França e Le Monde.

O jornal compartilhe o NS com todo um «servidor ideológico» de vários campanhas políticas associadas principalmente com a Câmara de Comêrcio e Associação Comercial sambojanas.

O provedor de conexão é uma certa BOA VISTA SERVIÇOS S.A., «Holdings de instituições não-financeiras, concessão de crédito pelas OSCIP, atividades de cobrança e informações cadastrais» … segundo o Juscesp, que aliás é outro cliente do mesmo ISP.

O fato do jornal aderir a tantas campanhas pela redução de impostos, e ter integrantes do governo municipal na diretoria, me irrita.

Estou paganda 12% mais IPTU nesse ano do que no ano passado. E nós tivemos muita sorte nessa questão. Alguns cidadãos estão pagando o dobro.

Mas chega.

O ponto dessas anotações de laboratório de hoje foi documentar um método de diagramação com a yEd que, se aplicado com consistência a várias amostras de dados colhida por «aranhação», é rápido e consistente e pode ser útil como um guia ao teor semântico geral de uma nébula de organizações virtuais.

Outra técnica suplementar é o agrupamento manual segundo os termos do modelo MOSCOU-VBE, mas aí entramos em explicações meio chatas. Em tése, a ferramenta Wandora deveria nos deixar organizar os indivíduos encontrados dentro do esquema do VBE.