Porque Eu Não Levo o DComércio à Sério

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Não levo o jorna DComerciol a sério por causa da colaboração do diretor da redação, Moises Rabinovici, com a Mídia Sem Máscara, de Olavo de Carvalho.

Não levo o jornal a sério pelo fato dele hospedar um jornal dentro do jornal, o Mundo Real de Olavo de Carvalho. É o único veículo da grande imprensa brasileira que ainda abre espaço pelo autor de Como Vencer um Debate (Sem Ter Razão).

Não levo o jornal a sério porque, segundo o expediente, o presidente desse assim-chamado Mundo Real é o atual vice-governador do estado de S. Paulo, Guilherme Afif Domingos, dos DEM.

Quando o New York Times publicou uma investigação que criticava o governador do estado pela suspeita dele  interferir nos direitos de uma servidora pública vítima de assédio moral e assalto, como teria ficado  se o vice-governador estivesse chefão do jornal? Ou até se estivesse chefão licenciado, com planos de voltar?

O Afif agora está licenciado da presidência do DComércio propriamente falando, segundo o sítio do tabloide-qualidade,  mas ocupava uma secretária no governo anterior do estado. Licenciou-se então? O expediente que informa que Afif seria o atual presidene do Mundo Real é simplesmente desatualizado?

Afif foi já foi condenado, junto com Maluf, pelo abuso da Imprensa Oficial, ou seja, o

uso de seus funcionários para impressão de propaganda e venda de imóvel da IMESP à Associação Comercial de São Paulo (ACSP), à época presidida por Afif.

Somando, então: Não levo o jornal a sério por ter sido chefiado por um servidor público condenado por desvio de recursos públicos — a mão-de-obra e maquinaria da IO –por fins interesseiros e partidários.

Não levo o jornal a sério por ter nomeado o prefeito da cidade — rotineiramente um assunto importante de cobertura — um entre um bando de vice-presidentes suficientes para montar uma rodada de 16 de futebol político.

O argumento, “Não é um conflito de interesses, é uma sinergia inovadora!” não afasta a suspeita de autohagiografia por procuração cada vez que o jornal faz cobertura da Prefeitura o abre o espaço editorial para vozes oficiais de poder..

Não levo o jornal a sério por ter tirado essa informação do site, ou mudado-a do lugar, pois não consigo mais achar a informação sobre  estatutos e diretoria do jornal — apenas reclamando amargamente de uma nota na Folha apontando os eventuais conflitos de uma estrutura societária dessas. Moisés Rabinovici escreveu:

Confesso que senti vergonha de ser jornalista – e tenho mais de 45 anos de profissão bem vividos – ao ler na Bergamo, na sexta-feira, 23, a insinuação venenosa, irresponsável, de que manipulamos os dados da pesquisa. E eis qual seria o motivo: a ACSP, “que controla o jornal, tem como vice-presidentes o prefeito Gilberto Kassab (DEM-SP), Guilherme Afif Domingos (DEM-SP) e Jorge Bornhausen (DEM-SC). Os três apoiam Serra à Presidência”.

Da pesquisa em questão, não vou tratar. Mal me lembro do episódio. Mas me lembro, sime, de que as pessoas identifacadas como vices da empesa constava na página de pessoal da empresa, tal como a Mônica escreveu. O conflito de interesses aparente é gritante. Se resultou em jornalismo enviesado, é dificil saber, mas não vejo motivo para indignação.

Em paises civilizados, servidores públicos evitam até a aparência de conflitos de interesses. Na Samboja, ficam indignados quando são apontanto conflitos tão gritantes que não seriam permitidos pelos códigos de condutos de muitos outros burocracias de Estado.

Só resta observar que o fato do conflito não foi negado na resposta — de que estes políticos são, or eram, executivos da empresa — e que o sítio agora não disponibiliza essa informação, que antes disponibilizava.

A afirmação anterior não se confirma. É só que o laço ao expediente do jornal mudou ao pé da página onde dificilmene se encontra — algo como o laço à página do ombudsman da Folha.

Os vice-presidentes — e não me pergunte quaises os deveres e salários deles, se houver — são ainda

Alfredo Cotait Neto — relações exteriores, Prefeitura — Antonio Carlos Pela, Arab Chafic Zakka, Carlos Roberto Pinto Monteiro, Claudio Vaz, Gilberto Kassab, Guilherme Afif Domingos, João de Almeida Sampaio Filho — também secretário estaudal — João de Favari, Jorge Konder Bornhausen, José Maria Chapina Alcazar, Lincoln da Cunha Pereira Filho, Luís Eduardo Schoueri, Luiz Roberto Gonçalves, Moacir Roberto Boscolo, Nelson F. Kheirallah, Roberto Macedo, Roberto Mateus Ordine, Rogério Pinto Coelho Amato, Sérgio Antonio Reze

Não levo o jornal a sério porque a diretoria e a redação são pessoas que parecem ter a bússola moral de uma anta.

Não levo o jornal a sério por ser um orgão oficial da Associação Comercial de S. Paulo — embora mantenho interesse profundo na ACSP e sempre gosto de ouvir seu ponto de vista sobre questões de política pública. Têm o direito de se manifestar e às vezes avançam argumento interessantes

Eu quero que o estado prospere.

Acho o Zeitgeist empresarial paulista fascinante como quase nenhum outro.

É simplesmente isto: Não gosta da subjugação da minha profissão por máquinas políticas. E nunca vi tantos exemplos tão trágicos que nesse lugar.

DComecio 2.0

Mas em outro sentido, devo dizer, levo o jornal muito a sério, pelas qualidades técnicas e estratégia de conteúdo. É um projeto da Rede 2.0 muito bem pensado e executado pela agência SW

Com o sistema montado pelo SW, um grupo pequeno de pessoas podem oferecer uma riqueza de conteúdo — a maioria dele reciclado  —  pelo síntese semiautomatizado de conteúdo de várias fontes.

O SW tem como clients vários outros grupos de media: Abril, Estado, Globo, e a editora de livros escolares SM, junto com a agência Leo Burnett

Por sua parte, Burnett tem algumas revistas da Abril como clientes: Claudia e Mens Health.

Em fim: na medida que o jornal simplesmente pega reportagens sindicadas por outras agências e orgãos, vale a pena simplesmente acompanhar estes e passar por alto do intermediário.

Na medida que brinca com os limites éticos, de maneira que manobras jurídicas faz dele um jornal efetivamente — se não formalmente e juridicamente — chapa-branca, seu próprio modo de existir parece uma mentira. É parecido demais a um orgão de propaganda no estilo do velho Pravda para meu gosto.

Economia Estadão, Valor Econômico, de vez em quando a Exame,  uma olhada cada dia no Brasil Econômico — ondes as notícias são apresentadas com arte e brio mais ainda parecem um pouco esparsas.

E, naturalmente, as assessorias das mais importante entidades de classe.

Isto é um regime que nutra meus neurônios o suficiente.

Um fato muito estranho na rede do DC é a centralidade e poderosa “autoridade” de um LSD — latifúndio de samizdat digital — de páginas no DEVIANTART.COM.

Uma explicação possível seria o uso de spam blogs para aumentar a prioridade do DC nos resultados dos motores de pesquisa.

Além de publicar cada matéria do jornal na sua página de Facebook, o jornal busca “otimizar seu conteúdo por motores de pesquisa” tambem, como uma página no ISSUU — armazém digital da imprensa mundial — também.

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