Vozes Globais | Iemenitas, Autorizadas e Não

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…. os protestos que estamos vendo agora são movimentos endógenos. É claro que eles se valem de novas tecnologias e de alguns valores modernos, mas são motivados pela situação interna destes países. O Egito e a Tunísia, cabe assinalar também, não estavam sob sanções por parte do Ocidente. Isso mostra que a posição daqueles que defendem sanções contra o Irã é equivocada. Sanções só reforçam internamente um regime. —Celso Amorim

Como deixei anotado outro dia, o jornal em inglês Yemen Times está trabalhando duro para desmoralizar o que parece um movimento paralelo àquilo visto em outros paises árabes.

A manchete de hoje:

Grupos da juventude assolam oposição iemenita.

Segundo o Tom Finn, há um grupo de juventude autorizado que milita na internet, especificamente no Facebook.

Este grupo está reclamando de outros grupos que estejam praticando entrismo, desautorizando-os. Entre estes grupos são nasseristas, socialistas, e islamistias como o grupo al-Islah.

“A oposição, especialmente o al-Islah, pretende fazer uso da nossa voz, mas isso não é conosco. Aquele grupo não representa a juventude iemenita,” disse Taha Muthanna, fundador de Eyoun Sabbah [ — Os olhos de juventude —  ], um movimento conhecido que se organiza pelo Facebook.

São uns 250 integrantes — mas só porque a internet está tão ruim no país.

Muthanna disse que não tomou parte no chamado ‘dia de raiva’ na última quinta, quando algo como 20 mil pessoas se reuniram ante da Universidade de  Sana’a reivindicando mudanças sociais e econômicas..

“Foi um evento da oposição, não foi nosso,” disse. “A juventude que estava lá não representa todos os iemenitos. Temos uma sociedade civil, um movimento ativo de juventude , e faremos as paz com uma distensão lenta, paulatina, moderada e segura.”

Sobre as manifestações, Khaled Al-Anesi, um advogado de direitos humanos de destaque, acusou os partidos de oposição de “levar todo mundo num piquenique por duas horas cada semanda.”

Aprendi depois, da AFP, de que houve quebra-quebra entre os 20 mil e um número indeterminado de contramanifestantes armados e pró-governo.

Chegou a hora de saber mais deste jornal, que está exibindo todos os sinais de um duto de propaganda norteamericana, visando evitar mudanças no regime — tomado como um bom aliado contra al-Qaida — e desmoralizar chamadas para reformas vindo de outros setores populares.

O argumento não tem pé nem cabeça:

“Nossa movimento, que não mobiliza ninguém, é a legítima representante, enquanto o movimento que mobiliza decenas de milhares de pessoas no mundo físico, onde consequência podem doer, está nos plagiando, praticando entrismo e roubando nossa voz.”

É a énesima vez que o jornal divulgou notas questionando a autenticidade de manifestações não aprovados, presumamos, pela embaixada norteamericana.

O jornal não passa de uma fachada para uma propaganda meio crua. Eu apostaria o título da minha casa.

Além disso, como é que um jornal em língua inglesa vai servir como modelo do bom jornalismo em um país árabefalante?

É tudo para inglês ver, né?

Deixem-me ver o que eu consigo descubrir.

O jornal se apresenta como o produto perfeito daquele mesmo processo de desenvolvimento de mídia independente é livre  posto em prática pela USAID e o NED nos anos 1990, e continuado até os dias de hoje.

Traduzo do site.

Depois que o fundador do Yemen Times sacrificou a vida na cause da liberdade da imprensa, Yemen Times guardava sua herança, promovendo liberdade da imprensa, jornalismo profissional e a defesa de direitos humanos. Nossa missão expressa nos compromete com o desenvolvimento do pais, inclusive o desenvolvimento da sua mídia..

Me desculpem, mas seria bem os jornalistas aprender a língua árabe logo logo, assim como esta é a língua entendida pela vasta maioria do mercado potencial.

O fundador do Yemen Times, Abdulaziz Al-Saqqaf,  foi premiado pelo National Press Club Award pela promoção da liberdade de imprensa em 1995 por sua dedicação à verdade e ao povo. Também foi fundador do Arab Human Rights Organization em 1983.

Com uma história de décadas de reportagens isentas e precisas desde sua fundação em 1990, Yemen Times ganhou a fama de um jornal profissional e íntegro..

Com a passagem de tempo, Yemen Times se encarregou com muitos projetos pela promoção de desenvolvimento, sempre com o maior sucesso. Trabalhavamos com organizações como  Oxfam-GB, Friedrich-Ebert-Stiftung, Danish Media Support, Free Voice, Article 19, IREX, the UNICEF, a Embaixada Estadunidense, o WFP, o BBC World Trust, e a UNDP, assim como com entidades locais como Human Rights Information and Training Center, o Foro das Irmãs Árabes, o Observatório de Yemeni, HOOD, o sindicato de jornalistas iemenitos..

O jornal fica editorialmente e financialmente independente, até sendo o dono da sua própria impressora.

Agora, a verdadeira juventude à flor da pele abre uma nova página de Facebook para não ser identificada com a outra, dita não-representativa.

Em resposta à frustração crescente com a JMP, Anesi estabeleceu novo grupo virual, o Harakat Al-Shabab Lil-Tagyir, ou seja Movimento de Jovens pela Mudanças. cujo objetivo é unificar ciberativistas não partidários. .

“O grupo oferece uma alternativa à oposição, que instrumentaliza pessoas por fins próprios,” disse Anesi.

O advogado se disse chocado pela grande multidão e a atenção da mídia conseguida pela oposição.

“CNN nos entrevistaram ontem, antes de ontem foi o Wall Street Journal. As pessoas já buscam uma alternativa à oposição iemenita,” disse.

Pense bem naquela afirmação.

Diz textualmente que a grande mídia entrevista seu gruipo porque pessoas buscam uma alternativa à oposição.

O sítio do jornal fica hospedado com um provedor não-identificado — AS33055 — nos EUA.

Eu nesses casos gosto de fazer uso do Navicrawler para colher uma amostra rápida mas representativa.

Meu palpite é que o jornal terá laços estreitos e fundos com TRADE.GOV e EXPORT.GOV — seguindo o argumento de que governos domados fornecem bons mercados pelos bens e serviços de empresas norteamericanas.

Entretanto — demora meia hora, 40 minutos — quais são alguns jornais em língua árabe que poderiamos consultar pela verificação ou não do dito pela “antioposição” iemenita?

Muitos são jornais oficiais, e muito não estão disponíveis no momento, mas vamos tentar Ath-ThauriO Revolucionário. Publica um jornal chamado do Ishtaraqui — O Comunista.

A primeira manchete conta sobre como as manifestaçãoes contra o governo em Sana’a e Ta’iz, as duas cidades principais, continuam e provam-se sustentáveis — segundo os ishtirakis, pelo menos. Pelo menos não chamaram o jornal “os pacatos liberais” e fingiam que não tinham uma agenda escondida. Tem-se que respeitar aquilo.

Ah, resultados.

Bem, basicamente o Yemen Times virtual é uma pequena quadrilha de agentes semiclandestinos do governo norteamericano, trabalhando no ramo de promoção econômica, utilizando ao máximo as ferramentas de marketing social — Blast PR parece ser uma das agências principais no esquema.

Defendendo o status quo é-lhes importante a esta turba porque o status quo é favorável a firmas norteamericanas, como Microsoft.

Como sei disso tudo?

Pois bem: O que significam esse núcleos de interatividade ou fluxos de influência?

O esquema básica é o seguinte: o grande anunciante do jornal é a indústria de turismo, liderada pela aerolínnas Yemenia — um sócio de Microsoft, que parrece ter o contrato para modernizar e automatizar a venda de passagens.

Em compensação, tudo é feito para elogiar a qualidade do café do país.

A autora de quase o jornal todo é sempre essa Nadia as-Sakkaf.

Mas a grande maioria de atividade esta fluendo entre a cadre de marqueteiros e o enorme estabelecimento de promoção de comércio dos EUA — TRADE.GOV, EXPORT.GOV, DOC.GOV  — este útlimo sendo o Departamento de Comércio — OPIC.GOV — subsídios governamentais para exportações.

Claro que nossos amigos de Harvard marcam presença também, injetando a campanha com todo aquele pseudolibertarianismo virtual que sempre emanava de Ethan, Katherine, e Cia. E daqui que nossa panfletária a maioria da sua rasa pensamentologia.

Recolhei dados suficientes para reconostruir a hierarquia desse estabelecimento,– acima. Pode-se pensar no processo — com as devidas ressalvas — como um fluxo de baixo para cima,  um processo, como dizem os mercadologistas virologistas, de contágio da mensagem fundamental, q qual é Compre os EUA!

Posso até oferecer um bom preço essa semana. Tem nervosismo no mercado, não o sentiu?

A mídia social, a camada mais imediata em relação ao usuário,  é utilizada para construir narrativas bonitas e ampliar mensagens vindo principalmente do Canal Discovery — aquele cujo antigo diretor-executivo hoje serve como embaixatriz responsável pela “diplomacia pública” do país — ou seja, o marketing da grife USA.

Olhem só o gama enorme de programação que o canal oferece — dublada para a língua árabe, assim como vem dublado para o português aqui, o assim imagino.

Uma geração de atores brasileiros ganhando a vida reproduzindo com exatidão as falas inanas de algum reality show. É trágico.

No meio do essquema, contribuições ao esforço por agências de assistência alemã e inglesa, mais o astro de hroque do show ainda são os EUA;

Todos os canais sociais são enchidos de conteúdo alimentando o usuário com a perspectiva da diplomacia norteamericana sobre os acontecimentos no país.

O assunto que não quer se calar. por exemplo,  são os ínfames piratas iemenitos.

Um pânico moral é mantido pela imprensa sobre o assunto para esconder outros assuntos embaixo da tapete. Com piratas na costa, não podemos pensar em arriscar mudanças agora. Temos que consolidar o regime reinante! Comem bebês, os piratas, está documentado!

Até a Imprensa Oficial — GPO — está envolvido de algum jeito. Seria interessante saber mais.

Minha suspeita, ou melhhor, hipótese, é que uam campanha de marketing social está sendo utilizado para desmoralizar a oposição, que não conta com a boa vontade do Departamento de Estado.

O que realmente desperta meu desgosto é que o alvo dessa propaganda sou eu, que paga os impostos que pagquem esta farsa de uma cisma política encenada no Facebook para inglês ver.

Eu continuo mais impressado com quem bote bundas na rua do que quem colhe cliques em apoio do Instituto de Paz, Liberdade, Música Boas e Filhotes de Cachorros.

Não seria tão irritante — ou tão sério um assunto — se o New York Times, por exemplo, não comprava esse tipo de propaganda e lavava a cara dela acriticamente como se fosse jornalismo, como aconteceu, bem me lembro, em 2008.

Uma língua torta de chamas que não dão luz aguarda os propagandistas sujos no nono círculo do inferno, lhes prometo.

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