Vamos Voltar a Pilantrar | Sobre a Ambigueidade do Jabá e a Solidária Largesse

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Se vivemos em um mundo cheio de presidentas hoje em dia, embora da minha mulher não seja a única residenta dessa casa, e jamais ficar muito insistenta o instiganta comigo, a culpa é da chamada “folcsonomia” e a criatividde dos lusófonos comuns — com a ajuda de alguma agência de propaganda, não duvido..

O dtio “okay” em inglês começou a vida como a alcunha de um candidato corrupto do Seculo XIX, sendo a sigla do seu apelido “Old Kinderhook.”

Publicitários da campanna foram tão bem-sucedidas em espalhar a frase que acabou entrando no dicionário como um sinónimo de “tudo bem” ou aquele gesto de levantar o polegar para expressar entusiasmo e otimismo.

Eventualmente, a marca registrada Xerox virou “xerox” com xis minúsculo, um sinónimo para copias utilizando este método em geral.

Um dia, o g-minúsculo google vai acabar no dicionário como metonomia para buscas na Internet em geral. Com sorte, o brayton não vai virar o sinónimo da barriga journalistica ou alguém que fala pelos cotovelos.

Junto com o Urban Dictionary para o inglês contemporânea — uma fonte rica de dados para pesquisadores de linguistica empírica — a Wikipédia é um fator de peso na fixação das coisas que o povo diz também.

Um exemplo.

A palavra pilantropia é uma gíria utilizada no Brasil que se refere a uma falsa filantropia, ou seja, atos de caridade no intuito de se tirar algum tipo de proveito da situação. Este tipo de ação é geralmente praticada por golpistas que abusam da boa fé e da miséria alheias.

Parece haver uma banda de metal pesado levando este nome.

O humor atrás o trocadilho parece ter algo em comum com a frase em inglês greenwashing — trocadilho de difícil tradução mas com a força de denunciar a “responsibilidade ambiental” de certas empresas como o uso cínico de publicadidade de tirar o foco do seu verdadeiro mal comportamento. A Natura tem essa fama hoje em dia, assim como a Body Shop tinha no seu auge.

Você acha que a maiora editora no país seja um amigo do meio-ambiente, dado o processo podre pelo qual se produz o papel-jornal e os papeis lustrosos das revistas?

Mas são eles que contribuem maciçamente à campanha de Al Gore, Carbon Free — livre de carbono — e andam avaliando e premiando as práticas de outras empresas.  É como o surdo premiando os melhores violeiros.

Mais impressionante que este gesto vazio  foi a notícia de Coca-Cola recentemente que conseguiu cortar seu consumo de um plástico tóxico na fabricação das suas garrafas.

Se bem que a informação procede, atos concretos como estes falam mais alto do que estabelecer um instituto de pesquisa pela produção de discurso entusiástico sobre como é legal o branding verde.

Uma preocupação filosófica permanente minha, como se sabe, são as consequências éticas de fundir os modelos de governança dos setores públicos e privados no chamado “setor segundo é meia,” que chegou a ser chamado alguns anos atrás, em inglês, de “philanthropreneurialismo” — o filantropreendedorismo.

Sabiamente essa monstrosidade foi descartada em favor do sucinto “empreendedorismo social.” Valeria a pena fazer uma exploração semântica desses chavões e frases de publicidade .no estilo do filósofo norteamerican Willaim Gass — autor de On Being Blue (Sobre ser azul), um ensaido remarcável. inspirado no Wittgenstein tardio.

Entre outras coisas, o Gass explica a associação do cor em inglês com melancolia e sexualidade desmedida e aponta o quão a rima contribui a obscenidde da frase, “Go fuck a duck” (Vai foder um pato!)

No mesmo espírito, caberia a nós perguntar se a frase “empreendedor social” não seria redundante. Qualquer empreendedor é social em certo sentido, na medida que satisfaz demandas no mercado e emprega mão-de-obra.

Apesar da piada brasileira imortalizada na éfemeríssima Wikipédiaa, no entanto, há pouco na literatura dos ciências socias que trata dos caminhos de corrupção que pode assolar o terceiro setor.

Houve um livro de um pesquisador Australiano publicado alguns nos atrás, porém, que parte da antropologia do presente ou brinde para apontar as armadilhas do ato de doação no mundo empresarial.

Me lembrou de um filme antropológica que assistimos na aula de antropologia na Universidade de Utah sobre o rito do brinde competitivo entre o povo de Papua Novo Guinéia — a Grande Moka de Ongka, acima,.

Ele é o “homrem grande” do seu vilarejo que vive amonestado os concidadãos a aumentar a produção. para financiar o grande presente — até um jipe foi includio — que vai matar o homem grande viizinho de inveja e precisar de vários anospara ser reciprocado, ou, idealmente, superado em valor.

A Abong contabiliza as 338 mil  ONGs, OSCIPs, e FASFILs do Brasil com um aviso:

A pesquisa demonstra a heterogeneidade do associativismo brasileiro, explicitando o quanto esse universo é amplo e complexo. Assim, podemos ver que não existem 338 mil ONGs, na acepção destas como entidades de defesa de direitos e nem do terceiro setor, como são referidas as do campo da filantropia empresarial. Esses conceitos são políticos, sem rebatimento jurídico e esse universo amplo engloba também essas organizações, mas não se limita as mesmas;

ONGs internacionais são 40 mil, enquanto na Rússia há 277 mil e na Índia 3,3 milhões. Se mercados passam por momentos naturais de concentração no interesse de eficiência, o crescimento do ONGismo mundial parece ir na contramão da lógica econômica.

Quando de nosso amigo sul-sul, reproduzo e traduzo um resumo do argumento para Tupy ver — ainda que os escândalos australianos referidos me são completamente estranhos. 

Vale a pena perguntar se alguns presentes e doações poderiam ser enxergadas como uma forma de suborno, ou será que a diferença entre as duas é sempre clara e fala para si?

É uma boa pergunta para um país onde uma editora grande se gaba de limitar o valor de jabá a $R100 — enquanto o padrão no mundo civilizado é, era, e eu espero que sempre seja R$0.

Julgando pelos escândalos recentes na Austrália e no além-nar, empresas estão sofrendo crises de relações públicas como o resultado de escândalos de corrupção  relacionados com práticas de dar presentes.

Algumas encaram processos criminosos alegando mal-conduto até quando os supostos presentes foram vistos como verdadeiros, ou seja, sinceros e sem motivos ulteriores.

O Conselho de Trigo australiano, a bolsa do commodity,  sofreu bastante instabilidade e viu destruida bastante boa vontade, enquanto o bom nome do Conselho também sofreu, por causa de tal caso.

A polícia de Vitória viu seu reputação manchada quando foi descoberto que alguns agentes aceitaram “presentes” de criminosos, contrários ao Código de Integridade, minando a eficácia e ideais da tropa.

Até presentesou doações bem-intencionados podem virar o motivo de constrangimento quando algum limite meio ambiguo, ou nem tanto, é ultrapassado.

Não me parece haver nenhuma associação direta entre a filantropia de empresas e  o mal conduto empresarial. Nem as doações de empresas aos partidos políticos são necessariamente o que aparentam ser, apesar do fato dos empresparios doarem copiosamente. Rotuladas de “filantropia,” tais doações normalmente não saõ vistas com uma forma de mal conduto dentro do contexto cultural que condiciona tais práticas..

Pode ser, então, que a legislação toda regulando essas doaçãoes haverá que ser revisada para afinar a definição dos fins de uma doação filantrópica.

Se muitas doaçãoes demonstrando a responsibilidade corporativa de uma empresa implicam à mesma vez algum tipo de fim pragmático convivendo com o altruismo aparente; se presentes representem uma tentativa de assegurar alguma futura licença de atuar com as mãos livres do partido em poder; ou se a filantropia em geral seja um disfarce mambembe pela licitude informal de favoritismo políticos, estas são perguntas que precisam de uma análise cuidadosa.

No meu livro socio-filosófico, Doações, Corrupção e Filantropia: A Ambigueidade de Presentes no Mundo de Negoócios, eu pretendo explicar o fato antropológico de que presentes não são simplesmente expressões morais, mas também funcionam como atos que comprometem as partes em relacionamentos tanto econômicos e políticos como pessoais.

As pessoas dão por causa de um desejo de aceitação social ou na esperança de receber algo em retorno; as pessoas recebem porque não querem constranger o doador, e reciprocam o presente para não se humilharem.

O conceito de reciprocidade condiz a um sentimento de estar com uma dívida a ser repagada ao benefator.

Mas o princípio de reciprocidade também é facilmente abusado, como vimos nos escândalos acima citados.
Por causa dessa ambigueidade inerente na prática de doar ou dar presente, a doação pode facilmente ser malentendida no sentido de uma lógica de quid pro quo ou até da dominação proposital do recipiente.

Doadores portanto sempre deviam ficar atentos aos possíveis perversões e malentendidos do ato de dar, tal como ao possível desejo de dominar ou à vontade de comprar, informalmente, a licença de violar alguma norma social ou valor moral.

Presentes não infrequentemente são as peças em uma luta pelo prestígio, um combate simbólico no qual os patentes sociais e prestígio do doador e recipiente estão em jogo.

Filantropia é a arte delicada de se equilibrar na corda bamba dessa ambigueidade permanente.

Presentes reciprocados correm o risco de cair na armadilha de ser vistos como uma maneira fácil pela qual as elites justificam seus mútuos subornos, favorecimentos, companheirismos e negociatas, alegando que a prática não passa de algo inocente e socialmente bem-aceito.

Caindo nessa justificativa amiúde leva a um envolvimento viciado e destrutivo em práticas cada vez mais corruptas.

A propina corroe e desarticula o tecido de moralidade e a confiança tão importante à coerência de qualquer comunidade ou relacionamento.

Desse fato vem a importância de empresas e lideranças serem vistas como confiaveis, íntegros e responsáveis.

A propina pode trazer vantagens imediatas, mas o valor destruido em termos de confiança na organização é muito maior.

Póliticos, entretanto, deveriam ser agentes confíaveis do Estado e não os amigos de confiança de elites empresariais.

Estudando a sociologa de doações e presentes dentro de um determinado contexto cultural e econômico, eu espero, ajudará o leitor a adotar estratégias adequadas de responsibilidade empresarial, com o objectivo de aprofundar nos relacionamentos com parceiros e aumentar o valor devido ao acionista. Levando em conta a ambigueidade inerente do ato de doar, um presente ou doação deveria ser feita de maneira de ser vista como algo valioso,digno, e pró-social dentro do contexto no qual é recebido e noticiado.

Angus Young, guitarrista do grupo AC/DC, disse a mesma coisa em palavras mais grossas uma vez. Foi mais o menos que, se ele queira apoioar uma boa causa, ele escrevia o cheque e mandou pelo correio. Não ficou gabando-se do ato a um estádo cheio de 50.000 pessoas, que nem o cantor Bono da U2.

“Aquilo não e hroquenró,”sentenciou.

Resumindo, então, o conselho de nosso autor aussie é aquelo velho ditado sobre a melhor de César — não basta ela se manter casta, tem que cuidar de aparecer casta também.

Mas essa encenação não pode ser teatral demais, ao ponto de ser recebido como uma mera campanha publicitária — como, digamos, o famoso, saudoso Cansei.

O que aconteceu ao final com aquela dupla sertaneja de repórters da Folha que conseguiram, aproveitando conexões íntimos com o poder da burocracia do Estado,  estabelecer a Igreja Fictícia, Isenta de Impostos e Acima de Tudo  Heliocéntrica do Sagrado Evangelho?

No pior dos casos, a situação se resume assim: eu ganhei decenas de bilhões de dólares com meu zaibatsu de software, causando um estrago enorme ao mercado livre e a capacidade de inovação da economia,  e agora vou gastar aquele dinheiro para transformar o mundo na minha imágem e segundo minhas crenças pessoais.

Em qualquer caso, penso nesse livro — estou duro demais de pedir da Amazon agora — em conexão com meu modelo do “empreenedorismo social,” na qual oportunidades de neg´socios podem almejar ou se afastar de fins lucrativos, out até aproveitar as sinergias entre os dois.

Botei o modelo na rede pelo uso e os comentários de outros.

O modelo com que eu comecei assumia que a “organização em rede” seria um recurso apanas para alianças de negócios, mas o fato é que existem oportunidades estrturais pela montagem desses esquemas dentro de outros setores, ou, mais importante, entre os setores.

Na minha modificação do taxonomia de organização, acima, mostra alguns exemplos aleatórios: um aliança de agências governamentais que terceirizaram o atendimento à cliente, uma ONG servindo os tadinhos que depende de recusros de uma PPP. As combinações possíveis são incontáveis — assim com são as finanas de grande número de OSCIPs e ONGs, não posso deixar de observar. .

Pois são nas sinergiss entre setores — era uma vez bem definidos, ou asssim diz o mito, mas agora fazendo de tudo de passarem desapercebidas — do mundo social que ameaçam com escândalos e indiganção, pelo fato de aproveitarem modelos de governança, valores e estruturas de compromissos incompatíves. A não falar em certo percebidoo cinismo sobre a nova indústra de CSR — “responsabilidade social corporativa.”

Até o barômetro de confiança de Edelman ainda mostra grande grau de confiança nas ONGs, embora são mais bem-vistas às vezes que governos. A tendência, no entanto, é de queda.