Esse Blog Virou Chato Demais. E Agora?

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Esse blog virou chato demais. E agora?

Ultimamente eu passo mais tempo escrevendo num novo blog, em inglês e bem mais técnico, sobre as lições aprendidas sobre a propaganda digital durante nossa grande aranhação do surto de atividade do ano passado. Estou testando algumas ferramentas disponiveis para o Drupal e o Wikimedia na área da «rede semântica»,

Foi um bom ano para um estudo desses, do mesmo jeito que anos de eclipses são para astrónomos. O céu estava perturbada e novos, estranhos objetos saíam da penumbra da lua e mostrava sua cara.

Aquele cinto de asteróides que nós costumamos chamar o LSD — ou seja, o Latifúndio de Samizdat Digital?

Acontece que há não somente um termo mais toda uma literatura científica em inglês sobre o efeito descrito. Chama-se do «efeito Sybil».

Refere-se ao filme com Sally Field no papel de uma mulher sofrendo de um transtorno de personalidade múltipla. Literalmente, se refere à tática de minar mecanismos de confiança em redes p2p — ou seja, boca à boca — pelo uso de «bloco de eu sozinho» — uma multiplicidade de agentes pseudônimos, espalhando desinformação ou fraudeando os mecanismos de “votação” no sistema.

O que me está interessando agora é a ligação entre esta tática e a estratégia utilizado por um oligopólio para evitar a competição ou concorrência.

O espanhol tem o verbo coludir e a colusión, cognata com nossa collusion — do Latin, con+ludere, “brincar, jogar juntos.”

A língua portuguêsa tem o belo conluio.

Muitas vezes é uma situação levando à chamada”tragédia do pasto comum” do que se fala tanto na economia — aquele onde todos os jogadores acabam perdendo por terem insistidos em não aceitar um resultado bom, ou até apenas não prejudicial, por não ser o ótimo.

Vamos nessa então: como é este novo mundo que chamaremos da Ordem da Personalidade Múltipla (disorder, ou falha de order, sendo a tradução mais comum de «transtorno»).

A questão mais interessante nessa área, segundo minha leitura, é a questão de como se fiscalize um conluio, que por definição não existe formalmente, com selos e reconhecimento de firma no cartório, em algum contrato que pode ser levado à justiça.

Tudo vem da boca da caixa eletrônica.

Li um ensaio recentemente sobre as keiretsu do Japão — um tipo de oligopólio informal, discreto e tolerado pelas authoridades por muitos anos — no qual o entrecruzamento de diretores entres as várias empresas da rede funcionava assim como um sistema de auditoria informal.

A analogia eu propus a um amigo é o condomínio fechado informal aqui no bairro e sua ad hoc privatização.

Um dia aparece uma guarita. Outro aparece alguém com cara de soldado raso de folga, e de repente a passagem pela rua não é tão livre assim.  Vocês sabem como é.

Não custa muito — você sendo “do bem,” ou seja, um branquelão parecido comigo — e portanto ningúem reclame demais.

Por causa de tudo isso, eu fico ponderando o significando das palavras que começam com c e descrevem como seres humanos podem ser colegas ou adversários.

  1. Cooperação
  2. Coordenação
  3. Colaboração
  4. Conluio ou colusão
  5. Concorrência ou competição
  6. Coopetição

Este último foi proposta nos anos 1990 por uma dupla sertaneja de professores de Harvard. Que eu saiba, não passa da mesma coisa do bom e velho contrato de não-concorrência, só que eles descubriram como evitar o flagrante.

Mas eis o problema de novo.

Fico nesse discurso tão chato quanto antes.

Sabe o problema?

É que faz um ano agora que não leio algum bom e novo livro. Razão: o preço de livros aqui é um crime de lesa-humanidade.

Eu não acompanho minhas estatísticas de leitores demais, além de dar conta de quais são os mais lidos.

Agora, se bem que aquela bagunça de um rascunho que eu escrevi sobre arquetipos literários entre lá e cá está sendo consultado constantemente — por que não sei, embora eu podia descubrir — é mais aquele tipo de coisa que eu deveria produzir.

Que tal um seminário-blog sobre Garcia-Roza e Raymond Chandler?

Estou de saco cheio com a política nativa também. Ironizar a prefeitura virou banalizou-se, como acontece em quase qualquer cidade. Nós temos o ditado, por exemplo: “Não se ganha contra a prefeitura.”

Está na hora de falar de negócios, talvez. Eu acabo do fazer uma «aranhação» de 175 mil sítios ligados com a Febraban, e disso espero aprender algo de novo sobre um sistema bancário que de outra maneira me permanece um esfinge.

O desafio técnico é poder botar toneladas de dados desse tipo na rede de forma útil.

Um comentário sobre “Esse Blog Virou Chato Demais. E Agora?

  1. meiradarocha

    Continue com este blog chato. Não existe nada como ele no mundo, que eu saiba, na área de jornalismo investigativo na rede.

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