Batalhões de Bicicletas Libertam a Cracolândia!

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Pensando ultimamente nos modelos de gestão empregados em projectos de transformação urbana — uma categoria de projeto com prazo fixo que se encaixa bem com a montagem de uma organização virtual, segundo um certo Professor da UNINOVA — resolvi fazer uma radiografia do projeto Nova Luz como este é promovido e explicado na rede pela prefeitura.

Primeiro, vemos o projeto no contexto de outros tantos no cardápio do governo municipal agora. Acaba sendo um passeio educativo em geral, quando dos mecanismos de licitação e contratação das trers esferas do governo aqui no Brasil.

Para construir essa visualização, usei a «aranha» Navicrawler, junto com Firefox, começando com o sítio montado pela Prefeitura para comemorar o glorioso futuro do Centro Lincoln de Samboja lá perto da Estação da Luz, que a ultima vez que eu passei por lá continuava um terreno baldio que lembrava as fotos tiradas na Hiroshima depois da explosão da bomba atômica.

O robô registra todos os caminhos levando lá fora ou voltando pra cá. Uma vez que os e-governos estadual e municipal gabam-se de ser os mais redecéntricos do Brasil, o resultado é um mapa parcial de relacionamentos, procedimentos administrativos, e campanhas de propaganda.

SPTuris, programas de incentivo ao investimento, e a promoção de artesanato, são os destaques deste primeiro círculo do purgatório, mas — aplicando umas medidas simples de centralidade ou denside de interligação — os polos do circulo são o aparelho do estado de São Paulo e as entidades federais envolvidas no financiamento do projeto também. Veja bate continência como a fonte principal pela tradução de propaganda em parajornalismo.

Mais sobretudo, fiquei impressionado com a montagem de uma massa de manobra fictícia — se quiser, movimentarianista — para dar ímpeto à propaganda promovendo o projeto.

Pega carona na garupa da militância do grupo Critical Mass em Nova York — um grupo de ciclistas que visam a redução do perfil do carro na cidade, e tem apanhado da polícia no passado, embora têm melhores relações com a prefeitura de Bloomberg —  a propaganda prefeitura invoca uma grande tendência em favor do ciclismo como parte da sua campanha.

Não importa que todos os laços à bicietada — salve a bicicletada brasileira — são de mão única, ou seja, não são reciprocados, na vasta maioria, pelos clubes citados. É como ouvir alguém se gabando num coquetél das amizades que ele tem com Arnaldo Antunues e Zé Dirceu — que nunca ouviu falar do cara.

Ainda assim, tudo que é marca de bicicleta, fabricante de bicicleta, feira de bicicletas, grupo de ciclistas, genuínos e inventandos, e todo mais são alistados para moralizar um movimento pela realização daquele velho sonho,  um Centrão livre de carros.

Ora, vou encurtar essa nota pelo fato da NetVirtua ser uma porcaria total.

Só quis dizer que o perfil que surge da nossa radiografia é de uma campanha de propaganda de ponta, com elementos essenciais como uma imprensa chapa-branca e o elemento de «movimentarianismo» — a impressão de uma forte tendência em favor de algo que na verdade poucas seria contra.

Eu vejo ações sociais paliativas — patrocinadas pela iTudo, aliás — mas media alguma para lidar com a população viciada e sem-teto.

É sempre bom cuidar da guriada, montando sítios fofos para isso, mas o fato mais sombrio a ser encarado são as hordas de adultos viciados em craque vagando pelas ruas.

Vamos ver qual efeito viral se espalha com mais rapidez: o vício, ou a propaganda viral da prefeitura.

Também queira deixar registrada que utilizei o método preguiça pela primeira vez em uma entrevista profissional sobre a terceirização de serviços de TI ao Brasil. Consegui entender rapidamente a liberdade de ação e os impedimentos e limites institucionais do entrevistado na promoção dessa indústria.

Facilitou muito a entrevista, que saiu bem.

Depois eu publico.

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