Liberdade e Morte: O Valor de Integridade e a Integridade do Valor

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Faça clique para ampliar. Dados colhidos 18 abril 2011. 

A ABES acaba de firmar mais uma importante parceria com o Jornal Valor Econômico … está lançando o primeiro (de vários outros!) projeto especial setorial com o objetivo de sempre ressaltar a importância das empresas de TI dentro de um determinado setor específico

Os termos da parceria, como dizem, não foram divulgados.

Um sem-vergonhice total foi aquelaa seção especial no Valor Econômico de ontem na qual os mesmos portavozes de sempre fazem os mesmos argumentos de sempre sobre a autorregulamentação — nesse caso da BM&FBovespa — e a liberdade, por exemplo a escolha livre de se someter ao vício de tabagismo.

No meio da seção, um anúncio da Souza Cruz, subsidiária da British American Tobacco, exaltando a

liberdade de expressão como fundamento da livre-concorrência entre as empresas trabalham com produtos legais e na liberdade de consumidores adultos para fazer suas escholas livremente.

Este papo já foi cansado uma década atrás nos EUA, embora seus bons soldados, como o Instituto Cato, portavoz de tabagismo, o jogo, e os grandes poluidores, continuam nas trincheiras.

Ontem, a rede comeu uma longa nota minha sobre o assunto, cheio de xingamentos e ofesas, mas o básico foi que o Valor parece ter vendido sua integridade. Um vehículo pode vehicular matérias fornecidas por um terceiro, mas não pode dá-lhes o mesmo tratamento gráfico do conteúdo próprio.

Tampouco a colocação de “Especial”  satisfazer o dever de divulgação. Se trata de um caderno patrocindado pela ABES ou outros, tem que gritar isso antes de mais nada, estampada em cada página.

Além disso, muitos dos artigos que possuem autor no caderno “especial” são compostos de “jornalistas” que não são do jornal, e muitos são anônimos. tal como “Febraban vai criar entidade autônoma até o fim do ano.”

Não tem aquele sabor amargo de incesto editorial?

A “jornalista” Carmen Nery, que contribui um artigo ao pacote, na verdade é dona de uma agência de publicidade ou editora e trabalha, ou trabalhava, como gerente de atendimento at CDN Comunicação Corporativa.

Livremente fumes e morrerás. L&M. 

A palavra especial condiciona o nome Autorregulamentaçao, é verdade — me lembra do jeito que propaganda de cigarros tem de escolher adjetivos emocionantes mas vázios, como suave, valente, livre.  Mas projeto gráfico dessa seção é o de costume. 

Seu dever de casa, então, é fazer um censo das fontes dessa seção especial para descubrir a razão de jornalismo à publicidade e propaganda. O Márcio de Sampaio Castro é um jornalista de plantão do Valor, parece, com atestado por esse ensaio no Observatório da Imprensa — agora com patrocínio d Coca-Cola!

Como muito das empresas engajadas nessa campanha de “responsibilidade social corporativa,” o Coke oferece dicas sobre como melhor queimar as calorias vazias que seus produtos representam.

Agora, a BAT é a sigla da British American Tobacco, navio-mãe de uma empresa que vende cigarro em 120 paises, ou mais.

A liberdade de expressão que reclama para si é fazer ouvida a «ciência» segundo o qual, por exemplo, não há correlação entre tabagismos e várias doenças — o chamado junk science, uma corrrente sem fim de sofismas e besteirols.

Tomando parte, pelos vistos, são empresas tanto nacionais quanto estrangeiros, como o Business Software Association — leia-se, Microsoft em formato de zaibatsu — e várias empresas de petróleo, como Shell e Texaco.

A agência BZO parece ser responsável pela montagem da campanha em línea.

E asssim por diante até o fim dos tempos.

Acho justo inferir que a Globo está servindo de canal de propaganda quase-oficial da ofensiva.

Uma vez que o Valor é um empreendimento conjunto do Grupo Folha e a Vênus, não deve surprender, suponho, que sua voz editorial seria à venda ou para alugar.

Ainda seguindo o roteiro neocon, também há o componente “liberdade de impostos.”

A noção de que o setor empresarial é um herói dos romances de Ayn Rand é uma piada. Quando eu ganhava o maior salário da minha carreira, eu estava pagando 40% desse salário em impostos — enquanto grandes empresas e seus acionistas não estava pagando nada. Obrigado, Bush Filho de Bush, ambos candidatos da ladainha “vou cortar impostos.”

A grande reclamação dos pais da pátria não foi o tributo pago, mas que o tributo foi pago sem o direito de ser representado na toma da decisão. “Sem representação, nem um tostão de tributo.”

Agora, quem tem representação adequada perante o governo hoje em dia? Eu ou o BSA?

Falando da qual, não parece ser de conhecimento público e notório, mas, segundo seu site,

A ABES acaba de firmar mais uma importante parceria com o Jornal Valor Econômico para contribuir com aquelas empresas associadas que desejam expandir e/ou desenvolver novos negócios em segmentos diferentes da economia nacional.

Para inaugurar essa parceria, está lançando o primeiro (de vários outros!) projeto especial setorial com o objetivo de sempre ressaltar a importância das empresas de TI dentro de um determinado setor específico por hora abordado.

Um jornal que precisa ser pago para cobrir um assunto de tamanha importância não merece minha confiança, acho. Tem cara de, “eu te ajudo dar mais publicidade a meus clientes de uma maneira que não lhe custa nada.”

Se bem que a ABES representa 85% das empresas de software do país — fato que fica sem confirmação devido à pessima qualidade do sítio da federação —

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