Quando Brooklin Era um Paraíso

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Era uma vez um cidade linda chamada de Brooklyn. Tinha sua própria versão do Arco de Triunfo, comemorando a vitória da União durante a Guerra Civil e escultado pelo genial Winslow Homer.

O editor do seu jornal matutino era um dos grandes poetas de todos os tempos, o Walt Whitman.

Com a construção da ponte, porém, veio um enxame de canalhas, patifes e malandros querendo aproveitar a situaçao. Apesar de toda resistência, os contornos políticos da região foram redesenhados e o Brooklyn virou apenas um borough — bairro — da notoriamente corrupta cidade de Nova York. 

Logo no começo a cidade foi pemedebizado de pê até a cabeça.

Criou-se uma «condade» — normalmente uma região abrangendo vários municípios — cujo território coincidia exatamente com a antiga cidade.

Com a firma de algum cacique, assim, dobrou-se o número de servidores públicos quando dobrou-se o número de governos.

Isso sem falar da estrutura administrativa do borough como uma região autònoma da cidade. O inventário de cargos triplicou-se, na verdade.

E assim, a idade do Tammany — a máquina polítical levando o nome da sala de reuniões onde, ah, se reuniam — começou.

Foi só no ano passado que a grande obra faraônica do Boss Tweed acabou-se: o tribunal quase como se fosse maior e mais opulento do que a Hagia Sofia.

Sumiram durante o projeto, jamais acabado, nos dólares daquela eṕoca, $50 milhões. Nos dólares de hoje, por murchos que sejam, seria bilhões.

Eram um bando de filhos de puta que não esperavamos ver de novo jamais — até chegar os FDF de Bush, que, prometendo um governo maix enxuto, criou nova agẽncia com 16,000 cargos.

É os do Tammany eram Democratas, inclusive — embora na época isso queria dizer escravocrata, anti-União, e sobretudo anti-convocação de homems para servir de soldados.

Eram os anarcocapitaista-libertários do seu tempo.

Estou lembrado de toda esta  história pelo projecto que estou tentando montar aqui na Wandora.

A idéia é carregar o modelo com cargos à disposição dentro do governo municipal paulista, fazer rapidamente uma pesquisa google sobre o titular, e tenta ver quais os outros laços institucionais do ungido.

Como já notei, eu achei incrivel que o jornal diário da Associação Comercial de São Paulo, de direito privado, teria uma lista de convites ao baile de posse de Kassab no expediente na capacidade de “vice-presidentes.”

Nunca cheguei a uma opinião firma sobre o caso, mas o que alguns minutos brincando com a ferramenta, produzida se não me engane pela MIT, é uma organização exageradamente vertical em vez de horizontal —- e além disso, redundante com o sistema de subprefeituras.

Encima, ou mais para baixo, da estrutura mais visível, a cidade tem autarquias, coordenadores, conselhos de coordenação e consultativos, empresas propriedade do município, e, por final, a administração municipal tem as “outras.”

Um exemplo. Leio logo de manhã que o novo secretário da SECOM da cidade de São Paulo será esse tal de Paulo Carlesso.

Parece provável que este seja o sócio-fundador de Brugim & Carlesso, Imobiliária Cidade.

Hmmm, essa firma não aparece na JUCESP. Ah, aqui ô.

Puxa, não pode ser o mesmo cara, pode? Essa firma é de Cascavél, PR.

Talvez o cara arrumou um sinecure lá.

Na verdade, confundi um Carlesso com outro. É fácil demais a fazer.

Dá muito trabalho responder essas perguntas — mas CBN parece achar que não é o trabalho pelo qual a gente está pagando.

Ora, digamos que um homem possui os dois chapéus — eu pessoalmente tenho três, entre os quais um de cangaceiro.

O teste da integridade será se ele, ou outros naquel situção, possam usar só um dos chapéu por vez.

Ainda assim, a fonte — Rádio CBN — devia ter sofrido um pane quando das qualificações sólidas do homem escolhido. Como, por exemplo, seu diploma de comunicador do Cásper Líbero.

Me custa um pouco de trabalho, mas consegui identificar a foto do cara no Facebook que corresponde ao cara no Twitter que parece dizer ter sido nomeado.

Quanto vale o orçamento municipal de propaganda?

(O Correio Braziliense recebeu mais do metade de um orçamento de R$250 milhões do DF em um ano recente, por exemplo. )

E quanto sabemos sobre o cara que vai gastá-lo? Alguém consegue achar o orçamento online bacana, com todos os números rapidinhos e seguindo padrões internacionais?

Esqueça tudo o que veio antes. Estava viajando. O SECOM da prefeitura de Samboja é o seguinte:

  1. Secretário-executivo: Marcus Vinicius Sinval
  2. Secretário-adjunto: Marcelo Rehder
  3. Coordenador de Imprensa: Sérgio Rondino
Este último era o âncora da Band e depois deputado federal pelo PSDB.
Seu chefe, o titular, fornado em Mackenzie, depois aprendeu o método AcuPOLL de uma empresa de Cincinnati, estado de Ohio — na verdade, o QG fica em Tustin, em California — e virou seu evangelista entre os índios Tupy.
A empresa fabrica uma máquina de votação com recibo impresso para o eleitor e ganhou a aprovação do conselho eleitoral do estado de Missouri.
Seu — da empresa, quero dizer — bom nome sofreu mais recentemente da condenação de um sócio da empresa, em um caso de fraude e operações fraudulentas nos mercados de capital.
Nosso SECOM passou o exercício 2003-2006 como gerente de SEBRAE-SP.
Todos estes detalhes sobre laços institucionais passados e presentes podem ser entrados no modelo.
Próximo nome …