Os Pares da Politécnica | Cruzando Dados e Dedos

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Kassab e os 11 colegas de classe da Poli que governam a cidade: fiquei interessado por aquele perfil dos assessores mais chegados ao nosso prefeito — digo “nosso” por causa do IPTU que pago embora eu não ser eleitor — que apareceu na Estadão faz vários dias.

Esses 12 homens bem-comportados, que se formaram engenheiros civis na Escola Politécnica da USP em meados dos anos 1980 e hoje estão perto dos 50, formam atualmente a linha de frente do poder na cidade. Em comum, foram colegas de classe do prefeito Gilberto Kassab DEM na Poli, com quem mantiveram uma amizade duradoura que lhes rendeu a oportunidade de ocupar cargos estratégicos na atual gestão. “Não é a faculdade que importa. Temos gente de todos os cursos na administração. Mas a Poli é um centro de excelência e poder contar com eles é um privilégio”, defende o prefeito.

Bem-comportados?

Tenho uma memória nítida da truculência de Kassabinho na perseguição de um manifestante contra a Lei Cidade Limpa. Um chute na bunda foi o melhor prometido, e tudo se dando ao vivo na caixa de idiotas.

Depois, inventaram o inflável Kassabinho, conseguiram a transferência de afeto do homem ao cariacatura, e tudo deu certo.

Em qualquer caso, faz tempo agora que estou tentando utilizar a Prefeitura sambojana aqui como uma experiência na construção de um banco de dados do tipo conhecido como topic map, ou «mapa de tópicos».

Não tenho muitos resultados a relatar ainda, sendo que um raio fritou mais um transformador de Eletropaulo e deixou a gente vários dias sem rede. Como dissse um sábio anônimo recentemente,

A banda larga no Brasil é ruim, cara e para poucos. Essa situação precisa mudar.

Assino embaixo.

Ao Brasil ainda falta os grandes bancos de dados públicos que temos lá em casa, que, por exemplo, fazem possível cruzar o currículo de uma autoridade com fatos de interessse público.

Aí, a secretária de diplomacia públic da Hillary, não canso de apontar, já chefiava MTV e o canal Discovery, ambos os quais tem interesses profundos na «promoção de uma mídia livre e democrática» como na visão do Instituto Milennium.

Me lembro de ficar atônito quando Kassab virou prefeito e ninguem fez muito coisa de seus irmãos receberem altos postos no SPTrans e Metrô.

Algumas observações soltas.

A Prefeitura tem uma tendência de botar um organograma no ar e chamar isso de transparência.

Você muitas vezes tem que passar de um sítio a vários outros até poder saber do laço posto-nome de um departamento do governo — ou seja, para citar um exemplo irritante, que o presidente do SPTrans despacha no gabinete do secretário de Transports e chama-se Marcelo Cardinale Branco.

Pelo mais puro ocaso, um chapa com o mesmo nome é o secretário de transportes, e portanto acumula a presidência de todas as empresas municipais de transporte público.

O conceito do esquema a ser construido é simples: A Prefeitura tem cargos a preencher em vários orgãos do aparelho municipal, e os preenche com pessoas.

A prefeitura tem departamentos.

A prefeitura indica pessoas.

Essas pessoas vão tocar estes departamentos.

O legal disso tudo é poder construir outro banco de dados, essa vez juntando dados focando os currículos das pessoas fora do setor público — começando com seus laços institucionais conhecidos e gradativamente acrescentando mais, construindo a rede social mais ampla da pessoa e podendo estudá-la de inúmeros ângulos.

No SECOM municipal, por exemplo, não deveria ser surprendente achar trabalhando de portavoz um antigo âncora da Band que depois virou deputado federal do PSDB. Governos não são obrigados a escolherem portavozes que não concordem com eles!

O secretário de Relações Internacionais muncipal ou já foi ou no momento é o suplente do falecido Senador Romeu Tuma — além de ser, como quase essa turma toda, vice-presidente do SP Chamber-ACSP.

O trabalho duro é a caçada e extração de dados que não foram pré-estruturados.

Dado uma lista simples, em texto ou em HTML, o pesquisador pode aspirar grande poeira de informação. De 30 segundos de Flash ou Silverlight, nada.

Da CVM, por exemplo, achei uma lista de todas as corretoras habilitadas de facilitar operações no mercado brasileiro. Essa vez, não fui obrigado a despir o texto de uma mar de código de ASP. Voi um arquivo simples de VSV-, os valores separados por vírgulas.

Foi possível subir toda essa informação ao meu sítio wiki. Legal, né?

Wandora é difícil aprender a aplicar, estou te avisando, embora tenho certeza que a dificuldade seja maior para mim que para quem mexe com essas coisas profissionalmente.

Descubri um texto um pouco mais fácil a entender sobre o assunto todo.

O lado positivo é que pode-se trabalhar cada vez mais com arquivos do mesmo formato — XTM — do que o CmapTools, por exemplo.

Acima, ONGs afiliadas com GIFE e ONGs afiliadas com ABONG. Entre as duas, falam para algo como 600 dos 27 mil ONG-OSCIP-FOSFILs do País.

Lição do dia: Quando não é tão difícil assim produzir dados estruturados e detalhados sobre todo um governo, apresentá-los de maneira fragmentada e ofuscante é, ou sinal de um investimento em tecnologia aquém da ponta ou uma brincadeira mal-intencionada com o usuário.

Sabe quantas páginas você têm que navegar até o nome do presidente de SPTuris, por exemplo? Não me pergunte a mim, ainda não cheguei.

O ACSP, do qual o prefeito e o vice-governador são vice-presidentes, edita o Diário de Comércio. Lá tem um fato inusitado e complicado para uma análise institucional desses.

Até a próxima, continuo trabalhando no que será o maior opus do Século XXI, O Dicionário Anotado de Siglas Burocráticas Brasileiras.