Quem é o dono de quanto de o quê? | Laboratório

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Do arquivo dos grandes desperdícios de tempo, uma nota técnica minha sobre um projeto ao que retorno de vez em quando para passar o tempo entre CSI Samboja e Lei e Ordem Carioca na televisão:

Ou seja, quem é o dono de quanto de o quê?

Além disso, perguntamos: pode-se responder com o apoio dessa ferramenta finlandesa Wandora — uma bugiganga de «gestão de conhecimento» — com que eu ando brincando ultimamente?

Provavelmente se pode.

Um sonho que tenho como jornalista-e especializado na área de fusões e finança corporativa e aquilo tudo é poder manter um banco de dados pessoal do balanço das participações dos vários jogadores de um setor.

Um bom exemplo para começar é a seleção de leituras de cada manhã aqui em casa, acima.

Até agora, com a Wandora, consegui construir um modelo simpoes de jornais lusófonos tocando em economia e empresas, para saber como fica a fatiada acionária de cada um.

O imprescindível apesar de tudo Valor, por exemplo, é, como sabemos, um JV — empreendimento conjunto — da Folhapar e o Globobogrupopo.

E lembramos de que o controle acionário do novo concorrente, o Brasil Econômico, continua polêmico, por causa da maneira que certas limitações sobre participações por estrangeiros foram dribladas.

Em qualquer caso, seria bom poder divulgar os números ou pelo menos os expor a calculações que serviriam para montar «gatilhos». Os terminais das grandes empresa de dados financeiros ja oferecem essa capacidade faz uma década. Seria legal construir uma versão caseira.

Do glocalizado Diário do Comércio, orgão oficial da Facesp-ACPS, já fizemos um modelo um pouco mais simples.

Lá, vemos que várias organizações, como por exemplo a Sociedade Editorial Brasil de Fato, editam revistas cada semana, enquanto outras entregam uma edição cada dia.

Será que se faça assim?

A transparência da S.E.B.F., no entanto, — botando o CPNJ e tudo — é admirável e ajuda muito no trabalho.

Este de fato ganha mais nitidez ainda frente ao trabalho de chegar a quaisquer dados firmes sobre os maiores grupo de mídia no país — especialmente Abril e Globo.

Este último mantém um sítio de relações de investidores para duas emisões de notas de longo prazo, uma em 2007 e outra no ano passado, que continua, digamos, subdesenvolvido e «ainda em desenvolvimento».

A tarefa nos enolve nos labirintos borgesianos definidos por relatórios financeiros eventuais emitidos não se sabe por que nem para quem, só que depois de repente houve uma enorme boiada de sudafricanos correndo pelos corredores.

(Agora, meus velhos colegas na Conde-Nast estão desembarcando também, cê viu a estreia do GQ Tupi com a quase-pelada armada com peixeira baiana em coldre vestido na coxa? Projeto conjunto Editora Globo Conde Nast — outra corporação fria, sociopáta e intrigante sem fim. Tina Brown é O Cujo. )

Então, se bem que tenhamos o método de construir nosso banco de dados mágico, nos faltam ainda os meios.

Conseguimos sim, entretanto, dizer qual a classificação industrial da entitdade. Esta seria nesse caso 5500 Mídia — eu utilizo o ICB pelo fato da NAICS e o sistema utlizado no Brasil serem exdrúxulos e antiquados.

Cada mega-empresa de dados financeiros hoje em dia tem seu candidato a essa análise-padrão, ICB sendo o do Dow Jones, leia-se Rupert Murdoch. O Thomson-Reuters tem outro, o TRCB, que leva o nome da empresa.

Essa questão de como fatiar o frango — não temos aquele estilo »passarinho» lá em casa, quando você vai à casa do Coronel comprar um baude com tempero crocante  — eu acho fascinante.

Do mesmo jeito, nos faltamos a picanha assim como lhes falta a vocês o T-bone.

Em certos casos podemos saber quem são os investidores no projeto.

Se fosse o caso de uma empresa pública — quer dizer, com ações disponíveis ao público — o investidor seria «float», ou seja, quemquiser quiser as pode deter.

A única coisa que ainda não consigo fazer é desenhar o esquema de tal jeito que a participação acionária aparece no diagrama visual do esquema.

Olha só, Valor e seus sócios.

O projeto, devo relatar, também está apresentando certas dificuldades que atribuo diretamente tanto à tradução da documentação quanto ao fato de que programadores quase sempre são
os piores candidatos para produzir o guia do usuário da gambiarra.

Os finlandeses geralmente tem um ótimo inglês, que começam a estudar ainda pequeninhos, mas é um inglês esquisito, meio alemanizado. Cheguei ao ponto de ficar meio zonzo, tentando decifrar aquilo lá, e desisti por enquanto.

Outro sítio «ainda em desenvolvimento»: o fundo de solidariedade do governo Alckmin II.

Samboja: onde os prazos são infinitamente extensíveis.