Oba, Liberdade da Press | Oba, Freedom of the Imprensa!

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Feliz Dia da Liberdade pros Trabalhadores na Imprensa, pessoal, gatos, e companeiros!

Gostei muito daquele anúncio feito pelo grande Pereio para o Canal Brasil recentemente.

Ele faz um breve discurso num inglês gozado e depois comenta, “Acham estranho eu estar falando em inglẽs? Ainda bem, aqui não aguentamos aquela m*da!”

No mesmo espirito comemoro com meus grandes amigos entre a familia Civita Dei o Dia Internacional da Liberdade da Imprensa — o que, na verdade não existe.

É o World Press Freedom Day e nem uma tradução para o francês, lingua franca consagrada da diplomacia desde o tratado da Westfâlia, né?

Bem, deu no Noblat que deu no Merval que deu no PR Newswire Brasil que pelo telefone chefe da polícia mandou avisar …

Merval Pereira, O Globo

Começa hoje em Washington um seminário jornalístico patrocinado pela UNESCO para comemorar o Dia Mundial da Liberdade de Imprensa. Sob o tema geral “21st Century Media: New Frontiers, New Barriers” (“Meios de comunicação no século 21, novas fronteiras, novas barreiras” em tradução livre), durante 3 dias jornalistas de todo o mundo dedicados à defesa da livre expressão estarão debatendo no Newseum e no National Press Club a liberdade dos meios de comunicação na era digital.

Ora bola, esse tal de debate está sendo financiado principalmente pela CIMA e o Broadcasting Board of Governors, acima, além do Departamento de Estado dos EUA e vários outros orgãos do NED, o National Endowment pela Democracia.

O BBG talvez vocês desconheçam. É o conselho da diplomacia gringa responsável pelas emissões de propaganda do governo no exterior, tal como Al-Hurra e Rádio Marti.

Ela opera com regras diferentes do que o PBS — nosso EBC — por causa da legislação proibindo a difusão de propaganda almejando o público doméstico de cidadãos.

Ou seja, é a rede de sempre de entidades, como reza a definição, “tecnicamente juridicamente distintas” mas praticamente falando jogando na mesma seleção.

A API, aliás, é uma entidade de classe parecida com a ANJ, juntando vários dos maiores e mais históricos grupos econômicos do setor — tal como McClatchy, Hearst — autor da Guerra Americana-Espanhola — Scripps-Howard, o grupo do Chicago Tribune, do Washington Post, do Guardian inglês, e assim vá.

Todos clientes — alguns assumidamente, outros não — de uma consultora só de estratégia digital, como não canso de apontar.

Agora, segundo o chefe da polícia,

Essa comemoração do Dia Internacional da Liberdade de imprensa, a 3 de maio, acontece 20 anos depois da Declaração de Windhoek onde jornalistas africanos proclamaram que a liberdade de imprensa é essencial para a democracia e o desenvolvimento econômico das nações.

O texto da declaração não consta mais na página da UNESCO, que eu consigo descubrir. Seguindo um laço da Wikipédia, pelo menos, aterriso no mato fechado de uma página Erro 404.

Mas dá, sim, pela leitura de um relatório de progresso preparado dez anos depois, para saber que os grandes maus da imprensa africana continuavam sendo

  1. O puro e virulento amadorismo e corrupção da imprensa existente;
  2. As barreiras econômicas à entrada de novos empreendimentos no mercado de informações.

Outro fator importante:

O Sindicato de Profissionais de Comunicação (Syprocom), o sindicato principal para os jornalistas do Gabão, não representa a imprensa como um todo. Existe uma duplicidade no seu estatuto, que trata servidores públicos de maneira diferente do que os independentes, que podem ser mais resolvidos e ousados, mas não possuem a formação necessária.

Vamos ver. Quem é no Brasil que mais insiste que apenas diplomados merecem as proteções plenas desfrutadas pelo jornalista? Uma pista: é o mesmo sindicato que nem sabe a diferença entre publicidade e jornalismo.

Em determinado trecho, nota-se também que

À imprensa dessa região faltam-lhe boa fama, credibilidade, e profissionalismo, devido a vários fatores. É uma imprensa urbana na sua essência, muito amiúde enviesada e partidária, uma imprensa que omite propositalmente certos fatos ou dramatiza exageradamente a importância de outros. Na maiora dos casos o jornalismo praticado é superficial e geralmente fica subsidiado, ou seja, «comprado» por interesses privados. 

A palavra exata é bankrolled, ou seja, a editora goza de garantias contra os riscos financeiros do negócio em troca de apoio para quem fornecem essa caução.

Limos, não limos, ultimamente, de um jornal brasileiro que recebi de um certo governo a metade de um orçamento de publicdade estatal de R$250 milhões por ano? Vocês e sua propaganda estatal. Vix!

Isso num ano no fim do qual o jornal registrou um resultado líquido de R$10 milhões?

Dá um tempo, Noblat, e olhe no espelho. Olhe fundo. Procure seu africano interior. Cada brasileiro, dizem, tem.

No mesmo relatório, a preocupação que a emergência de vozes independentes ainda sofria de impedimentos econômicos. Da declaração original:

Essa declaração urge aos Estados a eliminação dos obstáculos ao estabelecimento de novos veículos jornalísticos e recomenda um maior nível de professionalismo por parte de chefes de redação e diretores comerciais na gestão das suas empresas.

Alguém vá logo e faça uma planilha da porção do orçamento federal de publicidade engolida pela nave-mãe dO Globo nos últimos, digamos, doze anos.

Não faz mal lembrar também: Foram os jornalistas do grupo Naspers, no África do Sul, que pediram desculpas pelos crimes cometidos contra a verdade durante o ciclo de apartheid.

O grupo mesmo fingia e continua fingindo que se bem que todo presidente do regime já teve passagem por seu conselho, não era com eles. Negócio é negócio. O que passou, passou.