Agitação e Spa(s)moganda | Da Pré-Historia da Bolsa

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Onde houver agitação e propaganda — gritaria, boataria, e muita história-histéria cabeluda — haverá capital de risco.

Um bom exemplo disso é o Rodrigo Constantino, editor do Objetivismo.org que “trabalha no mercado financeiro desde 1997” depois de se formar no IBMEC.

Pessoalmente eu sentiria um certo receio de confiar minhas modestas poupanças a um seguidor de Ayn Rand.

]Prefiro um seguidor de Warren Buffet, o anti-John Galt que trabalha com uma ideologia simples: corte custos, agregue valor, aguarde 30 anos, e recolha os dividendos.

Ideologia, no mundo de planilhas autconscientes e algoritmos que são os mercados de capital hoje em dia, não passa de balela para sacanear os otários.

Ah, mas se bem que sangue nas ruas seja o sinal verde ao comprador de imóveis — dito atribuído ao Barão de Rothschild — não importa muito como o sangue chegou a estar lá. Pode ter sido uma turma de «special effects» ou um batalhão de tanques de Qaddafi. O importante é a fantasia do investidor que passa a comprar ou vender encima dessas fantasmas.

A própria razão desse circo é, era, e quem sabe sempre será fazer com que o aumento no preço de pão passe desapercebido.

É algo que eu tenho percebido muitas vezes ao longo dos meus estudos do apelo emocional e da rumorologia como características da comunicação social sociopata de certos núcleos politico-empresariais de hoje em dia. .

Dentro de cada núcleo de atividade de determinada campanha de propaganda, haverá um FIP, banco de investimento, fundo de pensão, ou entidade de classe, muitas vezes pelêgo, de investidores de capital de risco.

A correlação sempre merecia mais destaque do que eu o dava. Alguns pensamentos sobre como introduzir os gêmeos chineses, gestão de risco e gestão de opinião (e informação) pública.

Se bem que o esquema básico de organizaçãoes enredades em rede que observamos foi o MOSCOU — mídia orquestrada pela sociedade civil de oligopólios unidos — ou, com dizem as redeologistas profissionais, uma CNO — organização colaborativa em rede — não devemos pensar nesses oligopólios como fortalezas solitárias de força industrial, como num velho filme de propaganda soviético.

Os galeões navegam num mar de liquidez impulsionados por uma ventania feito de crédito e publicidade, o primeiro provindo dos investidores de risco — frase inadequadada desde que a filosofia desses fundos é investir apenas quando está-lhes garantido o poder de controlar o resultado —  e a segunda dos Mad Men.

O Nascimeno da Cruzada para Autorregulação

Na verdade, as relações públicas modernas e a bolsa de valores nasceram juntas, assim como conta um historiadora de cuja nome eu temporariamente me esqueci quando fiz ontem o meio drástico

tiodude@lengalenga:~/Desktop$ mv * SORTEAR

Cuidado com aquilo. Você acaba varrendo tapetões embaixo de tapetões até o chão tocar o teto.

Traduzo porque o que testemunhamos hoje no Brazil segue um padrão com quase um século, exatamente, de idade.

Em 1913, a Bolsa de Valores de Nova York (NYSE) caiu quase sem querer no negócio de relações públicas na tentativa de evitar regulação “no interesse público.” Transformando as críticas da bolsa numa ideologia legitimizadora, os publicitários vendiam a bolsa de valores como uma forma de democracia direta, onde as escolhas livres do investidor dentro de bolsas regulamentadas por seus integrantes capitalizava e legitimizava o capitalismo da grande corporação «pública», ou seja, de capital aberta.

Mas enquanto a NYSE vinha com um discurso segundo o qual ela mesma era uma utilidade pública, suava sangue para assegurar que nenhuma fiscalização a obrigaria a responder às demandas da sociedade.

No início, sua Commissão sobre Liberdade seguia rumos reacionários — utilizando o controle da imprensa e a imagem pública em geral, montando uma biblioteca disponível ao público, a eliminação das “lojas de baude” [– corretoras-fachadas que na verdade processava apostos sobre movimentos no mercado –] e pressão nos bastidores da política.

Os Empréstimos de Liberdade que financiava a primeira guerra mundial e as campanhas para educar o investidor sobre como se proteger no mercado iniciativos ensinaram aos publicitários o valor de ação antecipada e preemptiva, junto com cooperação visível, processo que culminou na instituição dos seções do Better Business Bureau dedicadas ao pequeno investidor.

Que jamais resolveram problema algum por investidor nenhum.


Nos anos 1920s, competição externa e rivalidades internas levou a mudanças estratégicas. A ira do público quando soube que Alan A. Ryan, sócio na bolsa, tinha comprado 100% das ações de Stutz Motor Co., de maneira fraudulenta, foi a gota d’água.

Começando em 1921, a nova Commissão de Publicidade da NYSE transformou um estilo de fazer propaganda fortemente defesivo numa propaganda agressiva e proativa. A bolsa mandou dar palestras, visitar e hospedar funções sociais, produzir filmes promocionais e fundar cursos académicos, por exemplo.

As curta-metragens incentivando o pequeno investidor a jogar a poupança no mercadão antes do crise de 1929 dariam luz às curtas de Jean Manzon para o IPES.

Entre 1913 e o Craque de 1929, então, a bolsa era defendida pelos seus exércitos de publicitários como um “mercado do povo,””livre e aberto.” Assim construiram uma comunidade de simpatizantes políticos, e do mesmo jeito expandiram os mercados de varejo das corretoras integrantes da Bolsa.

Tem algo familiar nesse discurso, nao tem? Eu uma vez escreveu um editorial sobre o “mercado da sarjeta” que provocou uma campanha altamente irada de alguns gestores de bens no Wall St., mas que de fato foi um fato histórico: além do mercado secundário da Bolsa, cresceu um mercado que operava literalmente na sarjeta da rua Wall, aquela que ainda hoje permanece pouco mais que uma modesta vilela ligando a Igreja da Trindade à Balsa da Ilha de Staten.

An, okay, a autora é Julia Ott, doutorando na história da Yale, o artigo é de 2004 e fica titulado

  • «New York Stock Exchange Public Relations, 1913-1929» (relações públicas da bolsa de Nova York, 1913-1929)

Poucos lembram do fato, mas a NYSE concorria com a Bolsa Consolidada — «Consolidated Exchange» — entre 1885 e 1926, quando o COL, como era conhecida, entrou em falẽncia.

O Zumbido Geral

Segundo um esutudo do Centro Berkman, da Faculdade de Direito de Harvard, cada semana são enviadas 730 milhões de mensagens «spam» — do qual 15%, ou seja, 110 milhões, são recomendações de ações, o chamado «stock spam.».

Porque tanto? Porque, segundo os autores harvardienses, o spam funciona.

Isso deveria ser porque o Centro Berkman utilize tantas das técnicas estudadas nas suas próprias campanhas de agitação e propaganda.

É uma técnica das mais velhas para manipular um mercado: utilizando contratos futuros, tome uma posição comprado enquanto o mercado ficar barato, de preferência encima de informações privilegiadas de que a ação vai se afundar, e depois utilize propaganda para tentar incitar um efeito-manada no sentido de comprar, aumentando o preço. Vende no auge da mania e se aposenta nas Ilhas Caimães.

We assess the impact of stock touting via unsolicited email upon the stocks’ trading activity, and sketch how profitable spamming might be for those who manipulate stocks via spam as well as how harmful it is to those who might heed advice in stock-touting e-mails. We suggest that the profitability of spammed stock touting calls for adjustments to securities regulation models that rely principally on the proper labeling of information and disclosure of conflicts of interest in order to protect consumers.

Based on a large sample of touted stocks listed on the Pink Sheets quotation system, we find that stocks experience a significantly positive return on days when they are heavily touted via spam, and on the day preceding such touting.

Quer dizer, o operador compra para inflar o preço e depois o publicitário da ação promete que a tendência — quase sempre uma tendência de dois dados só — vai continuar. Um número sufiicente de otários acreditam para com que a profecia se autorealiza.

Volume of trading also responds positively and significantly to heavy touting. Indeed, on a day when no tout has been detected in our database, the likelihood of a touted stock being the most actively traded stock that day is only 6%. On the other hand, on days when there is touting activity, the probability of atouted stock being the single most actively traded stock is 81%.

Returns in the days following touting are significantly negative. The evidence accords with a hypothesis that spammers “buy low and spam high,” purchasing penny stocks with comparatively low liquidity, then touting them – perhaps immediately after an independently occurring upward tick in price, or after having caused the uptick themselves by engaging in preparatory purchasing – in order to increase or maintain trading activity and price enough to unload their positions at a profit.

Selling by the spammer then results in negative returns following touting. Investors who respond to touting are losing, on average, 5.25% in the two day period following touting. For the quintile of stocks in our sample that are touted most heavily, this 2-day loss approaches 8%. These estimates are conservative, as they do not account for transaction costs.

Os estudiosos deixam um banco de dados simples de ações comprovadamente promovidas pro esses métodos.

Pode ser interessante reproduzir o estudo mais do ponto de vista do “efeito rede” … Sendo que o que leva os otários a esperar a continuação de uma tendência, no final das contas, é um discurso, um mito sobre a natureza desse efeito.