Belíndia e a Corrupção da Imprensa | Reloaded

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O aprendiz do diretor de comunicações da campanha política, junto com o conselheiro editorial do Instituto apartidário — que inclui, indiretamente, entre seus quadros e patrocinadores, um partido político  da coligação oposicionista da campanha — , que são seus superiores dentro da Editora Abril, dão o aval ao aprendiz como candidato para uma bolsa de estudos valendo R$75 mil por ano.

Eu, hein? Daqui adiante, quando meu cachorro faz algo fora do ámbito de ética canina imposta nele, vou premiá-lo em vez de corrigí-lo e esperar que esse novo modelo resulta na melhora do seu comportamento.

É um assunto muito interessante por si só: os problemas que doadores têm deixando a avaliação de candidato nas mãos dos nativos.

Me lembro do caso da empresa contratada pela USAID para remover entulho na Haiti, empregando mão-de-obra local. A empresa, contrário ao seu contrato, deixou autoridades locais escolherem os homens que iam trabalhar e receber — assim fortalecendo uma esquema de corrupção e voto-de-cabresto local que preexistia sua chegada.

Mandando Escosteguy ao Nova York como jornalista exemplar é como mandar Mulher Melancia à ONU como embaixadora do Brasil. Só dará constrangimento, no fim, julgando dos crimes desse primeiro contra a epistemologia, esqueçem a ética, da profissão no passado.

Agora, o Conselho da Imprensa da Índia lançou um relatório no ano passado que merece lusificação, se apenas porque demostra como um país com um longa tradição da regulamentação da mídia compartilhada entre o Governo e a Indústria — modelo comum a todos os países do Commonwealth, os conhecidos Press Offices ou Press Councils — ainda está lidando com aquela coisa que não pode falar seu próprio nome: a corrupção, literal e sem metáforas, da imprensa.

Na Índia, tem até um sítio agora que ilumina casos do jornalismo de iPAB — sigla em inglês de «eu paguei uma propina.».

Nos EUA, virou oficial com o lançamento de um relatório da CIMA-NED: O suborno aos jornalistas existe. O Tio Sam deveria saber — é ele que se encrenca com tantos e tamanhos quids pro quo no estrangeiro.

Com sorte, o assunto virá assunto no Brasil em 2025, uma vez que o vapor Nova York-Rio costuma demorar trinta anos a fazera travessia. (Pensem só na identidade afrobrasileira, por exemplo.)

Não estamos falando aqui dos parágrafos mais densos da Ética de Spinoza, como muitos gostariam fazer aparentar.

Estamos falando de vendidos, corpo e alma, por mero lucro imundo, na encruzilhada à meia-noite — ou dando boquetes em troca crack nos becos da Nova Luz, como diria uma amiga minha muito brava.

Vê se eu dou um jeito em trechos de dito texto.

O fenômeno de “notícias compradas” já virou algo sério entre nós. Hoje vai além do suborno de indivíduos e grupos de mídia e vira algo penetrante, dominante, e muito bem organizado, Está minando a democracia em nosso País. O fato é visto com angústia por muitas setores altas da sociedade, entre eles lideranças políticas, intelectuais, jornalistas, e donos de mídia. Todos já externaram seu desaforo e sua preocupação com a influência perniciosa de tais práticas.

Este tal de “notícias políticas pagas” virou especialmente notável durante as eleições gerais de 2009 e depois, durante a eleição do legislativo de vários estados. Apresentou uma nova e ainda mais destrutiva cara com a redeinfição de “notícias” e “reportagens” sobre campanhas políticas. Muitas das ditas reportagens só apareciam no ar ou na edição do dia após pagamentos, quase sempre na moita.

Uma crença muita difundida é que muitos grupos e empresas de mídia, sem levar em conta seu tamanho ou volume de negócios e rentabilidade, “vendiam” cobertura após negociaram um “acordão” com políticos e representantes de empresas que são seus anunciantes. Espaço no ar e na página ocupavam-se por propaganda disfarçada de jornalismo.

As notícias devem ser objetivas, equilibradas e neutras — é isso que as diferenciam de anúncios pagos por empresas, governos, organizações ou indivíduos. O que acontece quand essa diferença, entra a notícia e a mensagem paga, começa a virar embaçada e nebulosa.

Nesses casos, o telespectador ou leitor mal consegue diferenciar a notícia da propaganda ou editorial comprado. Firmas de mercadologia utilizam os serviços de jornalistas — se estes queiram ou não — para ganhar acesso a figurẽs políticos. As chamadas “cartilhas de preços” ou “pacotes” são distribuídos, muito amiúde citando preços em troco de “notícias” que não apenas elogiam o mecenas da reportagem senão escoria seu opositor.

Muito disso repete o que foi dito num relatório que saiu durante as eleições, apresentando provas da existência das cartilhas e tal.

Agora, temos o relaório da subcommissão descolada para propor alumas soluções ao problema.

Levando em consideração o perigo que “notícia paga” representa uma ameaça tanto à democracia quanto à liberdade de expressão garantida no Artigo 19 da Constituição da Índia, no dia 9 de junho de 2009 o Press Council da India estabeleceu uma subcommissão de inquérito na qual Shri Paranjoy Guha Thakurta e Shri Kalimekolam Sreenivas Reddy “examinaria o fenômeno de notícias pagas durantes as últimas eleições de  Lok Sabha … fundamentada em insumos fornecidos pelos membros e outros. ” O Thakurta e o Reddy falavam como uma amostra da sociedade civil de Nova Delhi, Mumbai e Hyderabad além de revisar um sem-número de cartas e queixas recebidas pelo Council.

Mal se ouve nesses trópicos o argumento mais forte de que alimentando o público com uma dieta de mentiras viola seu direito à livre pensamento e expressão.

O relatório foi discutido pelo Press Council nas reuniões de 31 março de 2010 e 26 de abril de  2010.

Após ouvir sugestões dos conselheiros, o conselheiro-presidente mandou uma commissão de 12 conselheiros –Shri H. N. Cama, Lalit Mangotra, U. C. Sharma, .Y C. Halan, K. Sreenivas Reddy, Kalyan Barooah, S. N. Sinha, Anil Jugal Kishore Agarwal, Kundn R. L. Vyas, Paranjoy Guha Thakurta, P. Javadekar, e Keshav Rao — prepararem um relatório final.

Nesse relatório, como você adivinhará, a recomendação mais forte é a manutenção de uma Muralha Chinesa entre o lado comercial e o lado editorial do jorna ou que seja.

Mas como você imaginará, a oportunidade de ganhar um melhor salário sem tanto trabalho como «gestor de conteúdo» — ajustando os fluxos de giornalismo plagiado por estagiários e trabalhadores autónomos que apenas emprestam seus nomes a textos na verdade preparados por agências de RP — é sedutora.

Papo sério, eu imagino que a frase «a imprensa é corrupta» não aparece com mais frequência na lingua de Camões devido a vários mecanismos de intimidação, dos quais o fato do mercado limitado de trabalho — e fiz a conta uma vez e descubri que nos EUA temos onze vezes o número de jornalistas per capital que o Brasil — não deve ser o mais inconsequente.

Jamais aparece com destaque nos relatórios dos institutos internacionais pela promoção de uma imprensa livre. Na melhor de hipóteses, está enterrada nas tripas do relatório e apresentado indiretamente como uma entimema.

  1. A imprensa e mal-paga e mal treinada
  2. Anunciantes pagam e treinam melhor
  3. A imprensa precisa de mais independência ecônomica.

Mas no que se refere ao fato dessa situação configurar corrupção que configure, configura.

Em 2006, um tal de H.J. Eskow escreveu no Huffington Post sobre a clima que resulto ma rendição da imprensa de Washington à máquina de notícias de Karl Rove.

A corrupção nem sempre chega com a cara de cheques milhionários e festas faustuosas, no modo de Ambramoff e DeLay style. Pode vir como uma chuvinha de milhares de gentilizas – “facilitaremos sua vida, amigo” — uma chuvinha de milhares de pequenas ameaçãs. Possamos fazer isso com facilidade, ou …

Foi assim que a corrupção entrou no corpo de journalistas da Casa Branca. A mídia não distorce os fatos no favor do governo Bush porque concorda com ele. Fazem porque sabem que a cabala reinante é cruel e brutal quando você lhe der causa de raiva. Siga o roteiro, na outra mão, e reciba um apelido do Presidente. Recusa e o secretário de imprensa jamais chamará seu nome de novo. .

O fato de que dolares não mudaram de mão não quer dizer que o processo não é corrupto. Apenas comprova que pode ser comprada barato — en troca de um bom lugar na plateia, da entrevista exclusiva concedida de vez em quando, de não sofrer o esquivamento e exílio  permanente da jornalista  lendária Helen Thomas.

Não há um exemplo mais nitido do corrupção da imprena do que o espetáculo de uma coletiva conduzida segundo um roteiro preconcebido. Aí, jornalistas reconhecem duas deixas e repetem suas falas em troca de nada mais valioso do que ver seu próprio rostro na TV, ao vivo. A imprensa nacional de hoje é isso: um bando de vangloriosos vendendo sua integridade só para aparecer.

Eu, porém, estou com os indianos. Dinheiro muda de uma mão para outra nesses casos, geralmente nos bastidores após uma boa lavagem. Ou, se não é dinheiro, é algo que vale dinheiro — uma oportunidade de ganhar um dinheirão tarado remontando a Bolsa de Valores de Iraque, como um cavalheiro que cheguei a entrevistar uma vez.

Ele, engenheiro financeiro e eletrônico, sabia que a coisa não ia andar. Mas quando as FFAA insistem em pagar você a não conseguir fazer ou impossível e infactível, o que fará? Como o jogador dize antes de rolar os dados: “Bebê precisa de novos sapatos!»

O Instituto Ling, seja dito, oferece um modelo exemplar de divulgação financeira, o que não pode ser dito de pelo menos 26 mil dos 27 mil ONG-OSCIPs brasileiros estimado pela ABONG.

Parece que a auditora KPMG é a preferência de quase todas as organizações representadas no Milennium.

Em qualquer caso, fica interessante comparar. A Índia tem que ratificar o tratado anticorrupção que assinou ainda neste ano, mas jornalistas locais estão denunciando que o Bribe Bandh — tipo a bancada contra as corretores em propinas — esteja tentando matar a legislação necessária.