Escosteguy em Nova York

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Em agosto desse anno mirabilis de 2011, um jornalista-visionário brasileiro viajará a Nova York para passar uma temporada na Universidade de Columbia. O nome desse exemplar do brasileiro-intelectual sartreano é Diego Escosteguy, antigo faz-de-tudo nos estábulos augêos do prostíbulo na várzea do Pinheiros que hoje está tocando a Época, que até chega aqui em casa ultimamente, de graça, e ainda não tenho o saco de abrí-lo.

Seria interessante saber se a mercadologida da Editora Globo concluisse que o jornalismo de esgoto no gênero da Veja fosse mais eficiente quando da circulação, e por isso escolheu o aprendiz, afinado à agudeza de uma espada de samurai pelos mestres, Alcântara e Marcio Aith.

Dai-nós seus cansados, seus pobres, suas massas aninhadas contra o frio, anhelando a respirar como um povo livre …

A ironia de aceitar dinheiro de uma agência publicitária chamada Máquina de Notícias — uma executive da agência tem assento no conselho do IMIL agora — para se aperfeiçoar na arte do journalismo passa desapercedbida nesse país seu. Por quê será?

Chamar Escosteguy a vestir a camisa número 10 é meio como mandar à Colombia para o melhor jogador que têm e receber em retorno o cara que fez gol contra — e pagou com a vida, graças ao traficante Pablo Escobar, se bem que não desejamos azar ao Vejepocano nos seus passeios pensativos pelas ruas de Harlem — se tiver a coragem de andar por aquelas ruas.

Uma leitura essencial pras malas:

Foi um leitor que apontou a notícia, anunciada em março — obrigado! — mas o fato saltou aos olhos também durante uma sessão de laboratório hoje sobre a evolução do Instituto Milennium desde as eleições.

Na verdade, não mudo muito, embora as afinidades com entidades neoconservadoras norteamericanas ficarem mais discretas, talvez.

É complicado ler no jornal que o Jorge Gerdau vai tomar parte no novo goveno federal após todas as baixarias que financiava. Mas suponho que políticos tem couraços duros e não sentem as picadas do vespeiro.

O volume de blogs tipo spam nessa rede é avassalhadoro.

Entretanto, estudo: O Brasil, com seus 30 mil ONGs, precisa de mais «think tanks», ou seja, «instituto de pesquisa». O jornalismo precisa de mais dinheiro pago direto pelo anunciante para poder cortar seus custos de mão-de-obra. Se o anunciante começa a ditar o teor do jornalismo produzido, pois bem, o homem com a carteira aberta é que detem a palavra.

O financiamento da bolsa que beneficiou o Diogo-ego, patrocinado pelo Instituto Ling, foi feito no nome de um grande número dos patrocinadores do Milennium mesmo, fato que saltou aos olhos quando começei a enxergar a rede do ângulo de redes «two-mode ». Se tiver interesse, a nota técnica fica por aí.

Quando dos juizos de valores, meu voto apoia o juiz federal norteamericano — do Distrito Sul de Nova York — que recusou a deixar entrar um livro de clippings da Veja e outras fontes por serem “mera boataria sem valor probatório.”

Devo dizer, por mais desagradável que seja, que o brasileiro visionário que não consegue aprender coisa alguma, por estar completamente convencido que já sabe de tudo, marcava muito meu tempo nos corredores de letras no Berkeley. Eu preferia a companhia dos catalães, com quem eu dividia um apartamento. Gonçalo e Paz, pronunciado path.

Imagino que a estadia de nosso catalão batalhão de um gironalista só não será diferente. Quem sabe? Talvez a doença de um gironalismo minimamente norteado pela epistemologia, sem falar na deontologia, virá a fazer a cabeça de nosso intrépido editor chefe, que passou um tempo fazendo o curso no ano passado também, como segundo colocado recebendo bolsa de $45 mil (R$ 73 mil). Como jornais tipo New York Daily News mostram, não é necessário ao gênero tablóide a completa falta com o provável e o verdadeiro e a omissão proposital de fato inconvenientes.

Projeto: um linha de tempo como os clippings que mais indicam o abismo entre a prática pessoal do Escosteguy e os princípios ainda defendidos pela Liga de Hedra — salvo Harvard, após sua compra por Bill Gates. Podia ser feito no SemanticMediaWiki com dados dos Arquivos de Google Notícias.

PS: Se quiser, Diogo, posso lhe oferecer a metade de um apartamento bacana em Brooklyn, a ser dividida com uma estudante chinesa também da Columbia. É so andar 50 metros, descer, e o metrô 1-2-3-9 o leva aos portões da faculdade em meia hora, mas você mora num bairro onde o custo da vida é bem mais barato. Está logo ali ao lado do Muséu de Brooklyn. Entre em contato. Preço para você: $900 por mês. É bem barato.